Banco cooperativo: o que é, como funciona, exemplos

11 de setembro de 2025 - por Sidemar Castro


Um banco cooperativo é como uma engrenagem que faz o sistema das cooperativas de crédito funcionar bem. Ele não está ali para gerar lucro para grandes investidores, mas sim para apoiar as próprias cooperativas e seus associados com serviços financeiros essenciais.

Funciona quase como um banco central para esse universo cooperativo, oferecendo acesso a crédito oficial, compensação de cheques e outras operações que mantêm tudo rodando com segurança e eficiência. É uma estrutura pensada para fortalecer quem faz parte, e não para enriquecer quem está de fora.

Quer entender melhor como funciona um banco cooperativo? Leia a seguir.

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O que é um banco cooperativo?

Pense num banco que nasce das necessidades de quem realmente participa dele. Esse é o espírito de um banco cooperativo: ele é fundado e gerido por cooperativas de crédito. E, por extensão, pelos próprios cooperados, com o objetivo de atender a essas instituições e seus associados.

Ali, cada parte interessada tem igual poder nas decisões, sem importar quanto aportou. A função essencial desse banco é disponibilizar suporte, produtos e infraestrutura que as cooperativas, sozinhas, teriam dificuldade de oferecer, como operações financeiras, tecnologia, emissão de cartões e acesso a sistemas nacionais.

O propósito não é gerar lucro exorbitante, mas fortalecer as cooperativas e suas comunidades. Por isso, os ganhos são revertidos em serviços com taxas mais justas, promoção de desenvolvimento regional e fortalecimento da rede cooperativa.

Em última análise, esse tipo de banco existindo, cooperativas menores ganham voz, estrutura e capacidade para servir seus associados com muito mais competência e propósito.

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Exemplo de banco cooperativo

Um bom exemplo de banco cooperativo no Brasil é o Sicredi, que funciona como o cérebro financeiro das cooperativas associadas, oferecendo toda a infraestrutura e os serviços bancários que sozinhas (como cooperativas menores) não conseguiriam disponibilizar.

Ele nasceu com o propósito de fortalecer os laços entre as cooperativas e seus participantes, promovendo serviços com taxas mais justas, resultados revertidos em benefícios para os associados e uma governança democrática em que todos têm voz nas decisões.

Além disso, como parte do sistema, Sicredi conta com a cobertura do FGCoop, o Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito, garantindo segurança até o limite similar ao dos bancos tradicionais caso algo remoto aconteça.

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Quais são as funções de um banco cooperativo?

Um banco cooperativo age como uma espécie de central bancária para as cooperativas de crédito, reunindo recursos e oferecendo uma estrutura que permite que elas, especialmente as menores, ofereçam serviços financeiros robustos aos seus associados.

Ele cuida da integração operacional com o Sistema Financeiro Nacional, facilita transferências como TED e DOC (ou operações via SPB), e ainda dá suporte tecnológico e logístico para emissão de cartões, abertura de contas, empréstimos e investimentos, o que seria muito difícil para uma cooperativa isolada realizar sozinha.

Ao mesmo tempo, funciona como um elo financeiro e tecnológico, potencializando a capacidade de atuação das cooperativas e garantindo condições mais acessíveis e integradas para os associados.

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Como funciona um banco cooperativo?

Um banco cooperativo é como o elo que une várias cooperativas de crédito, funcionando como uma base financeira que dá suporte a todas elas.

Ele oferece serviços bancários essenciais, como crédito, investimentos e compensações, mas com um propósito diferente dos bancos tradicionais: em vez de gerar lucro para investidores, ele fortalece o próprio sistema cooperativo.

Os ganhos são reinvestidos e as decisões são compartilhadas, criando um ambiente onde todos crescem juntos e têm voz ativa.

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Serviços oferecidos pelo banco cooperativo

Os bancos cooperativos oferecem praticamente tudo o que você encontra em um banco tradicional, mas com um toque mais humano. Dá para abrir conta corrente, poupança, pedir cartão de crédito e débito, contratar empréstimos, financiamentos e até consórcios.

Também há opções de investimento, como Tesouro Direto, LCI, LCA e fundos diversos. Além disso, eles facilitam operações interbancárias, como TED e DOC, e oferecem suporte tecnológico às cooperativas de crédito que fazem parte do sistema.

O grande diferencial é que esses serviços são pensados para beneficiar os associados, com taxas mais justas e soluções mais personalizadas. É como ter um banco que realmente se importa com você e com a comunidade onde você vive.

