Brexit: o que é, causas, consequências

Brexit é a saída do Reino Unido da União Europeia, decidida por referendo em 2016. Entenda quais as causas e consequências.

29 de setembro de 2025 - por Sidemar Castro


Brexit é o nome dado ao rompimento do Reino Unido com a União Europeia, resultado de um voto popular em 2016 que dividiu o país. A saída se concretizou em 2020 e abriu um novo capítulo nas relações políticas e comerciais, após intensas discussões sobre soberania, fronteiras e os impactos para a economia.

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O que é Brexit?

O Brexit, apelido de “British exit”, foi a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia. Em 2016, um referendo apertado mostrou a vontade da maioria por sair do bloco, o que abriu um longo período de debates e negociações.

A saída se concretizou em 2020, com um acordo que manteve alguns laços e tentou evitar conflitos, como no caso da fronteira irlandesa. Para uns, o Brexit significava recuperar autonomia; para outros, trouxe barreiras comerciais e perdas econômicas.

Mesmo após a ruptura, o Reino Unido e a UE seguem tentando ajustar sua relação.

O que significa Brexit?

Quando alguém fala em Brexit, está falando da saída do Reino Unido da União Europeia, um processo que começou com um referendo em 2016 e foi concretizado em 2020.

O nome vem de juntar “British” (britânico) com “exit” (saída), e expressa a ideia da ruptura de um país que havia estado por décadas dentro do bloco europeu.

Quais os objetivos e causas do Brexit?

O Brexit foi, antes de tudo, uma reação à percepção de que o Reino Unido havia perdido o controle sobre as suas próprias decisões. O desejo de “tomar de volta o controle” foi o mote central, encapsulando anseios por autonomia legislativa e, sobretudo, pelo comando das próprias fronteiras.

Muitos cidadãos viam a livre circulação de pessoas da UE como uma ameaça à sua identidade nacional e à capacidade de gerir a imigração.

Para além disso, uma visão de um Reino Unido como uma potência global independente, capaz de estabelecer os seus próprios acordos comerciais, contrastava com a integração europeia.

A campanha pela saída fundiu estes sentimentos de soberania, identidade e promessas de prosperidade económica autónoma, conquistando a maioria no referendo.

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Antecedentes históricos do Brexit

Para entender o Brexit, é preciso voltar no tempo e enxergar que ele não surgiu da noite para o dia. Quando o Reino Unido entrou na Comunidade Econômica Europeia, em 1973, havia muita ambivalência: o país participava, mas com ressalvas. Somente em 1975, já como membro, foi organizado um plebiscito para confirmar se os britânicos queriam permanecer naquela aliança econômica, e sim, naquela ocasião a maioria disse “ficar”.

Mas esse “estar com ressalvas” nunca desapareceu. Ao longo dos anos, fosse por crises econômicas, mudanças culturais ou debates internos sobre autonomia, muitos britânicos começaram a questionar se valia a pena estar sujeito a normas vindas de fora, de órgãos europeus que muitas vezes pareciam distantes da vida cotidiana.

Partidos céticos à integração europeia foram ganhando força e ecoando esse sentimento de desconforto: “por que não decidir por nós mesmos?”, “Quem nos representa em Bruxelas de fato?” foram perguntas cada vez mais frequentes.

Com o tempo, os debates foram amadurecendo. O Partido Conservador, pressionado por essa corrente crítica, começou a admitir a ideia de uma consulta popular: se a UE fosse realmente benéfica, argumentava-se, o povo reafirmaria sua opção. Assim, David Cameron comprometeu-se a levar o tema para um referendo se ganhasse as eleições. Isso seria um momento decisivo: colocar na mesa, de fato, toda essa disputa de visões.

Quando o referendo de 2016 chegou, não estava apenas em discussão uma questão técnica de políticas econômicas ou regulatórias. Estava em jogo uma identidade: até que ponto o Reino Unido era parte da Europa, ou parte de si mesmo.

A votação expressou mais que confiança ou desconfiança na UE: mostrou fissuras históricas no modo como os britânicos viam seu destino coletivo. O resultado apertado (51,9% a favor da saída) foi, em muitos sentidos, o ponto culminante de uma longa tensão entre resistência à integração plena e desejo de manter laços europeus.

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Países que fizeram parte do Brexit

O Reino Unido saiu da União Europeia em 2020. Sendo assim, fizeram parte do Brexit a Inglaterra, a Escócia, o País de Gales e a Irlanda do Norte, países componentes do Reino Unido.

As negociações para o Brexit

1) O Início

Começou tudo quando o Reino Unido acionou o Artigo 50, sinalizando ao bloco europeu que desejava negociar sua saída: foi o marco inicial oficial das tratativas.

2) Direitos

Logo vieram debates sobre quantos direitos ainda deveriam valer para quem já vivia no outro lado (britânicos na Europa, europeus no Reino Unido), e sobre o preço financeiro que o Reino Unido teria que pagar por compromissos feitos como membro da UE.

3) Fronteira Irlandesa

A fronteira irlandesa se tornou um nó complicado: nenhum dos lados queria uma fronteira física que pudesse gerar tensões políticas ou violar acordos históricos.

4) Transição

Para facilitar a transição, acertaram um período intermediário, durante o qual boa parte das regras da UE permaneceu em vigor, mesmo com o plano de separação já em ação.

5) Saída

No fim das negociações vieram os acordos definitivos: primeiro o de saída, para regularizar a ruptura, e depois o de comércio e cooperação, para desenhar o novo modo de relacionamento entre Reino Unido e União Europeia.

