Terra (LUNA): o que são criptomoedas algorítimas e quais são os riscos

23 de maio de 2022 - por Jaíne Jehniffer


Recentemente, duas criptomoedas chegaram ao fim: a UST e a LUNA. Isso serviu para chamar a atenção dos investidores para o conceito de stablecoin algorítmica.

Entenda as criptomoedas algorítmicas

Primeiramente, as stablecoins são criptomoedas cujo valor acompanha um certo ativo como, por exemplo, o dólar. De maneira geral, as criptos têm lastro no ativo que elas acompanham.

Por exemplo, para cada stablecoin emitida, um dólar deve ser adicionado nas reservas da emissora. No entanto, o fato de ter uma entidade centralizadora é um ponto de debate.

Isso porque muitos acreditam que isso vai contra os princípios de descentralização que a tecnologia blockchain propõe. Desse modo, surgiu o conceito de stablecoin algorítmica.

O intuito é manter a moeda o mais próximo possível da sua indexação. Alguns exemplos de moedas que funcionam assim são:

  • Bean;
  • AMPL;
  • Flax;
  • FEI.

Na prática, o sistema controla a paridade por meio da própria emissão e queima de tokens. É esse sistema de emissão e queima que faz com que as stablecoins algorítmicas sejam independentes de entidades centralizadas.

Terra LUNA

Em síntese, a LUNA é um ativo que faz parte do ecossistema da Terra, uma plataforma de contratos inteligentes. Sendo que ela mantinha a stablecoin UST, que tinha paridade com o dólar baseada em uma estrutura algorítmica.

Ou seja, no ecossistema Terra, a manutenção da paridade da UST ocorria com o apoio da LUNA. Sendo que a LUNA é uma cripto volátil. Em resumo, para a emissão de um UST, um dólar em LUNA sai de circulação.

Na teoria, a demanda por UST iria impulsionar o valor da LUNA e vice-versa. Desse modo, os investidores eram incentivados a contribuir com a manutenção da paridade da UST em um processo de arbitragem.

Basicamente, se o preço da UST caísse para abaixo de US$ 1, os investidores podiam comprá-la e trocar por US$ 1 em LUNA. Com isso, os investidores podiam ficar com a diferença entre o preço de compra e de troca.

No fim das contas, esse sistema de troca de LUNA e UST se tornou um sistema de manutenção da paridade e atraiu mais investidores.

Isso fez com que o valor de mercado da LUNA chegasse a R$ 186 bilhões e a UST se tornou a 3º maior stablecoin do mercado.

O problema é que além dos sistemas de emissão e queima, a UST também dependia do otimismo dos investidores.

A queda

Como você já deve ter percebido, existia uma certa dependência entre o protocolo Terra e a LUNA. Acontece que as pessoas passaram a desacreditar no protocolo Terra e isso fez com que os dois caíssem.

No fim das contas, a criptomoeda Terra (LUNA) perdeu 98,8% do seu valor em apenas 24 horas, segundo a plataforma CoinGecko. Mas a queda não parou por aí e em 72 horas, ela perdeu 99% do seu valor.

Para você ter uma ideia, a LUNA já chegou na cotação de US$ 119. Mas hoje vale cerca de US$ 0,0001, segundo dados da CoinMarketCap.

Para Charles Cascarilla, executivo-chefe e cofundador da Paxos, as stablecoins algorítmicas são “apenas uma maneira elegante de dizer: ‘Vamos dizer que isso vale um dólar porque é apoiado por outro ativo que também criamos do nada’”.

De fato, vários especialistas alertaram sobre o risco de aplicar em stablecoin algorítmica. Sam Bankman-Fried, o CEO da corretora FTX explica que:

“Realmente não devemos usar a mesma palavra para todas estas coisas. Aquilo a que chamamos ‘stablecoins algorítmicas’ não são realmente estáveis da mesma forma que as stablecoins lastreadas são”.

E aí, gostou de ficar por dentro do que está rolando no mundo das criptomoedas? Então não deixe de conferir quais são as principais criptomoedas do mercado.

Fontes: Exame e E-investidor.

Bibliografia:

Silva, Mariana Maria. LUNA: o que são criptomoedas algorítmicas e porque elas podem ter riscos. Acesso em 20 de maio de 2022.

Oceano Azul vs. Oceano Vermelho

Buy and hold vs. constant mix

Search Fund vs. Private Equity

Diferença entre investidor anjo e seed capital