Vantagem de banco cooperativo

Estar em um banco cooperativo é fazer parte de um modelo que coloca as pessoas no centro. A principal vantagem está na lógica do pertencimento: você não é apenas um cliente, é um associado com poder de decisão e participação nos resultados.

Os serviços são pensados para atender às suas necessidades, com taxas mais baixas, crédito facilitado e atendimento mais humano. E o impacto vai além da sua conta bancária.

O banco cooperativo investe na educação financeira, apoia o crescimento das regiões onde atua e promove uma economia mais justa e sustentável. Dessa forma, transforma o sistema financeiro em algo mais próximo, mais ético e mais alinhado com o que realmente importa.

Desvantagens do banco cooperativo

Por mais que o banco cooperativo represente uma alternativa mais justa e colaborativa, ele também enfrenta alguns desafios.

A estrutura costuma ser mais enxuta, o que significa menos agências e, às vezes, menos opções de serviços em comparação com os grandes bancos tradicionais. Isso pode ser um obstáculo para quem busca praticidade ou está acostumado com soluções mais amplas.

Outro ponto é que, para fazer parte, é necessário investir na cooperativa, comprando cotas, o que pode gerar dúvidas em quem está começando. E como o modelo ainda não é tão difundido, muitas pessoas não conhecem bem seu funcionamento, o que pode gerar receio na hora de confiar seu dinheiro.

Principais bancos cooperativos do Brasil

1) Bancoob (Sicoob)

O Bancoob nasceu para dar suporte ao sistema Sicoob, e hoje é referência em cooperativismo financeiro. Ele conecta centenas de cooperativas de crédito ao sistema bancário nacional, oferecendo desde cartões até investimentos. Mas o que realmente o diferencia é o compromisso com o coletivo: os lucros voltam para os associados e as decisões são compartilhadas. É um modelo que transforma o jeito de lidar com dinheiro.

2) Banco Sicredi

O Sicredi está profundamente identificado com as origens do cooperativismo. Tanto, que está presente em milhares de cidades brasileiras, com uma lista enorme de serviços financeiros. O foco está sempre no desenvolvimento sustentável, na educação financeira e na valorização das pessoas. É uma instituição que acredita no poder da cooperação para construir um futuro melhor.

3) Banco Ailos

O Ailos representa um movimento colaborativo que une várias cooperativas do Sul do Brasil. Ele oferece serviços bancários com um olhar atento às necessidades locais, promovendo inclusão, capacitação e crescimento conjunto. Mais do que números, o Ailos trabalha com histórias, e cada associado é parte fundamental dessa construção.

Saiba mais: Intermediação financeira: o que é, quais os tipos e importância?

Diferenças entre banco cooperativo e bancos tradicionais

A principal diferença está no papel que você desempenha: num banco cooperativo você é associado e dono, participando das assembleias e ajudando a decidir o destino dos recursos, enquanto num banco tradicional você é apenas cliente.

Por isso, as cooperativas conseguem oferecer tarifas mais acessíveis, juros reduzidos e distribuir suas sobras entre os cooperados, ao invés de repassar os lucros para acionistas.

Além disso, elas costumam reforçar o desenvolvimento local e a inclusão financeira onde atuam, especialmente em áreas menos atendidas, enquanto os bancos tradicionais, mesmo podendo dispor de mais tecnologia e alcance, operam com foco no lucro e com atendimento muitas vezes distante.

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Diferenças entre banco cooperativo e cooperativa de crédito

Banco cooperativo é uma instituição criada e controlada por cooperativas de crédito para prestar suporte a elas: ele oferece infraestrutura, acesso a sistemas financeiros amplos (como compensações bancárias, redes interbancárias, cartões etc.) que uma cooperativa isolada talvez não conseguisse prover.

Já uma cooperativa de crédito é composta por pessoas associadas diretamente, que utilizam serviços financeiros entre si: são os cooperados que delegam, decidem e recebem os benefícios.

Enquanto o banco cooperativo existe para fortalecer, integrar e atender operações das cooperativas filiadas, oferecendo escala, apoio tecnológico, liquidação, compensações, métricas regulatórias, a cooperativa de crédito foca seu funcionamento direto com seus associados, operando localmente.

Em termos de retorno financeiro, no banco cooperativo o lucro (ou sobras) é revertido para o sistema cooperativo, favorecendo todas as cooperativas participantes; na cooperativa de crédito esse retorno vai aos cooperados de acordo com o uso dos serviços ou participação.

Leia mais: Bancos de investimentos: o que são e como funcionam?

Fontes: Q Concursos, Suno, Ailos Coop, FGCoop, Novucard, Empreender Dinheiro.

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