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O referendo sobre o Brexit

O referendo foi concebido como uma forma de resolver uma disputa interna dentro do Partido Conservador, mas rapidamente se transformou num questionamento profundo sobre a identidade nacional.

Milhões de pessoas foram às urnas movidas por um sentimento de que sua voz não era ouvida em Bruxelas e pela esperança de recuperar o controlo do seu destino. No entanto, quando os resultados foram apurados, ficou claro que o Reino Unido era na verdade dois países sob uma mesma bandeira.

A vitória do “Sair” por uma margem mínima não trouxe clareza, mas sim uma divisão profunda. O resultado não foi um mandato unificado, e sim um espelho que refletiu uma nação cindida por linhas geracionais, educacionais e geográficas, um retrato de desconforto que continuaria a moldar a política britânica nos anos seguintes.

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Quais as vantagens e desvantagens do Brexit?

1) Recuperação de autonomia política e legislativa

Quando o Reino Unido deixou de seguir automaticamente as decisões de Bruxelas, ganhou-se em flexibilidade para adaptar leis ao contexto britânico, sem esperar que o bloco inteiro concordasse. Para muitos, isso representou um resgate de controle interno.

2) Controle migratório reforçado

Com a liberdade de definir quem poderia entrar ou permanecer no país, as regras migratórias passaram a ser desenhadas sob medida, sem que cidadãos europeus tivessem automaticamente esse direito. Essa medida agradou quem buscava um Estado mais capaz de decidir sobre seu próprio povo.

3) Negociações comerciais independentes

Fora do guarda-chuva europeu, Londres passou a buscar seus próprios acordos de comércio com nações distantes, sem precisar alinhar posições a um consenso continental, o que, em teoria, permite maquinar alianças mais estratégicas para seus interesses.

4) Redução de contribuições ao orçamento europeu

Um argumento forte era que o dinheiro que ia para o orçamento da União Europeia poderia voltar para dentro do Reino Unido, para hospitais, estradas, escolas. A ideia era que esses recursos reaplicados localmente teriam uso mais visível para a população.

5) Menor influência e acesso ao mercado europeu

Ao mesmo tempo, perder voz nas decisões europeias significou que o Reino Unido ficou fora das deliberações que moldam o entorno regional. Isso enfraqueceu seu papel nas políticas de segurança, meio ambiente, comércio ou migração que são pensadas no âmbito europeu.

6) Retração nos fluxos comerciais e investimentos

A instabilidade e a reintrodução de barreiras comerciais impactaram empresas britânicas que dependiam da UE: tarifas, inspeções, regras diferentes, tudo isso elevou custos. Muitos investidores passaram a ver o país como mais arriscado, e o crescimento econômico foi afetado.

7) Desafios para o mercado de trabalho e escassez de mão de obra

Para setores dependentes de trabalhadores europeus, um novo teto migratório virou obstáculo. A dificuldade de recrutar mão de obra afetou serviços, agricultura, saúde, áreas onde estrangeiros praticamente preenchiam lacunas. Os custos com salários e logística subiram.

8) Tensão interna e riscos territoriais

Em meio a tudo isso, surgiu um dilema interno: a Escócia questionou seu vínculo com o resto do Reino Unido, vendo no Brexit um motivo para buscar autonomia. Na Irlanda do Norte, o tema da fronteira com a República da Irlanda ganhou contornos sensíveis, com disputas regulatórias e políticas delicadas.

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Impactos e consequências do Brexit

1) Comércio sob tensão

Ao romper os laços com o mercado único europeu, o Reino Unido passou a lidar com tarifas, inspeções e regras alfandegárias que complicaram o fluxo de bens entre os lados. Apesar de o acordo de cooperação ter amenizado parte das dificuldades, muitas empresas apontaram que o novo arranjo ainda não restituiu a fluidez que existia antes do Brexit.

2) Um crescimento mais difícil

Desde o referendo e a saída formal, o país sofreu com menor atração de capital e menos investimentos nos setores produtivos. A estimativa de alguns especialistas é que a economia britânica esteja vários pontos percentuais abaixo do que poderia ter sido sem essa decisão.

3) A inflação como fardo

Muitos produtos dependiam de importações vindas da UE com custos menores; ao romper esse vínculo, os preços subiram. Com isso, famílias tiveram de arcar com valor mais alto de alimentos e bens essenciais, uma pressão real no custo de vida.

4) Mudança no mercado de trabalho

O Brexit trouxe novas exigências e critérios para trabalhadores estrangeiros, especialmente os europeus. Ao mesmo tempo, a expectativa de redução migratória acabou se contrapondo à realidade: a migração global para o Reino Unido subiu em alguns segmentos — não exatamente como se esperava.

5) Tensões territoriais e políticas internas

A saída reanimou questionamentos sobre a integridade do Reino Unido. A Escócia retomou conversas sobre independência, e na Irlanda do Norte emergiram conflitos delicados relativos à fronteira entre os dois Irmas da ilha. Internamente, o Brexit também testou a coesão política britânica, com disputas intensas no Parlamento e mudanças de governo.

6) Reconfiguração europeia e global

Fora da UE, o Reino Unido precisou reconstruir sua rede de aliados e redes comerciais. Do lado europeu, sua ausência alterou como a União organiza seu orçamento, sua influência diplomática e seu poder coletivo. Na esfera de defesa, a UE também ficou sem uma de suas vozes mais robustas, obrigando o bloco a repensar seu protagonismo em segurança internacional.

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Fontes: Toda Matéria, BBC, CNN Brasil, Portal Diplomático, Gov Br, Mundo Educação.

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