Sanções econômicas: o que são, como funcionam e exemplos

Sanções econômicas são medidas de um país ou vários para pressionar outro a mudar seu comportamento. Entenda como funcionam e exemplos.

28 de maio de 2025 - por Sidemar Castro


Quando um país quer que outro mude alguma atitude, mas não quer partir para a briga militar, o que ele faz? É aí que entram as sanções econômicas. Em vez de mandar soldados, eles “apertam o cinto” do país-alvo, atingindo direto no bolso para que a situação financeira fique bem desconfortável.

Pense assim: pode ser que proíbam a venda de certos produtos para esse país, congelem o dinheiro de líderes estrangeiros, ou até mesmo impeçam empresas e bancos de fazerem negócios por lá. É como se colocassem um bloqueio financeiro.

Geralmente, essas medidas são tomadas quando um governo não respeita os direitos humanos, invade um território vizinho ou ameaça a paz mundial. Quer entender melhor como isso funciona e ver alguns casos reais? Então, continue com a gente!

Leia mais: Bloqueio de bens: o que é e como funciona?

O que são sanções econômicas?

Sanções econômicas são, no fundo, medidas de punição que países ou grupos de nações usam para forçar outros países, empresas ou até mesmo pessoas a mudarem comportamentos ou políticas que são vistos como inaceitáveis no cenário global.

Pense nelas como uma ferramenta de política externa, uma forma de pressionar sem precisar usar a força militar. Quem aplica a sanção quer causar um impacto financeiro ou comercial tão grande no alvo que ele seja obrigado a repensar suas ações.


O jeito como as sanções funcionam pode variar bastante, já que elas têm diversas formas. Mas, em geral, a ideia é restringir o acesso do alvo a coisas essenciais, como mercados internacionais, dinheiro ou sistemas financeiros do mundo todo.

Um tipo bem comum são os embargos comerciais, que basicamente proíbem ou limitam muito a compra e venda de certos produtos e serviços com o país sancionado. Isso pode ir de produtos de alta tecnologia a coisas básicas do dia a dia, dependendo do que se quer atingir.

Outra modalidade poderosa são as sanções financeiras. Elas podem congelar bens e dinheiro de pessoas, empresas ou até do próprio governo do país que está sofrendo a sanção. Além disso, podem dificultar o acesso a empréstimos, investimentos e ao sistema bancário internacional. Já imaginou um país sem poder usar cartões de crédito internacionais ou fazer transferências bancárias para fora? Isso causa um transtorno enorme na economia e na vida das pessoas!

Existem também as sanções mais específicas, que miram em pessoas, como líderes políticos, militares ou empresários que estão ligados ao regime ou às práticas que causaram a sanção. Nesses casos, é comum proibir viagens e congelar contas bancárias pessoais.

Exemplos históricos

Ao longo da história recente e nem tão recente, vimos sanções econômicas sendo aplicadas em diversas situações.

Um exemplo clássico é o embargo dos Estados Unidos a Cuba, que já dura décadas. Essa sanção impõe amplas restrições comerciais e financeiras com o objetivo de pressionar o governo cubano a mudar seu sistema político e econômico.

Outro caso notório são as sanções impostas ao Irã por seu programa nuclear. Essas medidas afetaram fortemente a economia iraniana, principalmente sua indústria de petróleo, para forçar o país a negociar e limitar suas atividades nucleares.

Mais recentemente, vimos um conjunto extenso de sanções sendo aplicado à Rússia por causa da sua invasão da Ucrânia. Diversos países e blocos econômicos impuseram restrições financeiras severas, embargos a setores chave como energia e tecnologia, e sanções individuais contra figuras do governo russo.

Voltando um pouco no tempo, a Rodésia (atual Zimbábue, na África) enfrentou sanções na década de 1960 após declarar independência unilateralmente, com o objetivo de pressionar o regime minoritário branco. Da mesma forma, a África do Sul sofreu sanções por conta do seu regime discriminatório, o Apartheid.

Quais são os objetivos das sanções econômicas?

As sanções econômicas são usadas por diversos motivos, mas no fundo, todas elas têm um mesmo objetivo: mudar o jeito de agir de países, grupos ou até mesmo de certas pessoas. Geralmente, a ideia é promover a paz e a segurança no mundo, evitar conflitos, acalmar regiões em crise e proteger os direitos humanos, principalmente quando há repressão, violência contra gente inocente ou governos autoritários.

