20 de maio de 2022 - por Jaíne Jehniffer

Se você está pensando em investir em previdência privada, provavelmente já se deparou com essas duas siglas. Embora pareçam parecidas à primeira vista, o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) têm características diferentes, especialmente quando o assunto é Imposto de Renda.
Neste texto, a gente te explica o que é PGBL e VGBL, diferenças, tributação e muito mais. Vamos lá?
- Leia também: Cuidado com o Bitcoin em 2025: O coice vem aí!
O que é PGBL?
O PGBL, ou Plano Gerador de Benefício Livre, é uma das opções dentro da previdência privada e faz parte da chamada previdência complementar, aquela que funciona como um reforço à aposentadoria do INSS.
Esse tipo de plano costuma ser mais vantajoso para quem entrega a declaração do Imposto de Renda no modelo completo. Isso porque ele permite deduzir até 12% da renda bruta anual tributável da base de cálculo do IR.
Ou seja, ao aplicar parte da renda no PGBL, é possível reduzir o valor sobre o qual o imposto será cobrado, diminuindo o total a pagar.
Mas vale lembrar que esse benefício fiscal é válido apenas na fase de acumulação, ou seja, enquanto os aportes estão sendo feitos. Quando chega o momento de resgatar o valor ou começar a receber os benefícios, o IR será cobrado sobre o valor total acumulado, tanto o que foi investido quanto o rendimento.
Por isso, o PGBL é mais indicado para quem tem renda tributável e faz a declaração completa do IR, e pretende investir regularmente na previdência privada.
O que é VGBL?
O VGBL, sigla para Vida Gerador de Benefício Livre, é outra modalidade de previdência privada. Ele funciona de forma semelhante a um seguro de vida com caráter de investimento, sendo considerado, tecnicamente, um seguro pessoal.
Esse modelo costuma ser mais vantajoso para quem faz a declaração simplificada do Imposto de Renda ou é isento, já que, nesse caso, não há benefício fiscal na hora de declarar.
Diferente do PGBL, o VGBL não permite deduzir os aportes da base de cálculo do IR.
Por outro lado, o imposto no VGBL é cobrado apenas sobre o rendimento da aplicação, e não sobre o valor total acumulado. Essa característica faz com que ele seja uma opção interessante para quem busca mais facilidade tributária no momento do resgate ou do recebimento dos benefícios.
Na prática, o VGBL funciona como um fundo de investimento com foco no longo prazo. A grande diferença está na forma de tributação e na estrutura contratual, já que os valores investidos podem, inclusive, ser indicados a beneficiários, sem necessidade de inventário, o que também traz mais agilidade no processo de sucessão patrimonial.
Quais são as diferenças entre PGBL e VGBL?
A principal diferença entre o PGBL e o VGBL aparece na forma como o Imposto de Renda é cobrado.
Se a declaração do IR for feita no modelo completo, o PGBL tende a ser mais vantajoso. Isso porque ele permite deduzir até 12% da renda bruta tributável, o que pode gerar uma boa economia no imposto agora.
Por exemplo, quem recebe R$ 100 mil por ano pode investir até R$ 12 mil no PGBL e ter esse valor abatido da base de cálculo do IR.
Já o VGBL funciona de outra forma, uma vez que não há dedução no momento da declaração, mas, por outro lado, a tributação lá na frente acontece só sobre os rendimentos, e não sobre o valor total acumulado.
Então, isso significa que se alguém aplicou R$ 50 mil e teve um rendimento de R$ 10 mil, o imposto vai incidir apenas sobre esses R$ 10 mil.
Logo, essa costuma ser uma alternativa mais vantajosa para quem opta pela declaração simplificada ou é isento.
Tributação do PGBL e o VGBL
O PGBL, como a gente já esclareceu, costuma chamar atenção por oferecer uma vantagem fiscal durante a fase de aportes.
Como já mencionamos, quem faz a declaração completa do Imposto de Renda pode deduzir até 12% da renda bruta anual tributável, o que ajuda a diminuir o valor do imposto a pagar
Porém, é bom se planejar para o futuro. Isso porque, quando chegar a hora de resgatar o valor ou começar a receber os benefícios mensais, o Imposto de Renda será aplicado sobre o total acumulado, ou seja, tanto sobre o que foi investido quanto sobre os rendimentos.
