Crise de 1929, a Grande Depressão econômica


A crise de 1929 foi uma crise econômica. Ela teve início com a quebra da bolsa de NY, nos EUA, mas se espalhou para várias partes do mundo.

Uma das causas da crise, foi a elevação do consumo aliado à superprodução agrícola e da indústria. Nessa época, as pessoas também passaram a especular na bolsa de valores.

A produção foi elevada a tal ponto, que tinha mais produtos sendo oferecidos no mercado, do que pessoas para comprar. Com isso, as empresas começaram a fechar as portas e o nível de desemprego subiu.

No dia 24 de outubro de 1929, milhares de pessoas decidiram revender suas ações e o mercado de ações entrou em colapso. Foi o início da crise de 1929.

A crise teve várias consequências como, por exemplo, falências de empresas, aumento do desemprego, prejuízos por parte dos investidores e etc.

Estados Unidos antes da Crise de 1929

Antes da crise de 1929, os EUA era a maior economia do mundo. Antes mesmo de ocorrer a Primeira Guerra Mundial, a economia do país já possuía índices que indicavam a sua supremacia.

Mas o eventos da guerra serviram para acentuar ainda mais a posição de potência econômica internacional dos EUA.

Por causa do seu rápido crescimento depois da guerra, a década de 1920 foi um período de grande euforia econômica. De fato, a época ficou conhecida como Roaring Twenties isto é Loucos Anos Vinte.

Com o avanço da economia dos EUA, o país ficou responsável pela produção de 42% de todas as mercadorias feitas no mundo.

Além disso, o país era o maior credor do mundo. Com isso, ele emprestava grandes somas de dinheiro para as nações europeias em processo de reconstrução depois da Guerra.

Essa euforia era vista na população por meio do consumo acelerado, onde as pessoas compravam de forma desenfreada.

Nessa época, o cenário era de pleno emprego e rápido crescimento industrial. Para você ter uma ideia, entre 1923 e 1929, os EUA tinham uma taxa média de desemprego de 4%.

Além disso, a produção de automóveis aumentou 33%, o número de indústrias instaladas no país aumentou por volta de 10%.

Com o boom econômico e a onda de euforia, as pessoas começaram a investir de forma intensa no mercado financeiro. O problema é que essas pessoas usavam a bolsa para especular.

Sendo assim, elas compravam ações na bolsa e esperavam pela valorização para então vender os ativos. Isso fazia com que os preços subissem, já que tinha muitos compradores e criava uma falsa sensação de prosperidade.

No fim, das contas, a bolsa quebrou, empresas faliram, o nível de desemprego subiu e muitos investidores perderam tudo o que investiram.

Contexto histórico

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), vários países europeus estavam envolvidos no conflito mundial. Isso fez com que as suas produções fossem fortemente afetadas.

Nesse cenário, os Estados Unidos surgiram como uma nação que era capaz de suprir a demanda dos países que estavam focados na guerra.

Sendo assim, os EUA exportavam produtos como aço, máquinas, carvão, comida e vários outros itens básicos necessários para a manutenção da guerra.

Ou seja, o país evitava se envolver diretamente, mas aproveitava a oportunidade de exportar mercadorias. Inclusive, desde a Guerra de Secessão, os EUA produziam uma grande quantidade de armas e munições.

No entanto, como a guerra se desenvolvia na Europa e os EUA estavam a um oceano de distância, ele praticamente não foi atacado.

Um detalhe importante é que até aquele momento a Grã-Bretanha era tida como a nação da supremacia econômica mundial.

Entretanto, com a guerra, a Inglaterra perdeu o primeiro lugar e foi substituída pelos Estados Unidos. Em outras palavras, a Inglaterra foi afetada pela guerra e perdeu seu lugar.

Por outro lado, os Estados Unidos, que evitaram se envolver diretamente, saiu ileso e conquistou o lugar de potência mundial.

Política isolacionista dos EUA

Como os países europeus precisavam se reconstruir depois da guerra, os Estados Unidos emprestavam dinheiro a essas nações e exportavam produtos.

Dessa forma, o país se tornou um grande produtor, e chegou a representar 42% das mercadorias mundiais. Paralelo a isso, os EUA incentivaram o consumo interno e desestimularam a importação.