Essas medidas também servem para combater coisas ilegais, como o tráfico de drogas, o financiamento de terrorismo e a fabricação de armas perigosas (nucleares, químicas e biológicas). Nesses casos, o que se busca é enfraquecer financeiramente esses grupos ou governos, limitando o que eles conseguem fazer.

Além disso, as sanções agem como uma ferramenta de pressão na diplomacia. Em vez de usar a pressão militar, países e organizações internacionais as aplicam para exigir que acordos sejam cumpridos ou para forçar que adversários se sentem à mesa de negociações. É como uma “diplomacia na marra”, mas com foco nas restrições econômicas.

A verdade é que, apesar de serem muito usadas, a eficácia das sanções econômicas sempre gera debate e polêmica. Tem quem defende que elas sejam uma alternativa pacífica para evitar guerras, mas também há muitas críticas sobre o impacto negativo na população civil, que muitas vezes, é quem realmente sofre as sanções, muito mais do que os líderes ou grupos que são o verdadeiro alvo. E, para ser sincero, nem sempre essas medidas atingem os resultados esperados.

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Quais são os tipos de sançãoes econômicas?

As sanções econômicas podem ser aplicadas de forma isolada ou combinada, dependendo dos objetivos políticos, econômicos ou de segurança internacional de quem as impõe. Além disso, elas podem ser direcionadas a setores específicos, empresas, indivíduos ou ao país como um todo, sempre buscando pressionar mudanças de comportamento ou políticas.

Veja, a seguir, os principais tipos de sanções econômcas:

1) Tarifas

Tarifas são medidas que um país toma para dar uma “mãozinha” na produção local. Ou seja, uma taxa extra que um governo cobra em cima daqueles produtos que vêm de outros países.

A ideia por trás disso é bem simples: ao encarecer o que vem de fora, se espera que os consumidores “olhem com mais carinho” para o que é feito em casa. Mas não é só isso. Às vezes, as tarifas são usadas como uma forma de “dar um recado”. Se um país vizinho está fazendo algo que não agrada, um governo pode apertar o cerco nas importações deles, dificultando a vida das empresas de lá. É um jeito de colocar uma pressão para que eles mudem de comportamento.

2) Cotas

Já ouviu falar em cotas no comércio internacional? É um limite que os países colocam na quantidade de certos produtos que podem ser importados ou exportados. Não é sobre o preço, como nas tarifas, mas sim sobre o volume de mercadorias.

A ideia por trás das cotas é controlar o fluxo de comércio de um jeito bem direto. Ao restringir o volume de um produto que entra ou sai, um país pode, por exemplo, proteger sua própria produção. Imagine que o Brasil produz muito café e não quer que o mercado seja inundado por café de outro lugar, o que faria o preço despencar. Uma cota de importação de café resolveria isso.

3) Embargos

Você já deve ter ouvido falar em embargos, certo? Pense neles como a versão mais radical de uma sanção econômica. Enquanto as tarifas mexem no preço e as cotas limitam a quantidade, os embargos são um “não” bem grande, que pode ser total ou parcial, para o comércio com outro país.

É como se um país dissesse: “Com você, a gente não negocia mais – ou negocia muito pouco”. Isso pode significar a proibição total ou parcial de exportar e importar certos produtos, ou até mesmo todos os bens e serviços. A ideia é isolar economicamente o país que está sob embargo, cortando seu acesso a mercados e a tudo que é necessário para sua economia funcionar.

4) Barreiras não tarifárias

Quando a gente fala em dificultar o comércio entre países, nem sempre é sobre aumentar imposto (tarifa) ou proibir a venda (embargo). Existe um tipo de obstáculo mais sutil, mas igualmente eficaz, que são as barreiras não-tarifárias.

Pense nelas como aquelas exigências regulatórias, padrões técnicos ou a própria burocracia que tornam a vida do exportador um inferno. Por exemplo, um país pode exigir que um produto importado tenha uma certificação ambiental super específica, ou que a embalagem siga um padrão de tamanho e material que só eles usam. Isso não proíbe a importação, mas torna tudo mais complicado e caro para o país que quer vender.

5) Apreensão ou congelamento de ativos

É quando a situação fica tão séria que a mira das sanções vai direto no dinheiro, a apreensão ou congelamento de ativos. Basicamente, é quando um país ou um grupo de países decide dar um “cala a boca” financeiro no alvo.

Isso significa capturar, bloquear ou reter grana e bens, como contas bancárias, investimentos e até propriedades, que pertencem ao governo, a empresas ou a cidadãos do país que está sendo sancionado. É como se colocassem um cadeado gigante em todo o dinheiro deles que está lá fora ou em outras contas.

