Valor justo: o que é, como calcular, vantagens e desafios

Descubra o que é valor justo, como ele funciona na avaliação de ativos e passivos e por que é diferente do valor de mercado.

30 de julho de 2025 - por Millena Santos


Já se perguntou quanto realmente vale um bem ou investimento? O conceito de valor justo ajuda a entender o preço mais real de um ativo ou passivo, levando em conta as condições reais de mercado, e não só os números da empresa.

Neste texto, a gente te explica mais sobre isso. Vamos lá?

O que é o valor justo?

Valor justo é uma forma de avaliar um ativo ou passivo com base em quanto ele realmente valeria no mercado, e não apenas no que a empresa diz que ele vale.

Em vez de se apoiar nos registros internos ou em números contábeis, essa avaliação tenta refletir o preço que compradores e vendedores estariam dispostos a negociar naquele momento, em condições consideradas normais.

De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 46 – Mensuração do Valor Justo, esse conceito é definido como:

“o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data da mensuração.”

Ou seja, o valor justo considera um cenário realista de mercado, sem pressões ou negociações forçadas, entre partes que conhecem bem o que está sendo negociado.

Esse tipo de avaliação é muito usado em situações como fusões, aquisições, reestruturações societárias ou na hora de atualizar os valores de ativos financeiros e investimentos.

Quais são as principais aplicações do valor justo?

O valor justo é aplicado em diversas situações. Veja a seguir:

1- Títulos e valores mobiliários

A avaliação de ações, debêntures, fundos de investimento e outros papéis financeiros costuma ser feita com base no valor justo.

Isso garante que os demonstrativos contábeis mostrem o valor real que eles teriam se fossem negociados no mercado naquele momento.

2- Derivativos

Instrumentos como contratos futuros, swaps e opções variam constantemente de preço. Por esse motivo, usar o valor justo aqui é fundamental para refletir essas variações em tempo real.

3- Combinações de negócios

Em fusões e aquisições, o valor justo é usado para mensurar os ativos e passivos da empresa adquirida. Isso ajuda a entender melhor o que está sendo comprado e quanto vale, de fato, cada item do balanço.

4- Reavaliação de ativos

Alguns ativos, como imóveis ou equipamentos, podem ser reavaliados para mostrar seu valor mais atualizado. Nesse caso, essa forma de calcular oferece uma base mais confiável do que o custo histórico, que pode estar defasado.

5- Teste de Impairment

Esse teste serve para verificar se algum ativo perdeu valor de forma significativa. Quando há indícios de desvalorização, o valor justo ajuda a estimar quanto o ativo realmente vale e se ele precisa ser ajustado no balanço.

6- Reconhecimento de receitas

Em certos contratos complexos, especialmente os de longo prazo, o valor justo pode ser usado para mensurar componentes de receita, como valores variáveis ou contraprestações em ativos não monetários.

7- Propriedades para investimento

Imóveis mantidos com o objetivo de gerar renda, como aluguel, ou valorização também podem ser avaliados por essa estratégia. Isso permite um retrato mais fiel do retorno potencial desses bens.

8- Ativos biológicos

Por fim, no setor do agronegócio, o valor justo é bastante aplicado em ativos como rebanhos e plantações. Como esses bens se transformam com o tempo, o valor justo ajuda a acompanhar de perto sua evolução e valor de mercado.

Exemplo de valor justo

Vamos imaginar que uma empresa tem em sua carteira de investimentos 1.000 ações de uma companhia listada na bolsa de valores.

Quando ela comprou esses papéis, cada ação custava R$ 20, ou seja, o investimento inicial foi de R$ 20 mil. Esse valor ficou registrado na contabilidade da empresa.

Algum tempo depois, essas ações se valorizaram e agora estão sendo negociadas a R$ 30 no mercado. Isso significa que, se a empresa resolvesse vender esses papéis hoje, ela poderia receber R$ 30 mil no total. Certo?

Então, nesse caso em específico, aplicar o valor justo significa atualizar o valor desse investimento nos demonstrativos contábeis, refletindo os R$ 30 mil e não mais os R$ 20 mil do momento da compra.

Diante disso, essa atualização permite que o balanço da empresa fique mais fiel à realidade do mercado. Além disso, ajuda os usuários das demonstrações contábeis a tomarem decisões com base em informações mais precisas e atualizadas.

Como funciona a mensuração do valor justo?

1- Identificar o ativo ou passivo

O primeiro passo é entender exatamente o que será avaliado. Pode ser um imóvel, uma ação, um contrato, uma dívida, entre outros.

2- Definir o mercado de referência

Depois de saber o que será avaliado, é hora de entender em qual mercado esse item seria negociado em condições normais.

Aqui, o objetivo é identificar o mercado mais relevante, ou seja, aquele onde a transação teria maior probabilidade de ocorrer e que ofereça dados confiáveis como preço, volume e liquidez.

3- Escolher a técnica de avaliação mais adequada

A última etapa envolve aplicar uma metodologia que leve em conta dados observáveis e objetivos. O CPC 46 reconhece três abordagens principais:

  • Abordagem de mercado: considera preços de transações semelhantes no mercado.
  • Abordagem de custo: avalia quanto custaria substituir o ativo hoje, descontando depreciação ou obsolescência.
  • Abordagem da receita: projeta os fluxos de caixa futuros que o ativo pode gerar e os traz para valor presente.

