Dólar: o que é, história da moeda e importância mundial


O dólar é uma importante moeda criada pelos Estados Unidos da América. Apesar de ser uma moeda norte-americana, é também uma moeda com importância internacional.

Contudo, quando foi criado, o dólar não era uma moeda digna de crédito pelos outros países. Isso porque, eles não confiavam no Estados Unidos. De fato, quando o dólar surgiu, ele era emitido por vários bancos, ou seja, não existia um controle governamental da emissão da moeda.

Enfim, atualmente, o dólar é usado como reserva internacional por diversos países. Também é considerada a moeda internacional de maior importância. Essa consolidação só foi possível depois da Segunda Guerra Mundial, em que os Estados Unidos surgiu como uma potência mundial.

O que é dólar

O dólar foi criado pelo governo norte-americano e, por isso, é conhecido principalmente como a moeda oficial dos Estados Unidos, no entanto, o dólar é também a moeda do Panamá, El Salvador e Equador.

Além desses, a moeda é usada em outros países como fundo de reserva, isto é, parte dos lucros das empresas que não são gastos com despesas ou dividendos e que são depositados como uma espécie de dinheiro reserva.

Dólar, história de como a moeda norte americana se tornou mundial

DCI

O símbolo usado para o dólar no geral é o $, assim como as demais moedas. Contudo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prefere utilizar o símbolo US$. Outra possibilidade é o símbolo USD usado, principalmente, na bolsa de valores.  

A história do dólar

Para entendermos como o dólar surgiu, precisamos voltar em 1776, durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos (1975-1783). Foi nessa época, devido à necessidade de financiar a guerra e fomentar a nação, que o dólar foi criado.

Porém, somente em 1786 as 13 colônias independentes, através do Congresso Continental, adotaram o dólar como moeda nacional. Já o nome dólar veio da palavra thaler, que era uma moeda feita em Joachimsthaler e circulava na Europa.

No entanto, os Estados Unidos não contavam com nenhuma lei em sua Constituição que visasse o controle da exclusividade da emissão da moeda o que levou à um cenário caótico, já que qualquer pessoa podia abrir um banco e emitir dinheiro.

Exame

Ou seja, a falta de controle Estatal fez com que vários bancos surgissem e as mais diversas formas de pagamento foram adotadas. Além disso, várias moedas coloniais se misturavam ao dólar.

Inclusive, a falta de um banco nacional fazia com que o governo federal tivesse que realizar suas transações por meio dos estabelecimentos privados ou em espécie. Em resumo, as formas de pagamento estavam uma bagunça e os demais países viam essa situação com maus olhos.

Controle de emissão

Para exercer o controle da emissão do dinheiro, em 1792, foi aprovada a Lei Mint. Mas mesmo com a lei, muitas outras moedas coloniais ainda circulavam. Em 1840 foi criado o sistema de tesouro independente pelo presidente Martin Van Buren.

Desse modo, as operações financeiras do governo eram realizadas por meio das suas agências em todo o território nacional. O problema é que como não se tratava de um banco, ele não podia emitir dinheiro.

Logo, as despesas e lucros governamentais tinham que ser efetuados em ouro ou prata e o Estado não podia fazer desembolsos que fossem além dos impostos arrecadados, a menos que se voltasse para as obrigações subscritas em ouro.

Em 1861, durante a Guerra de Secessão, o governo passou a emitir notas, chamadas de demand notes, que tinham a possibilidade de serem trocadas por ouro. Entretanto, devido à escassez do ouro, a troca teve que ser suspensa. Dessa forma, a guerra foi financiada pela emissão de notas do Tesouro (US Notes) que não tinha lastro e eram baseadas apenas na confiança no governo.

Dólar, história de como a moeda norte americana se tornou mundial

Suno

Essas notas ficaram conhecidas como greenbacks, que traduzindo seria notas verdes, ou verdinhas. Ou seja, esse nome popular há tantos anos, ainda é usado hoje em dia ao se referir ao dólar. Inicialmente as greenbacks tinham o limite de 433 milhões de notas emitidas.

Mais bancos

Com o crescimento da dificuldade de conseguir empréstimos e o crescimento de gastos, a solução encontrada em 1864 por Salman P. Chase, secretário do Tesouro, foi o National Banking Act, um sistema de livre circulação de bancos.

Sendo assim, uma lei autorizava qualquer grupo constituído de cinco pessoas a criarem uma associação bancária nacional e fazerem a emissão de notas correspondentes a suas obrigações do governo federal depositadas no Controlador da Moeda.

Como uma maneira de impedir a concorrência entre essas notas e os bancos estaduais, os bancos estaduais tinham que pagar uma taxa de 10%, o que resultou na saída de circulação das notas desses bancos.

Em contrapartida, os bancos estaduais passaram a oferecer serviços de pagamentos por cheques contra as contas em depósito, o que se tornou um bom substituto das emissões de bancos privados. Quando a Guerra de Secessão chegou ao fim, a enorme diversidade de opções de pagamento tinha sido reduzida para greenbacks e as notas dos bancos privados, conhecidos como National Banks.

Dinheiro Estados Unidos

G1

Instabilidade da moeda norte-americana

Como o EUA era um país agrário, as movimentações da moeda dependiam bastante do ciclo da colheita. Sendo assim, quando os agricultores vendiam suas commodities e afins, os depósitos ficavam acumulados nos bancos das regiões agrícolas e causavam escassez de fundos nos bancos das regiões mais industriais.

