27 de agosto de 2025 - por Sidemar Castro
Acionista vs. stakeholder: Você já se perguntou se os acionistas e os stakeholders são a mesma coisa? Na verdade, não são!
Veja só: o acionista é aquele que realmente tem uma parte da empresa, seja porque comprou ações na bolsa ou porque é sócio. Ele é um dos donos. Já os stakeholders são todos que, de alguma maneira, têm relação com a empresa, podendo sofrer os efeitos das suas decisões ou, ainda, influenciar seus rumos.
Então, todo acionista é um stakeholder, mas o contrário não é verdade. Quer mergulhar nesse tema e descobrir por que entender essa diferença é tão crucial? Vem com a gente que neste artigo desvendamos tudo isso juntos.
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O que é um acionista?
Um acionista é alguém que possui uma parte de uma empresa, literalmente. Ao comprar ações, essa pessoa se torna dona de uma fatia do negócio.
Pode ser um investidor individual, uma empresa ou até uma instituição financeira. E essa participação dá direito a algumas coisas: votar em decisões importantes, receber dividendos quando a empresa vai bem e acompanhar de perto os rumos do negócio.
Mas ser acionista não significa estar envolvido no dia a dia da empresa. Na maioria das vezes, o papel é mais estratégico: acompanhar os resultados, decidir sobre mudanças estruturais e, claro, torcer para que o valor das ações suba.
Afinal, quanto melhor a empresa performa, maior o retorno sobre o investimento. E o melhor? O risco é limitado ao valor investido, se algo der errado, o acionista não responde pelas dívidas da empresa.
Função do acionista
A função principal de um acionista é, de forma simples, ser parte da propriedade da empresa. Isso significa que ele tem interesse direto nos lucros e no desempenho econômico, podendo exercer seu poder de voto em assembleias para influenciar decisões corporativas, como a escolha dos diretores ou revisões de estratégia
Mesmo assumindo a condição de proprietário, o acionista não responde pelas dívidas empresariais, o que o protege em regimes societários comuns. Dessa forma, ele busca principalmente maximização de valor financeiro, sem assumir riscos além de sua participação acionária.
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O que é um stakeholder?
Stakeholder é uma daquelas palavras que parecem complicadas, mas fazem todo sentido quando a gente entende. Basicamente, um stakeholder é qualquer pessoa ou grupo que tem algum tipo de interesse em uma empresa, e esse interesse pode ser direto ou indireto.
Pode ser o funcionário que depende do salário, o cliente que confia no produto, o fornecedor que precisa da empresa para manter seu negócio, ou até a comunidade ao redor, que é impactada pelas decisões da organização.
Ao contrário dos acionistas, que têm participação financeira na empresa, os stakeholders nem sempre têm vínculo de propriedade. Mas isso não significa que sejam menos importantes.
Função do stakeholder
Ser stakeholder significa ter algum tipo de ligação com a empresa, não necessariamente possuir ações, mas ter seu trabalho, bem-estar ou contexto impactado por ela. Isso inclui funcionários, clientes que dependem de seus serviços, fornecedores, bancos, a comunidade, entre outros.
A função dos stakeholders, assim, é tanto absorver quanto exercer influência: suas expectativas e reações moldam o comportamento da empresa. Por exemplo, colaboradores motivados trabalham melhor, fornecedores confiáveis garantem as operações e comunidades satisfeitas ajudam a manter a reputação.
Em suma, stakeholders contribuem para a vitalidade e a sustentabilidade do negócio, e empresas que os valorizam costumam crescer com mais equilíbrio e responsabilidade.
Leia mais: Stakeholder: o que é, quais são os tipos e qual é a importância?
Qual a diferença entre acionista e stakeholder?
Observe uma empresa como um grande ecossistema. Dentro dele, existem dois tipos de protagonistas: os acionistas e os stakeholders. E entender a diferença entre eles é essencial para compreender como as empresas funcionam hoje.