Já o VGBL funciona de forma um pouco diferente. Como nós também já esclarecemos, ele não permite dedução no IR, então é mais indicado para quem faz a declaração simplificada ou é isento.
Por outro lado, tem uma vantagem que pode pesar a favor: na hora do resgate, o IR incide apenas sobre os rendimentos, e não sobre o valor total investido.
Isso pode representar uma economia considerável no futuro, principalmente para quem pretende manter o investimento por bastante tempo e não precisa de abatimentos no imposto agora.
Independentemente do tipo de plano escolhido, é preciso decidir também o regime de tributação, que define como o imposto será calculado no momento do resgate:
- Tabela progressiva: segue a lógica do IR sobre salários. As alíquotas variam conforme o valor recebido, começando em 0% e chegando até 27,5%. Pode ser vantajosa para quem pretende sacar valores menores ou acredita que estará em uma faixa de renda mais baixa no futuro.
- Tabela regressiva: nesse caso, o tempo de aplicação faz toda a diferença. A alíquota começa em 35% e vai diminuindo gradualmente até chegar a 10% após 10 anos de investimento. É ideal para quem está pensando no longo prazo e pretende deixar o dinheiro investido por bastante tempo.
No fim das contas, tanto o PGBL quanto o VGBL podem ser boas estratégias, tudo depende do perfil de quem investe, do tipo de declaração do IR e dos planos para o futuro.
Qual plano escolher o PGBL ou VGBL?
A escolha entre o PGBL e o VGBL vai muito além de saber qual dos dois tem vantagem no Imposto de Renda. Afinal, ela precisa estar alinhada com os objetivos de quem investe, com o tempo que se pretende deixar o dinheiro aplicado e até com o perfil tributário.
Por exemplo, quem faz a declaração completa do IR e quer aproveitar o benefício da dedução de até 12% da renda tributável pode encontrar no PGBL uma ótima opção.
Já quem usa o modelo simplificado ou é isento de declarar, costuma se sair melhor com o VGBL, que não oferece dedução, mas tributa apenas os rendimentos.
Outro ponto importante é o prazo do investimento. Para objetivos de curto e médio prazo, o PGBL pode se tornar interessante pela vantagem tributária imediata. Mas quando o foco está no longo prazo, o VGBL tende a ter uma performance melhor no longo prazo, especialmente se for escolhida a tabela regressiva de IR, que reduz a alíquota conforme o tempo de aplicação.
Por fim, ainda vale te lembrar que nada impede de ter os dois tipos de plano ao mesmo tempo. Um PGBL para aproveitar a dedução anual no IR e um VGBL para complementar a aposentadoria ou garantir uma herança planejada, por exemplo.
Dicas para escolher o plano ideal
1- Defina seus objetivos
Antes de escolher qualquer plano, é muito importante entender o que se espera desse investimento.
A ideia é garantir uma aposentadoria tranquila? Ou usar os recursos para outros projetos de longo prazo, como pagar uma faculdade, fazer uma grande viagem ou dar entrada em um imóvel?
2- Entenda qual é o seu perfil tributário
Outro ponto importante é saber como está a sua situação com o Imposto de Renda. Se a declaração for feita no modelo completo, o PGBL pode oferecer vantagens, já que permite deduzir até 12% da renda tributável.
Agora, se a declaração for simplificada ou se não houver obrigatoriedade de declarar, o VGBL tende a ser a melhor escolha, já que não oferece dedução, mas tributa apenas os rendimentos.
3- Avalie as opções de investimento
Cada plano de previdência oferece diferentes tipos de fundos, com variados perfis de risco e rentabilidade. Existem opções mais conservadoras, focadas em renda fixa, e outras mais ousadas, que incluem renda variável.
A nossa dica aqui é diversificar, dividindo os aportes entre fundos com características diferentes, equilibrando segurança e crescimento.
4- Conte com orientação profissional
Por fim, uma dica valiosa: busque ajuda especializada. Um consultor financeiro pode analisar o seu perfil, os seus objetivos e suas necessidades para indicar as opções mais adequadas.
Isso evita escolhas impulsivas ou baseadas em suposições e garante mais segurança ao montar sua previdência.
