12 de janeiro de 2026 - por Millena Santos
Esses dois conceitos se apresentam para nós como jeitos bem diferentes de investir. No Deep Value Investing, o investidor é quase um garimpeiro: ele sai em busca de empresas esquecidas pelo mercado, tão baratas que parecem valer menos do que seus próprios ativos, apostando que ali existe uma grande margem de segurança.
No High Quality Investing, a história é outra, pois o foco está em empresas bem administradas, com poucas dívidas e bons resultados, aquelas que crescem aos poucos, mas de forma sólida, ao longo do tempo.
Vamos saber mais sobre esses conceitos? Vem com a gente!
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O que é Deep Value Investing?
Deep Value Investing é uma forma de olhar para o mercado, digamos, com um certo pé atrás. A estratégia, associada a Benjamin Graham e Warren Buffett, não parte do entusiasmo, mas da cautela.
Em vez de seguir o que está em alta, ela prefere observar o que foi deixado de lado.
Aqui, não há grande preocupação com empresas admiradas, marcas fortes ou ações populares. O foco está em algo bem mais básico e, ao mesmo tempo, mais desconfortável: entender quanto aquela empresa vale de verdade, mesmo em cenários ruins, e comparar isso com o preço que o mercado está praticando.
O processo é direto, quase pragmático. Primeiro, busca-se estimar um valor mais conservador, levando em conta ativos, resultados e riscos que costumam ser ignorados quando tudo vai bem.
Depois, esse valor é colocado frente a frente com o preço da ação. Quando a diferença é grande, surge a tal margem de segurança.
Diante disso, a gente consegue perceber que o Deep Value Investing não tenta prever grandes histórias de sucesso, na verdade ele aceita que erros fazem parte do jogo e, justamente por isso, prefere errar pagando pouco.
Como funciona o Deep Value Investing?
Na prática, o Deep Value Investing funciona como uma versão mais exigente do value investing tradicional. O investidor não se contenta com um pequeno desconto, ele quer uma diferença grande entre o preço da ação e aquilo que considera ser o valor real da empresa.
Essa abordagem ficou conhecida a partir do trabalho de Benjamin Graham e acabou influenciando diretamente os primeiros anos de Warren Buffett.
Ainda no início da carreira, Buffett conseguiu retornos bastante elevados aplicando critérios aprendidos com Graham, justamente em situações que o mercado preferia evitar ou ignorar.
Mas esse tipo de estratégia não é simples nem confortável, viu? Exige estudo, porque nem tudo que parece barato é, de fato, uma oportunidade. Afinal, a gente deve suspeitar quando muitas empresas negociam a preços baixos. O que pode justificar isso? Problemas estruturais, gestão ruim ou prejuízos recorrentes.
Portanto, separar uma coisa da outra dá trabalho.
E exige, talvez ainda mais, paciência. As melhores chances costumam aparecer quando o mercado está tenso, em períodos de crise ou pessimismo generalizado. Nesses momentos, quase ninguém quer comprar. O Deep Value Investing vai na direção oposta: observa, espera e só age quando o desconto faz sentido de verdade.
O que é High Quality Investing?
O High Quality Investing parte de uma lógica quase oposta à do desconto extremo. Em vez de procurar o que o mercado abandonou, essa estratégia olha para empresas que fazem muita coisa bem feita.
A ideia aqui não é apostar em reviravoltas ou esperar que o preço se recupere. O foco está em negócios sólidos, com fundamentos claros, capacidade de gerar resultados ao longo do tempo e uma estrutura que se sustenta mesmo quando o cenário muda.
Os critérios existem, claro, mas eles funcionam mais como um guia do que como algo engessado. Por isso, é sobre reconhecer qualidade antes que ela vire consenso, e aceitar pagar um pouco mais por empresas que não precisam provar, a cada ciclo, que merecem continuar de pé.
Como funciona o High Quality Investing?
O High Quality Investing começa por um recorte simples. Antes de olhar para preço, o investidor tenta responder a uma pergunta: esse negócio funciona bem no dia a dia? De cara, se a resposta não for convincente, a análise nem avança.
A partir daí, a atenção vai para empresas que entregam resultados de forma consistente, como negócios que geram lucro, crescem sem depender de grandes apostas e possuem alguma vantagem que os protege da concorrência.
Em geral, são empresas que atravessam períodos difíceis sem grandes problemas, justamente porque têm estrutura e previsibilidade.
Com esse filtro feito, os números entram para confirmar a história. Receita, margens, retorno sobre o capital e endividamento servem como uma espécie de checagem de realidade: a qualidade percebida precisa aparecer nos resultados ao longo do tempo.
Não se busca crescimento acelerado a qualquer custo, mas eficiência e estabilidade.
Só depois disso o preço passa a importar de verdade. Mesmo um ótimo negócio pode ser um investimento ruim se estiver caro demais.
Por isso, o High Quality Investing procura momentos em que o mercado perde a paciência no curto prazo ou subestima a capacidade da empresa de continuar entregando resultados.
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Qual a diferença entre Deep Value Investing e High Quality Investing?
A diferença entre Deep Value Investing e High Quality Investing começa na forma como o investidor enxerga o risco e, principalmente, no tipo de empresa que ele está disposto a colocar na carteira.
No Deep Value Investing, a busca é por empresas que o mercado praticamente desistiu. São ações negociadas a preços muito baixos, às vezes tão depreciados que parecem não fazer mais sentido.
A lógica aqui é comprar extremamente barato, com uma margem de segurança grande o suficiente para sobreviver mesmo se quase tudo der errado.
É o tipo de estratégia que aceita negócios problemáticos, desde que o preço seja baixo a ponto de compensar os riscos.
Já o High Quality Investing segue o caminho oposto. Em vez de empresas que oferecem mais riscos, o investidor procura negócios bem geridos, consistentes e com alguma vantagem sobre os concorrentes.
O risco não está em a empresa dar errado, mas em pagar caro demais por algo bom. Por isso, a atenção se volta para momentos em que o mercado subestima temporariamente essas empresas.
Essas são duas formas diferentes de lidar com a incerteza. O Deep Value tenta se proteger pagando muito pouco, enquanto o High Quality prefere se proteger escolhendo empresas fortes, mesmo que isso signifique aceitar preços menos extremos.
Está claro que ambos buscam valor, só partem de pontos completamente diferentes para chegar até ele.
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Fonte: Suno, PagBank, Empiricus.