Os acionistas são os proprietários. Eles compram ações e, com isso, ganham não apenas uma fração dos lucros, mas também voz em decisões estratégicas. Sua maior ambição é o crescimento da organização.
Já na cota dos stakeholders estão todos, desde os colaboradores que dependem do emprego, os clientes que confiam na marca, os fornecedores que fazem negócios com ela, até a sociedade que usufrui (ou sofre) seu impacto social e ambiental.
Portanto, eis a diferença: o acionista está investindo dinheiro; o stakeholder está investindo confiança, tempo, trabalho ou recursos. Empresas que reconhecem e valorizam ambos constroem não apenas resultados sólidos, mas também legados duradouros.
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Teoria dos acionistas vs. teoria das partes interessadas
Pense em uma empresa como um barco no oceano.
A teoria dos acionistas (criada por Milton Friedman) diria que o capitão deve navegar exclusivamente para beneficiar os donos do barco: afinal, eles financiaram a viagem e esperam retorno sobre seu investimento. Seu foco está em chegar ao destino rápido e com a carga valiosa, mesmo que isso exija rotas arriscadas ou decisões pragmáticas.
Já a teoria das partes interessadas (de R. Edward Freeman) enxerga o mesmo barco, mas com uma tripulação muito maior: inclui os marinheiros, os passageiros, os fornecedores de provisões e até as comunidades dos portos onde o navio atraca. Aqui, o capitão precisa equilibrar a velocidade com a segurança, o lucro com a sustentabilidade, e o destino final com o bem-estar de todos durante a travessia.
Enquanto a primeira teoria pergunta “Quanto lucraremos?”, a segunda pergunta “Como essa jornada afeta a todos?”. Ambas buscam o sucesso, mas com mapas diferentes.
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Os CEOs são stakeholders ou acionistas?
Todo CEO é, sem dúvida, um stakeholder.
Afinal, ele está no centro das decisões da empresa, vive os desafios do dia a dia e tem um interesse direto no sucesso do negócio, seja pela imagem que constrói, pelo salário que recebe ou pelas consequências das escolhas que faz. Como líder, o CEO não só define os rumos da empresa como também sente na pele os impactos de cada resultado.
Agora, se esse CEO também tiver ações da empresa, ele passa a ser acionista. E isso acontece com frequência, principalmente em grandes companhias, onde é comum que parte da remuneração venha em forma de ações ou bônus atrelados ao desempenho.
Nesse caso, ele não só lidera, mas também investe, o que aprofunda ainda mais seu vínculo com a empresa.
Assim sendo, entre acionista vs. stakeholder, podemos dizer que todo CEO é stakeholder, mas nem todos são acionistas.
Leia mais: O que é acionista minoritário? Conheça seus direitos e vantagens
Quem é mais importante, acionista ou stakeholder?
Vamos imaginar uma empresa como uma grande teia, com vários fios conectando pessoas e interesses diferentes. Um desses fios é o dos acionistas: eles trazem dinheiro, tomam decisões importantes, participam de votações e esperam retorno financeiro.
Mas essa teia tem muitos outros fios: os fornecedores que dependem dos pagamentos; os clientes que confiam na qualidade do produto; os funcionários que precisam de um ambiente justo e motivador; e a comunidade local que pode ser impactada, para o bem ou para o mal.
Se a empresa ignorar esses fios, digamos, cortando custos de forma irresponsável, poluindo, tratando mal os colaboradores, o tecido todo pode ruir, e os acionistas também saem perdendo.
Da mesma forma, priorizar apenas a ética, o impacto social ou a satisfação de todos os stakeholders, sem garantir retorno financeiro, pode tornar o negócio insustentável. A arte está em manter esse equilíbrio: entender que o acionista é vital, mas que todos os outros envolvidos importam, especialmente quando pensamos no futuro da empresa e sua relevância no mundo.
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Fontes: Quality Company Formation, Investopedia, Govenda, Corporate Finance Institute, Bankrate, Ideals Board e Shoonya.