É uma medida drástica, que mexe diretamente no bolso e na capacidade de manobra de quem está sob sanção, forçando uma mudança de comportamento pela dor financeira.

6) Restrições financeiras

Restrições financeiras incluem a proibição de transações bancárias, exclusão de bancos do sistema financeiro internacional (como o sistema SWIFT) e restrições ao acesso a mercados de capitais. Essas medidas visam isolar o país do sistema financeiro global e dificultar investimentos e financiamentos externos.

7) Restrições à exportação

Quando a pressão precisa ir direto no coração financeiro de um país, entram em cena as restrições financeiras. Pense nelas como um “corte de oxigênio” no sistema econômico.

Aqui, a coisa fica séria e afeta a capacidade de um país de lidar com dinheiro em nível global. Isso pode envolver uma série de ações, como a proibição de transações bancárias com certas instituições ou pessoas, tornando quase impossível enviar ou receber dinheiro de fora.

Mas o golpe mais pesado costuma ser a exclusão de bancos do sistema financeiro internacional, como o SWIFT. O SWIFT é tipo a espinha dorsal da comunicação bancária mundial, por onde passam as mensagens de todas as transações. Ser chutado do SWIFT é praticamente como um banco deixar de existir para o resto do mundo, não podendo mais fazer ou receber pagamentos internacionais.

8) Bloqueio de portos

Quando a coisa aperta de verdade, e a intenção é sufocar a economia de um país, uma das medidas mais drásticas é o bloqueio de portos. Ou seja, é como fechar as “portas e janelas” de um país para o comércio que acontece pelo mar.

Essa é uma sanção super extrema e direta. Ela significa que o país que está aplicando a medida vai restringir ou até proibir o uso dos portos do país sancionado. Ou seja, navios não podem mais entrar para descarregar mercadorias (importação) nem sair para levar produtos para fora (exportação). É como se as rotas marítimas fossem cortadas.

Conheça sobre: SWIFT: o que é e como funciona esse sistema de transferência?

Exemplos de sanções econômicas

As sanções econômicas são aplicadas em diversos contextos ao redor do mundo. Essas sanções incluem restrições ao comércio de petróleo, bloqueio de ativos financeiros e proibição de exportação de tecnologia. Dessa maneira, há a intenção de dificultar o avanço do programa nuclear iraniano e pressionar o governo a cumprir acordos internacionais.

Um dos casos mais falados é o do Irã, que vive sob um embargo dos Estados Unidos. É como se dissessem: “Com vocês, o negócio é diferente”. As sanções batem direto no bolso, mirando o comércio de petróleo, que é o maior gerador de dinheiro deles. Além disso, dinheiro em contas no exterior é bloqueado e a exportação de tecnologia para lá fica proibida. Tudo isso é para frear o programa nuclear iraniano e tentar fazer com que eles se alinhem aos acordos internacionais.

A Coreia do Norte é um caso à parte. Eles enfrentam um tipo de isolamento que a gente dificilmente vê, imposto por um monte de países e pela ONU. A ideia é clara: impedir que desenvolvam mais armas nucleares e mísseis.

As sanções são tão amplas que proíbem a venda de quase tudo que o país exporta, como carvão, ferro e até produtos de luxo. E o dinheiro? Transferências bancárias são bloqueadas e o acesso ao sistema financeiro global é cortado, deixando o país quase sem conseguir fazer negócios com o resto do mundo.

A Rússia sentiu o peso das sanções de um jeito bem forte, especialmente depois da invasão da Ucrânia em 2022. Os países ocidentais disseram: “Basta!”. Eles restringiram os bancos russos, dificultando a vida de quem precisa fazer transações internacionais.

Oligarcas (pessoas ricas e poderosas ligadas ao governo) viram seu dinheiro no exterior ser congelado, e a Rússia não consegue mais importar tecnologias cruciais para sua indústria de guerra e energia. É uma forma de descapitalizar o país e dificultar que continuem com suas ações.

No caso da Venezuela, países como os Estados Unidos e da União Europeia impuseram sanções que miram mais especificamente. Elas batem direto em autoridades do governo e em setores-chave da economia, como o petróleo. A intenção aqui é pressionar por eleições mais justas e respeito aos direitos humanos, tentando forçar uma mudança no rumo político do país.

Diferenças entre sanções econômicas unilaterais e sanções econômicas multilaterais

Quando se fala em sanções econômicas, é importante saber que elas podem vir de diferentes “endereços”, o que muda bastante o peso e a eficácia. Basicamente, existem dois tipos principais: as que um país impõe sozinho e as que vários países ou organizações impõem juntos.