Níveis hierárquicos para mensurar o Valor Justo?

O CPC 46 estabelece uma hierarquia para definir o quão confiáveis e objetivos são os dados usados na mensuração do valor justo. Confira abaixo:

1- Classificação de Nível 1

Nesse nível, são utilizados preços cotados em mercados ativos, sem qualquer tipo de ajuste. Ou seja, é quando se tem acesso direto ao valor de um ativo ou passivo idêntico, negociado em bolsas de valores ou plataformas públicas.

Portanto, é o tipo de informação mais confiável e transparente, já que reflete preços praticados em tempo real e acessíveis a qualquer participante do mercado.

2- Classificação de Nível 2

Aqui, os dados ainda vêm do mercado, mas não são exatamente os preços de ativos ou passivos idênticos. Em vez disso, utilizam-se valores derivados ou ajustados com base em ativos semelhantes.

3- Classificação de Nível 3

Por último, esse é o nível mais subjetivo. Ele é usado quando não há informações de mercado disponíveis e, por isso, a mensuração depende de modelos internos, algumas premissas e julgamentos técnicos.

Os dados são baseados em projeções futuras, fluxos de caixa esperados ou outras análises construídas com base no conhecimento da empresa e na melhor estimativa possível.

Como calcular o valor justo de uma Empresa?

1- Fluxo de Caixa Descontado (FCD)

Esse é um dos métodos mais conhecidos e usados por oferecer uma visão mais próxima da realidade financeira da empresa.

Ele parte da ideia de que o valor de uma empresa está diretamente ligado à sua capacidade de gerar caixa no futuro.

No entanto, é também um dos modelos mais complexos, especialmente se a empresa não mantém registros organizados do fluxo de caixa. Para aplicar corretamente, é preciso seguir alguns passos:

  • Calcular a taxa de desconto
  • Projetar o fluxo de caixa futuro
  • Calcular o valor presente desses fluxos
  • Analisar o fluxo de caixa histórico

2- Valuation por Valor Patrimonial

Essa abordagem é mais simples e costuma ser usada quando a empresa não apresenta bons resultados financeiros, mas tem um patrimônio considerável. O foco aqui está nos ativos e passivos registrados no balanço.

São considerados tanto os ativos tangíveis quanto os intangíveis. Os passivos também entram na conta.

A fórmula básica é:

Valor Patrimonial= Ativos Totais – Passivos Totais

3- Valuation por Múltiplos de Mercado

Aqui, a lógica é a comparação. Parte-se do princípio de que empresas semelhantes, atuando no mesmo setor ou com porte parecido, devem ter valores semelhantes.

Para isso, são analisados indicadores financeiros de empresas parecidas. Os múltiplos mais usados incluem:

  • Múltiplos de lucro
  • Múltiplos de receita
  • Múltiplos de EBITDA
  • Múltiplos de valor patrimonial

O que é e como usar a avaliação do valor justo?

Como a gente viu, a avaliação do valor justo é uma forma de estimar por quanto um ativo poderia ser negociado em condições normais de mercado, levando em conta o cenário econômico, o setor em que ele está inserido e as expectativas dos participantes envolvidos na transação.

Tudo isso é feito com base na data da avaliação, ou seja, é um retrato do valor naquele momento específico.

Essa avaliação considera princípios como a transparência, a neutralidade e o uso de dados observáveis sempre que possível. Também, leva em conta diferentes perspectivas, tanto de quem compra quanto de quem vende, buscando encontrar um equilíbrio que reflita a realidade do mercado.

Justamente por envolver diferentes visões e influências, o processo de mensuração do valor justo ajuda a reduzir distorções e tornar a precificação mais alinhada ao que realmente se pratica no mercado.

Na prática, essa avaliação pode ser feita com base em três abordagens principais:

  • Mercado
  • Receita
  • Custo

Qual a diferença entre valor justo e valor de mercado?

Apesar de parecerem a mesma coisa, valor justo e valor de mercado são diferentes.

O valor de mercado é o preço que um bem ou ativo pode alcançar em uma negociação livre entre compradores e vendedores, em um ambiente competitivo. Esse valor costuma ser influenciado por fatores como oferta e demanda, momento econômico, liquidez do ativo e até comportamento dos investidores.

Já o valor justo vai um pouco além: ele considera o valor que seria recebido ou pago por um ativo ou passivo em uma transação ordenada, ou seja, sem pressa ou pressão, entre partes bem informadas e com interesse legítimo em negociar. Ele pode ser baseado no valor de mercado, mas nem sempre é idêntico.

Para ficar claro, pense o seguinte: um imóvel avaliado em R$ 1 milhão com base em ofertas semelhantes da região, que é o valor de mercado.

No entanto, se esse imóvel estiver envolvido em um processo contábil ou em uma fusão, e houver necessidade de considerar custos de venda, reformas ou questões contratuais, o valor justo pode ser diferente, como, por exemplo, R$ 950 mil.

O motivo desse ajuste é para refletir melhor a realidade da negociação naquele contexto específico.

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Fonte: Grupo Investidor, Afix Code, Suno, Mais Retorno, Analize.

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