18 de fevereiro de 2026 - por Millena Santos
CLOs e CDOs são instrumentos financeiros estruturados baseados no processo de securitização e desempenham um papel relevante nos mercados de crédito.
Eles reúnem diferentes tipos de ativos, como empréstimos e títulos de dívida, e os transformam em produtos negociáveis, permitindo a redistribuição de riscos entre investidores.
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O que são obrigações de empréstimo colateralizadas (CLOs)?
As obrigações de empréstimo colateralizadas, conhecidas pela sigla CLOs (Collateralized Loan Obligations), são instrumentos financeiros estruturados a partir do agrupamento de empréstimos corporativos em uma única carteira.
Esses empréstimos, em geral, são concedidos a empresas de médio e grande porte e costumam contar com algum tipo de garantia.
O objetivo dessa estrutura é reunir diversos contratos de crédito, criando uma carteira diversificada que dilui riscos e organiza os fluxos de pagamento.
A partir desse conjunto de empréstimos, são emitidos títulos que podem ser adquiridos por investidores com diferentes perfis de risco e retorno.
Então, de forma simples, os CLOs são um tipo de securitização, processo no qual ativos financeiros, neste caso, empréstimos, são transformados em títulos negociáveis no mercado.
Essa dinâmica contribui tanto para o financiamento das empresas quanto para a oferta de alternativas de investimento no mercado de crédito.
Como funcionam as CLOs?
Sob uma perspectiva operacional, as CLOs funcionam sob a gestão de especialistas em crédito, responsáveis por selecionar, acompanhar e administrar os empréstimos que compõem a carteira.
Esses gestores analisam a qualidade das empresas tomadoras, os riscos envolvidos e o desempenho dos ativos ao longo do tempo.
Além da seleção inicial, o trabalho de gestão é contínuo, pois os profissionais monitoram os empréstimos subjacentes, avaliam eventuais mudanças no cenário econômico e fazem ajustes na carteira sempre que necessário.
Esse acompanhamento ativo é fundamental para preservar o equilíbrio entre risco e retorno da estrutura.
O que são obrigações de dívida colateralizadas (CDOs)?
Assim como as CLOs, as obrigações de dívida colateralizadas, conhecidas como CDOs (Collateralized Debt Obligations), são instrumentos financeiros estruturados baseados no processo de securitização.
A principal diferença entre elas está no tipo de ativo que compõe a carteira.
Enquanto as CLOs são formadas por empréstimos corporativos, as CDOs reúnem diversos tipos de dívidas em uma única estrutura, que pode incluir empréstimos, títulos de crédito e dívidas hipotecárias, por exemplo.
Esses ativos são organizados em tranches, ou camadas, que apresentam diferentes níveis de risco e retorno.
As tranches mais seniores oferecem maior previsibilidade e prioridade nos pagamentos, enquanto as subordinadas assumem mais risco em troca de um potencial de retorno mais elevado.
Dessa forma, as CDOs permitem que dívidas originalmente pouco líquidas sejam transformadas em títulos negociáveis no mercado financeiro, ampliando as possibilidades de financiamento e investimento dentro do sistema financeiro.
Como funcionam as CDOs?
Assim como ocorre nas CLOs, o funcionamento das CDOs depende da organização da carteira em tranches, ou camadas, que distribuem o risco e o retorno entre os investidores.
As tranches seniores são consideradas as mais conservadoras da estrutura. Elas têm prioridade no recebimento dos pagamentos e, por isso, apresentam menor risco potencial de perda.
Já as tranches juniores assumem um papel diferente, pois são as primeiras a absorver eventuais perdas em casos de inadimplência dos ativos subjacentes. Em contrapartida, oferecem yields mais elevados quando comparadas às tranches seniores, refletindo o maior nível de risco assumido.
Essa divisão em camadas é o que permite às CDOs atenderem a diferentes perfis de investidores, equilibrando segurança e retorno dentro de uma mesma estrutura financeira.
Quais são as diferenças entre CLOs e CDOs?
Embora CLOs e CDOs sejam instrumentos financeiros estruturados baseados na securitização e na divisão em tranches, eles se diferenciam, como a gente já viu, principalmente pelo tipo de ativo que compõe suas carteiras.
As CLOs são focadas, em sua maioria, em empréstimos corporativos alavancados, concedidos a empresas.
Esses empréstimos costumam ter garantias associadas e são geridos de forma ativa por especialistas em crédito, que acompanham continuamente o desempenho dos ativos.
Já as CDOs apresentam uma composição mais ampla e heterogênea.
Elas podem reunir diferentes tipos de dívidas, como hipotecas, títulos de crédito e outros instrumentos financeiros. Essa diversidade de ativos tende a tornar a estrutura mais complexa e, em alguns casos, mais sensível a mudanças no ciclo econômico.
Portanto, enquanto as CLOs estão diretamente ligadas ao mercado de crédito corporativo, as CDOs abrangem um espectro mais amplo de dívidas, o que impacta o perfil de risco, a previsibilidade dos fluxos de pagamento e o tipo de investidor que cada estrutura costuma atrair.
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Fonte: Vaneck, Yahoo! Finance, Investopedia, Suno.