Sanções econômicas unilaterais

As sanções unilaterais são aquelas impostas por apenas um país contra outro. Pense nisso como uma decisão individual, onde um governo decide “fechar a cara” para outro. Essas sanções podem incluir várias coisas, como restrições comerciais, congelamento de bens e proibição de transações financeiras. Geralmente, são aplicadas por grandes potências, como os Estados Unidos, que têm poder econômico suficiente para causar um impacto significativo no país alvo.

O porém é que, por serem impostas por um único governo, elas podem ter um efeito limitado se outros países continuarem a negociar normalmente com o alvo da sanção.

Um bom exemplo disso é o que os EUA fizeram com a Venezuela. Eles impuseram sanções que restringem o comércio e o acesso do país ao sistema financeiro americano. Contudo, a Venezuela ainda consegue manter relações comerciais com nações como China e Rússia, o que acaba diluindo um pouco o impacto das restrições impostas pelos Estados Unidos. É como tentar isolar alguém na escola, mas a pessoa ainda tem outros amigos.

Sanções econômicas multilaterais

Já as sanções multilaterais são bem diferentes. Elas são estabelecidas por vários países ou por organizações internacionais, como as Nações Unidas (ONU) ou a União Europeia (UE). Aqui, o coro é maior, e a mensagem é mais forte.

Por envolverem diversos governos e entidades, essas sanções têm um impacto muito maior sobre o país alvo. É muito mais difícil para o país conseguir contornar as restrições quando a maioria das portas comerciais e financeiras do mundo está fechada para ele. A união faz a força, e o cerco se aperta de verdade.

As sanções contra o Irã são um ótimo exemplo de como isso funciona. Lideradas pelas Nações Unidas e apoiadas por vários países, essas sanções conseguiram limitar significativamente a economia iraniana. Um dos golpes mais duros foi impedir que o país exportasse petróleo para diversas nações, o que atingiu diretamente a principal fonte de receita do Irã. É muito mais difícil achar saídas quando a maioria do mundo concorda em te isolar.

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Quais são os impactos das sanções econômicas?

As sanções econômicas são, em essência, uma forma de pressão que um ou vários países usam contra outro. A ideia é fazer com que o país-alvo mude alguma atitude sem precisar de uma guerra. É como apertar o calo para ver se a pessoa desiste de algo.

Essas sanções vêm em vários “sabores”: Tarifas, Cotas, Embargos, Barreiras não-tarifárias, Congelamento de ativos, Restrições financeiras, Bloqueio de portos.

Você já deve ter ouvido falar de casos assim. Por exemplo, os Estados Unidos usaram sanções contra o Irã por causa do programa nuclear deles, e também contra a Venezuela por questões políticas. A ONU e vários países se uniram para sancionar a Coreia do Norte, querendo frear o desenvolvimento de armas nucleares. E a Rússia, bem, ela sentiu o peso das sanções depois que invadiu a Ucrânia.

O impacto disso tudo é grande. Pode causar um baita estrago na economia do país que sofre a sanção, levando a recessão, mais gente desempregada e até falta de produtos básicos. O lado mais triste é que, muitas vezes, quem mais sente na pele as consequências de tudo isso é a população comum, e não os líderes ou os grupos que as sanções queriam de fato atingir. É uma ferramenta poderosa, mas que pode ter um custo humano bem alto.

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Desafios das sanções econômicas

As sanções econômicas são uma ferramenta para pressionar países a mudarem de atitude, sem a necessidade de um confronto militar. Mas olha, não é um caminho fácil.

Elas enfrentam um monte de desafios na prática: é difícil monitorar se as regras estão sendo seguidas, e os países-alvo são mestres em contornar as restrições (com contrabando, usando outras moedas ou buscando novos aliados).

O lado mais cruel é o impacto humano: quem mais sofre é a população comum, que pode enfrentar escassez de produtos básicos e dificuldade financeira. E, ironicamente, isso às vezes até fortalece os regimes autoritários, que usam a crise como desculpa para apertar ainda mais o controle.

No fim, sanções prolongadas podem ter consequências inesperadas no cenário global, incentivando os países sancionados a se unirem ou a criarem suas próprias alternativas econômicas. Por isso, aplicar sanções exige muita cautela, diplomacia e um plano para proteger as pessoas.

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Fontes: Blog do Eliomar, Nexo Jornal, Mercado Livre, BBC, Politize.

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