Sendo assim, não apenas o patriotismo aumentou como também foi iniciado um ciclo de otimismo, sobretudo, entre os investidores.

Em resumo, ciclo se refere ao fato de que a nação produzia em excesso e emprestava dinheiro tanto para o exterior, quanto para a população poder consumir mais.

Para completar, depois de um tempo, os países europeus começaram a se recuperar da guerra. Dessa maneira, eles não precisavam mais do dinheiro nem das exportações dos EUA.

Com isso, uma crise começou a se formar. Afinal de contas, os EUA produziam em larga escala tanto para o consumo interno, quanto para exportações.

Com a diminuição do consumo europeu, os Estados Unidos se viram com uma quantidade excessiva de mercadorias, sem ter pessoas o suficiente para comprar.

Em outras palavras, sem os países europeus para comprar a grande quantidade de mercadorias que estavam sendo produzidas, a situação nos EUA começou a ficar preocupante.

Essa situação resultou no que ficou conhecido como Quinta-feira negra. Isso porque, no dia 29 de outubro de 1929, uma quinta-feira, a grande depressão teve início.

Os loucos anos 20

Antes de te falar sobre como a crise de 1929 se espalhou dos EUA para vários países, eu quero te falar um pouco sobre o que ficou conhecido como os loucos anos 20.

Podemos resumir os anos 20 como o auge do capitalismo, do consumismo desenfreado e da produção em excesso.

Em outras palavras, os anos 20 foi um período de grande euforia econômica, marcado pelo alto índice de consumo de mercadorias.

Isso serviu para consolidar o chamado estilo de vida americano, onde o consumo era sinônimo de felicidade. Além dos aspectos econômicos, os anos 20 também tiveram mudanças artísticas e sociais.

Isso porque, toda essa euforia foi refletida no âmbito da moda e das artes. Já na esfera social, várias mudanças profundas sacudiram a sociedade.

Uma das grandes mudanças foi a consolidação do voto feminino como um direito.

Ao mesmo tempo em que várias mudanças ocorreram, teve início uma modificação nos hábitos das pessoas. Com isso, o uso de tecnologia começou a aumentar muito.

A produção atingiu seu pico máximo. Ou seja, essa euforia econômica levava a população a consumir mais e a indústria a produzir em excesso. Apesar desses dois indicadores, os salários praticamente não aumentaram.

Os anos 20 podem ser vistos como o apogeu do capitalismo nos EUA, uma época de possibilidades infinitas e consumo sem fim.

Sendo que, para estimular ainda mais o consumo, o Banco Central norte-americano autorizou o empréstimo de dinheiro.

Os créditos, por sua vez, eram fornecidos sem nenhum critério pré-estabelecido. Com a facilidade de conseguir créditos, as pessoas pararam de consumir e passaram a investir na bolsa de valores de Nova York.

É claro que esse cenário não durou muito tempo, pois após os loucos e animados anos 20, veio o triste período da grande depressão.

Quebra da bolsa de NY

Desencadeado pelo boom econômico, o mercado de ações também recebeu sua cota de mudanças. Desse modo, as pessoas começaram a investir muito.

Contudo, a intenção dos investidores era esperar que as ações aumentassem de valor, para que então, pudessem vendê-las.

A estratégia funcionou durante algum período, mas essas eram bases frágeis, que não suportaram por muito tempo. Sendo assim, com a crise da superprodução, os preços das ações passaram a cair aos poucos.

Coincidência ou não, em uma fatídica quinta-feira, mais especificamente 24 de outubro de 1929, milhares de pessoas decidiram revender suas ações.

Como isso, o mercado de ações de Nova York entrou em colapso. Mais de 12 milhões de ações foram postas à venda. E então, na segunda-feira, o número subiu para 33 milhões.

Portanto, o que ocorreu na crise de 1929 foi a queda dos valores das ações e a perda de dinheiro por parte de todas as pessoas que tinham investimentos na bolsa.

Consequências da Crise de 1929

Várias foram as consequências da crise de 1929. Sendo que a crise começou nos EUA, mas se espalhou para vários países. Sendo que, pior período, foi entre 1929 e 1933.

Com a quebra, vieram as falências, os desempregos em massa e a redução do salário dos que não foram demitidos. Com menos dinheiro no mercado, o preço das mercadorias caiu.

