Diferenças entre cooperativas de crédito e bancos

Cooperativas de crédito são instituições em que os clientes são também donos; bancos são controlados por acionistas. Leia as diferenças.

4 de setembro de 2025 - por Sidemar Castro


Você já parou para pensar na diferença entre cooperativas de crédito e bancos? Enquanto os bancos oferecem muitos serviços, as cooperativas costumam ter condições mais vantajosas, como juros mais baixos e crédito acessível.

Vale a pena entender melhor como cada uma destas instituições financeiras funciona, nesta matéria.

Leia mais: Instituição financeira: o que é, tipos e quais têm no Brasil?

O que são cooperativas de crédito?

Cooperativas de crédito são instituições financeiras nas quais as pessoas associadas são, ao mesmo tempo, donas e clientes. Diferente dos bancos tradicionais, que têm acionistas e visam o lucro acima de tudo, nas cooperativas cada um tem direito à voz e voto nas decisões, participando das assembleias e do destino das sobras que surgem ao final do ano.

Essa forma de pertencimento traz um sentimento de protagonismo e colaboração, porque os resultados voltam para os próprios cooperados, se há sobra, é decidida em conjunto como será usada: investimento na comunidade, educação, distribuição de benefícios… tudo isso guiado pelo que faz mais sentido para o grupo.

Outra diferença essencial está nos custos dos serviços. Como não há pressão por lucro, as cooperativas conseguem cobrar taxas e juros mais baixos, por exemplo, em crédito pessoal você pode economizar até metade em relação aos bancos comerciais, e nos cartões de crédito, as taxas podem ser até 55% menores.

E para completar, elas têm um papel super importante na inclusão financeira, especialmente em cidades menores, fortalecendo o desenvolvimento local com acesso mais justo aos serviços bancários e com foco em educação e ações sociais.

Saiba mais: Cooperativa de crédito: o que é, como funciona esse tipo de instituição?

Como funciona as cooperativas de crédito?

As cooperativas de crédito são espaços onde o cooperado tem voz e participa das escolhas. Diferente de um banco comum, nela não há donos distantes nem meta de lucro; as decisões são democráticas e os resultados voltam para quem usa.

Sendo assim, os recursos vêm dos próprios associados e financiam operações internas, com juros geralmente menores.

Para manter tudo seguro, existe o FGCoop, que protege os depósitos, e o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, que dá suporte e organização para que as cooperativas funcionem bem em todo o país.

O que são os bancos?

Um banco comercial é uma instituição financeira orientada ao lucro, normalmente estruturada como sociedade anônima, que busca captar recursos (como depósitos à vista ou a prazo) e oferecer serviços variados: conta corrente, empréstimos, investimentos, cartões e pagamentos.

O foco principal é remunerar seus acionistas através do retorno financeiro proporcionado pelas operações.

Como funcionam os bancos?

Pense nos bancos como o coração do sistema financeiro, bombeando dinheiro para a economia. Eles funcionam, basicamente. conectando duas pontas: de um lado, as pessoas e empresas que querem guardar seu dinheiro com segurança e ainda receber algum rendimento por isso; de outro, aqueles que precisam de crédito para realizar um sonho, impulsionar um negócio ou cobrir uma despesa inesperada.

O banco lucra na intermediação entre esses dois grupos, e também oferece uma infraestrutura essencial para o nosso dia a dia, como o processamento de pagamentos com cartão e a execução de ordens de pagamento.

A chave para compreender as nuances desse sistema está na propriedade da instituição. Os bancos tradicionais são empresas constituídas para dar retorno financeiro aos seus proprietários, os acionistas. Esses investidores podem não ter nenhuma relação com os clientes do banco além do objetivo de lucro.

Entenda: Sistema Financeiro Nacional (SFN) – O que é e relação com os investimentos

Quais são as diferenças entre cooperativa de crédito e bancos?

Um banco pode ser visto como um grande shopping center financeiro. Ele oferece diversos serviços e produtos, seu objetivo é ser rentável e o lucro é destinado aos seus investidores. Você é um cliente, e a relação é essencialmente comercial.

A cooperativa de crédito, por sua vez, funciona mais como um clube de vantagens do qual você é membro fundador. Como os cooperados são os donos, as decisões são tomadas de forma democrática: cada pessoa tem um voto, independentemente de quanto dinheiro tenha na conta.

O foco não está em maximizar o lucro para terceiros, mas em melhorar as condições financeiras de todos os membros. Esse modelo cooperativista resulta em benefícios tangíveis: as taxas de juros para empréstimos costumam ser mais baixas, os rendimentos para aplicações podem ser mais altos e as tarifas, menores ou até inexistentes.

Entenda também: Juros, o que são? Definição, principais tipos e como funcionam

Cooperativas de crédito ou bancos: qual escolher?

Você já percebeu que a escolha entre banco ou cooperativa de crédito vai muito além dos produtos financeiros? Nos bancos, você é cliente, e o foco está nos lucros dos acionistas; isso significa tarifas mais altas e nenhuma participação nas decisões. O banco cresce para atender investidores, não necessariamente suas necessidades.

Agora, em uma cooperativa de crédito, a história é outra. Você entra como cooperado, que é também um dos donos do pedaço. Isso quer dizer que você tem direito de voto nas assembleias, pode participar das decisões e até decidir sobre como usar as sobras financeiras. A relação é mais humana e democrática.

E isso influencia diretamente no bolso: taxas mais baixas: 50% de economia no crédito pessoal e até 55% menos nos juros do cartão, segundo dados do Banco Central. Além disso, seu dinheiro fica na própria comunidade: as cooperativas miram o desenvolvimento local, fomentam cursos, iniciativas e investimentos que circulam onde você vive.

Então, se a ideia de ter voz e ver seu dinheiro ajudar o lugar onde você mora faz sentido, cooperativa é caminho. Se busca algo mais prático, com mais unidades e serviços no seu dia a dia, talvez o banco tradicional ainda tenha apelo. A escolha depende do que você valoriza de verdade.

Leia mais: Intermediação financeira: o que é, quais os tipos e importância?

Fontes: Sicredi, Sicoob, BCB, Sebrae e Portal Ocbes Coop Br.

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