29 de julho de 2025 - por Millena Santos
Embora pareçam iguais, valor justo e valor de mercado não são, exatamente, a mesma coisa. O valor justo é uma estimativa técnica baseada em condições atuais, enquanto o valor de mercado mostra quanto o ativo realmente vale hoje.
Neste texto, a gente te explica o que é valor justo, valor de mercado, apresenta exemplos e muito mais. Vem com a gente!
O que é valor justo?
O valor justo, também conhecido como fair value, é uma estimativa que mostra por quanto um ativo ou passivo poderia ser negociado hoje, levando em conta as condições reais do mercado, a exemplo da oferta, da demanda, do cenário econômico entre outros.
Essa medida é usada principalmente para dar mais transparência às demonstrações financeiras, ajudando a mostrar uma visão mais fiel da situação patrimonial de uma empresa.
Logo, em vez de considerar apenas quanto foi pago no passado por um bem ou direito, o valor justo busca demonstrar quanto ele realmente vale agora, com base no que o mercado estaria disposto a pagar ou receber.
Exemplo de valor justo
Imagine uma empresa que comprou um terreno por R$ 500 mil há dez anos. Esse valor ficou registrado no balanço como o custo de aquisição. Certo?
No entanto, com a valorização da região, esse mesmo terreno hoje poderia ser vendido por R$ 1,2 milhão.
Se a empresa quiser refletir esse novo valor em suas demonstrações financeiras, ela pode usar o conceito de valor justo. Ou seja, em vez de manter o terreno registrado pelo valor antigo, a empresa atualiza para o valor estimado que o mercado pagaria atualmente.
Bem tranquilo de entender, né?
O que é valor de mercado?
O valor de mercado representa quanto uma empresa ou ativo poderia ser vendido hoje, considerando as condições atuais do mercado.
Dessa forma, ele é definido pela relação entre oferta e demanda, ou seja, reflete quanto os investidores ou compradores estão dispostos a pagar naquele momento.
Esse valor pode variar bastante ao longo do tempo, já que depende de uma série de fatores. Entre eles, estão o desempenho financeiro da empresa, sua posição no setor em que atua, o grau de competitividade do mercado, a reputação da marca, as perspectivas de crescimento futuro e o interesse dos investidores.
Além disso, vale lembrar que o valor de mercado também sofre influência do cenário econômico. Mudanças na taxa de juros, inflação, crises políticas ou econômicas, por exemplo, podem afetar diretamente a percepção do mercado e, consequentemente, o valor atribuído à empresa ou ao ativo.
Exemplo de valor de mercado
Pense na seguinte situação: idealize uma empresa bem conhecida, como uma grande rede de supermercados. Suas ações estão sendo negociadas na bolsa, e cada uma vale, digamos, R$ 20.
Se essa empresa tem 1 bilhão de ações no mercado, seu valor de mercado é de R$ 20 bilhões. Esse número, portanto, mostra quanto os investidores estariam dispostos a pagar pela empresa inteira naquele momento, com base no preço das ações.
Se o mercado estiver otimista com os lucros da empresa ou com sua expansão, esse valor tende a subir. No entanto, se houver alguma crise ou notícia negativa, ele pode cair rapidamente.
Quais as diferenças entre valor justo e valor de mercado?
Apesar de parecerem sinônimos, valor justo e valor de mercado não são exatamente a mesma coisa na prática.
O valor justo é uma estimativa, uma projeção baseada em análises e dados disponíveis. Ele tenta indicar por quanto um ativo poderia ser vendido em uma negociação, considerando o cenário econômico, o comportamento do setor, o interesse de compradores e vendedores, entre outros fatores.
Ou seja, o valor justo é uma avaliação mais técnica, que busca refletir um preço considerado razoável diante das condições atuais, mesmo que o ativo ainda não tenha sido vendido.
Por outro lado, o valor de mercado é o preço real pelo qual aquele ativo está sendo negociado ou foi negociado recentemente. É o que se vê acontecendo, na prática, em uma transação. Portanto, aqui, não se trabalha a projeção, trabalha-se a realidade.
Para ficar melhor de entender, imagine um apartamento em uma área valorizada da cidade. Um avaliador pode concluir que o valor justo desse imóvel é de R$ 500 mil, com base em características como localização, metragem, estado de conservação e comparações com imóveis semelhantes.
No entanto, se no mercado atual os imóveis dessa região estão sendo vendidos por cerca de R$ 470 mil, e esse for o preço que compradores estão realmente pagando, esse é o valor de mercado naquele momento.
A diferença, nesse caso, pode acontecer por diversos motivos, como a urgência de venda, as condições econômicas ou até mesmo a oferta estar maior que a procura.
Quando usar o valor justo e quando usar o valor de mercado?
A escolha entre usar o valor justo ou o valor de mercado vai depender de alguns fatores. Um dos primeiros pontos a considerar é a natureza do item avaliado, ou seja, se é um ativo, como um imóvel, ou um passivo,como uma dívida .
Alguns ativos possuem um mercado ativo e transparente, o que facilita o uso do valor de mercado. Já outros, como bens únicos ou contratos específicos, podem não ter uma referência clara de preço. Por isso, nesses casos, o valor justo costuma ser a melhor opção.
Outro fator essencial é a disponibilidade e a qualidade das informações. Quando há cotações públicas, como em ações negociadas em bolsa, o valor de mercado é mais facilmente identificável.
Mas, se os dados de mercado forem escassos, o valor justo entra como uma opção mais segura, já que permite estimativas com base em premissas técnicas, fluxos de caixa futuros entre outros fatores.
Além disso, os objetivos da mensuração também pesam bastante na decisão de qual dos dois seria a melhor opção. Se a intenção é refletir o preço de venda provável em uma transação imediata, o valor de mercado pode atender melhor.
Em contrapartida, se a meta for representar de forma mais fiel o valor econômico de um item ao longo do tempo, o valor justo tende a oferecer uma visão mais completa e ajustada à realidade.
Sendo assim, fica claro que não existe uma regra única, uma vez que a decisão depende do tipo de ativo ou passivo, do acesso às informações disponíveis e do objetivo final da análise.
Vantagens e as desvantagens do valor justo e do valor de mercado
O valor justo e o valor de mercado têm pontos positivos e negativos. Uma das principais vantagens do valor justo é a tentativa de trazer mais objetividade para a avaliação de um ativo ou passivo.
Ele considera dados de mercado, sim, mas também leva em conta fatores técnicos, o que torna a avaliação mais alinhada com a realidade econômica daquele item.
No entanto, calcular o valor justo pode ser um processo mais complexo, exigindo modelos, estimativas e até uma certa margem de julgamento.
Já o valor de mercado, por outro lado, costuma ser mais simples, já que o objetivo é entender quanto o mercado está disposto a pagar naquele momento. Isso facilita o cálculo e torna a informação mais direta.
Porém, é importante lembrar que esse tipo de valor pode ser mais volátil e até mesmo subjetivo, já que depende das condições momentâneas de oferta e demanda que nem sempre refletem o valor real ou o potencial de um ativo.
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Fonte: CPCON, Valor Investe.