Quais as vantagens do PGBL e do VGBL?
Entre os principais benefícios da previdência privada, alguns pontos ganham relevância e fazem dessa modalidade uma ótima alternativa tanto para quem quer planejar a aposentadoria quanto para quem busca algumas facilidades na sucessão patrimonial.
Um dos grandes atrativos é a sucessão patrimonial facilitada. Nos planos de previdência, é possível indicar beneficiários que receberão os recursos investidos diretamente, sem precisar passar por inventário. Isso agiliza bastante o processo de transferência dos valores e evita custos com taxas judiciais. Em muitos casos, o valor é liberado em poucas semanas.
Outro diferencial importante é a ausência do come-cotas. Diferente dos fundos de investimento tradicionais, que sofrem cobrança semestral de Imposto de Renda sobre os rendimentos, os planos de previdência não passam por essa antecipação. O imposto só é cobrado no momento do resgate ou quando o benefício começa a ser recebido.
Por fim, flexibilidade na escolha dos fundos também é um ponto bem positivo. Muitas seguradoras e instituições financeiras oferecem diferentes perfis de investimento dentro da previdência privada, desde opções mais conservadoras, focadas em renda fixa, até alternativas mais ousadas, com exposição à bolsa de valores.
É possível mudar de PGBL para VGBL?
Infelizmente, não é possível fazer portabilidade entre planos PGBL e VGBL. Ou seja, se o investimento começou em um PGBL, não dá para transferi-lo para um VGBL, e vice-versa.
A portabilidade só é permitida dentro da mesma modalidade. Por exemplo, quem tem um PGBL pode transferir os recursos para outro plano PGBL oferecido por uma instituição diferente, desde que esteja insatisfeito com a performance ou queira mudar o perfil de investimento.
O mesmo vale para o VGBL: dá para trocar de instituição, fundo ou seguradora, mas sempre permanecendo na mesma categoria.
Esse cuidado existe porque as duas modalidades têm regras tributárias diferentes. Por isso, ao pensar em trocar de plano, é fundamental verificar se a nova opção pertence a mesma modalidade para que a portabilidade seja aceita e feita corretamente.
Como declarar os planos PGBL e VGBL no Imposto de Renda?
Quem tem plano de previdência privada, seja PGBL ou VGBL, precisa incluí-lo na declaração anual do Imposto de Renda. No entanto, é importante lembrar que cada modalidade tem suas particularidades na hora de preencher os dados no sistema da Receita Federal.
No caso do PGBL, o valor investido deve ser declarado na ficha “Pagamentos Efetuados”. É nesse espaço que você vai informar quanto foi aplicado ao longo do ano. Existem dois códigos que costumam aparecer para esse tipo de plano:
- Código 36 – “Previdência Complementar”
- Código 37 – “Contribuições para as entidades de Previdência Complementar de que trata o § 15 do art. 40 da CF/1988”
A maioria das pessoas que investe por meio de instituições privadas vai utilizar o código 36. Após selecionar o código, é preciso preencher o CNPJ da seguradora, além do valor investido.
Caso o total de aportes tenha ultrapassado o limite de 12% da renda bruta tributável, o valor excedente deve ser informado como “parcela não dedutível”. O que estiver dentro do limite é considerado dedutível, ajudando a reduzir o imposto a pagar ou aumentando a restituição. Certo?
Já no caso do VGBL, não há benefício de dedução no IR. Por isso, ele deve ser declarado na aba “Bens e Direitos”, como se fosse um patrimônio. O código mais comum usado nessa ficha é:
- Código 06 – “VGBL — Vida Gerador de Benefício Livre”
Em alguns casos, pode aparecer também o código “99 — Outros Bens e Direitos”. O que importa aqui é declarar o valor nominal do VGBL, ou seja, o total investido até o final do ano-base.
Nesse tipo de previdência, os rendimentos não precisam ser declarados nessa etapa.
Vale lembrar que, em ambos os casos, os valores devem ser atualizados anualmente na declaração, conforme os saldos informados pela instituição onde o plano está contratado.
Agora que você sabe um pouco mais sobre esses tipos de previdência privada, leia também: Cuidado com o Bitcoin em 2025: O coice vem aí!
Fontes: Brasil Prev, Safra, Zurich, BTG Pactual.