Portanto, as principais consequências da Grande Depressão foram:

  • Aumento da taxa de desemprego de 4% para 27%

  • Queda de 50% no PIB dos EUA

  • A produção industrial caiu para um terço em comparação com a época de euforia

  • Queda de 50% nas exportações

  • Diminuição de 90% dos empréstimos internacionais

  • Redução de 50% na produção do setor automobilístico

  • Falência de milhares de empresas e instituições bancárias

  • Milhões de pessoas perderam o patrimônio investido na bolsa

  • Pessoas se suicidaram

  • Queda de 50% do salário médio no setor industrial

Em 1932, foi eleito um novo presidente, o democrata Franklin Delano Roosevelt.

O presidente negociou com sindicatos, financistas, empresários e setores burocráticos do governo, a fim de estabelecer ajustes e limites de preços e salários.

A intenção era cumprir a promessa de campanha e fazer a recuperação agrícola e industrial dos EUA.

Roosevelt, então, implementou várias medidas. Uma das principais foi a intervenção na economia, feita pelo estado, através do New Deal (Novo Acordo).

Em síntese, o New Deal visava o controle da produção agrícola e industrial. Paralelamente, empregos foram gerados com a realização de obras públicas, como a construção de escolas e aeroportos.

O que causou a crise de 1929?

A causa da Grande Depressão de 1929 foi a euforia econômica, superprodução, falta de regulação da economia, excesso de crédito e pela bolha de especulação.

Dentre as causas, vale destacar que a principal causa da crise de 1929 foi a euforia econômica dos EUA

Isso porque, a elevação do consumo fez com que as indústrias aumentassem sua produção (um aumento de mais de 60%) até um ponto em que não havia pessoas para comprar os produtos.

Ou seja, a produção da indústria e agrícola se tornou tão intensa, motivada pelo consumo interno e externo, que em certo momento o mercado já não era mais capaz de absorver tantas mercadorias.

Desse modo, as empresas começaram a falir, já que não conseguiam vender seus produtos.

A consequência foi o aumento do índice de desemprego e a redução do nível de consumo, o que levou mais indústrias à falência. 

Sendo que a a Grande Depressão marcou a decadência do liberalismo econômico, naquele momento.

Reflexos da crise de 1929 no Brasil

Vários países sofreram com a crise de 1929, e o Brasil não ficou de fora. Sendo que, a crise de 1929 no Brasil afeitou sobretudo o café.

Isso porque, o Brasil era responsável por cerca de 70% do café comercializado em todo o mundo.

Além disso, os Estados Unidos era seu principal consumidor, sendo responsável por cerca de 80% da demanda produzida.

Com a queda na demanda por café, o Brasil enfrentou o mesmo problema dos EUA: excesso de mercadoria e falta de consumidor.

Com isso, houve a queda brusca nos preços do café. Para você ter uma ideia, o preço do café chegou a cair aproximadamente 90% no mercado internacional.

Em seguida, veio a Revolução de 1930 que colocou Getúlio Vargas no poder.

Posteriormente, Getúlio criou o Conselho Nacional do Café (CNC), em uma tentativa de proteger o principal produto do Brasil e salvar a economia.

Além disso, como uma tentativa de controlar os prejuízos, o governo passou a comprar sacas de café e incendiá-las.

Cinema

O cinema se inspirou em uma das maiores crises do mundo econômico e criou diversas obras, como exemplo:

1- Tempos Modernos

Tempos modernos é um clássico idealizado por Charles Chaplin. O protagonista é o conhecido Carlitos, dessa vez, como operário de uma fábrica. O filme retrata os Estados Unidos nos anos 1930, logo após a quebra na bolsa.

2- O Grande Gatsby

Interpretado por Leonardo Di Caprio, Gatsby é a essência do estilo de vida americano. Por meio de suas festas, percebemos o glamour dos anos 20 e a euforia latente nesse período.

3- A Grande Aposta

Apesar de não se tratar diretamente da crise de 1929, a Grande Aposta vale o tempo dedicado. O filme retrata a crise imobiliária de 2008. Uma crise que, em diversos aspectos, lembra a grande depressão.

Enfim, ainda tem dúvidas sobre a crise de 1929, esse marco histórico na economia mundial? Então assista o vídeo a seguir:

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