Como não existia um banco central, não tinha uma forma de canalizar os recursos excedentes nem de emprestar reservas. Esse cenário resultou em instabilidade e crises. Algumas pessoas acreditam que essa instabilidade era resultado da falta de numerário que beneficiava os interessados em que a prata se tornasse a base do sistema monetário do país.

Dessa forma surgiu o movimento da prata livre de William Jennings Bryan, que tinha como intuito a liberdade de cunhar a prata como dinheiro legal. Por meio da lei Bland-Allison em 1878, foi autorizado o bônus de prata do Tesouro, que foi convertida em dinheiro legal em 1886.

Posteriormente, o governo se viu praticamente obrigado a adquirir toda a produção das minas de prata dos EUA e esse cenário se repetiu com os bônus de ouro. Porém, nenhuma dessas medidas funcionou como uma maneira de flexibilizar a circulação monetária.

Na verdade, esse sistema serviu para piorar as dificuldades nacionais. A alternativa para compensar os câmbios da demanda interna eram as operações no mercado mundial. Porém, essas operações causavam uma instabilidade no funcionamento do sistema monetário internacional.

Dinheiro dos Estados Unidos

G1

Em 1893 instalou-se o medo de que os EUA não cumprissem sua dívida pública em ouro e fizesse o pagamento em prata, já que o preço desse metal estava caindo internacionalmente. O resultado foi a fuga do ouro e a falência de vários bancos.

Ordem

Através da Federal Reserve Act adotada em 1913, o EUA foi dividido em 12 distritos e cada um deles passou a ter um banco federal de reserva. Esses bancos foram autorizados a emitir as notas de Reserva Federal, que era dinheiro legal usado nas dívidas e obrigações dos bancos e do governo dos Estados Unidos.

Sendo que, a emissão contava com um lastro de ouro de pelo menos 40%. Por meio desses bancos o problema da falta de flexibilidade de pagamento que pudesse aumentar ou reduzir a oferta de moedas foi resolvido. Anos depois, em 1929, o Federal Reserve foi posto à prova durante a Crise de 29. Porém, ele não foi capaz de impedir nem a fraude bancária, nem a falência de bancos durante a crise.

O dólar se torna moeda internacional

Durante a crise de 29, como uma forma de controlar o cenário econômico, houve a desvalorização do dólar e a nacionalização do ouro. As medidas ajudaram a economia a se estabilizar e os EUA passaram a bater de frente com a Inglaterra pela posição de moeda internacional.

Então, com a Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido, que antes era credor internacional, passou para a posição de devedora internacional. Como os EUA não se envolveram tanto com a guerra, quando o conflito chegou ao fim ele despontou como um financiador da reconstrução de diversos países. Logo, o dólar se tornou uma moeda internacional. 

Antes do dólar, a moeda aceita no mundo era a libra esterlina, da Inglaterra e os Estados Unidos não eram vistos como uma nação de confiança. De fato, a os EUA eram vistos como devedores com pouca credibilidade internacional.

Tipo Manaus

Isso porque, diferente de outros países europeus, não existia na Constituição dos EUA nenhuma lei especificando que o controle exclusivo da moeda pertencia ao Estado. No entanto, depois da Segunda Guerra Mundial, o dólar passou a ser reconhecido internacionalmente. 

Durante muito tempo, as variações das cotações do dólar estavam atreladas ao ouro. Dessa maneira, até o início da década de 1970, o valor da grama de ouro era determinado como um valor fixo em dólares. Entretanto, o dólar acabou por se desvalorizar conforme a tecnologia se desenvolvia. Por fim, ele acabou por ser baseado no ouro e veio o câmbio flutuante.

Uma curiosidade é que existiam notas de dólar acima de US$ 100. As notas eram de US$ 500, US$ 1.000, US$ 5.000, US$ 10.000 e até mesmo de US$ 100.00. Elas eram usadas, principalmente, entre bancos e por criminosos. Contudo, essas notas pararam de ser produzidas em 1946 e, em 1969, foram retiradas de circulação. 

Importância mundial

Atualmente, o dólar ocupa o lugar de moeda internacional. O que faz dele uma das moedas mais importantes do mundo.

Mesmo que inicialmente, ele não possuísse importância internacional e fosse visto com desconfiança por outros países, com a Segunda Guerra Mundial e o estabelecimento dos EUA como uma potência mundial, o dólar passou a ser reconhecido.

Portanto, hoje ele é usado em reservas internacionais de bancos centrais ao redor do mundo, inclusive pelo Banco Central do Brasil. Por fim, ele é usado, também, como moeda padrão em mercados internacionais de commodities e como padrão de preços de empresas globalizadas. 

Na bolsa de valores, por exemplo, é possível sentir a influência do dólar. Veja o vídeo de Raul Sena, o Investidor Sardinha, e conheça algumas ações impactadas positivamente pela alta do dólar:

E aí, gostou de conhecer a história do dólar? Então, leia também sobre um importante marco brasileiro, também relacionado à economia, o Plano real, o que foi? Definição, história da moeda e características

Fontes: Brasil escola, Info escola, Ouro e D., expensive, Historia de tudo e Mundo vestibular

Imagens: G1, DCI, Exame, IG, Suno, G1 e Tipo Manaus

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