24 de setembro de 2025 - por Millena Santos
Entre o preço do café que aumenta sem aviso e a dificuldade de encontrar novas oportunidades de trabalho, dois fenômenos ajudam a explicar boa parte dessas mudanças: a inflação e a recessão.
Embora ambos façam parte da linguagem da economia, eles revelam realidades diferentes que chegam direto ao cotidiano. Neste texto, a gente te explica mais sobre isso. Vamos lá?
O que é inflação?
A inflação é o termo usado para medir o quanto os preços de bens e serviços sobem com o passar do tempo. Em outras palavras, mostra o quanto o dinheiro vai perdendo poder de compra no dia a dia.
O impacto costuma ser sentido em detalhes simples como o café que ontem custava um valor e hoje está mais caro, o pacote de arroz que parece subir de preço a cada ida ao mercado, a conta do restaurante que não para de aumentar.
As causas desse probleminha econômico podem variar. Ele pode acontecer quando a procura por produtos e serviços cresce além do que o mercado consegue oferecer, quando os custos de produção, como energia, transporte ou matéria-prima, ficam mais altos, ou ainda quando há muito dinheiro circulando na economia, o que, claro, acaba pressionando os preços.
O que é uma recessão?
A recessão é um dos momentos mais delicados da economia. Trata-se de um período em que a atividade econômica perde força por vários meses consecutivos, refletindo em números como a queda do PIB (Produto Interno Bruto), que é a soma de tudo o que o país produz.
Mas não é só nos indicadores que essa fase aparece. No dia a dia, ela se revela no aumento do desemprego, na dificuldade das empresas em manter investimentos e, claro, na redução do consumo, afinal, quando a incerteza cresce, tanto famílias quanto empresas tendem a segurar os gastos.
Em muitos casos, a recessão pode ser desencadeada por fatores como crises financeiras, instabilidade política, choques externos (como o preço do petróleo ou uma pandemia) e até por períodos de inflação muito elevada.
Qual as diferenças entre inflação e recessão?
Imagine a seguinte situação: em certo dia, ao entrar no café preferido, o cliente percebe que o valor do café habitual está o dobro do preço, esse é um reflexo da inflação.
Agora, alguns meses depois, o mesmo café fecha as portas porque não consegue lidar com a queda nas vendas e a crise econômica ao redor, aí já estamos falando de recessão.
Dá para perceber as diferenças entre eles olhando alguns pontos principais:
1- Efeitos econômicos
A inflação aparece quando os preços de bens e serviços sobem de forma generalizada, o que aumenta o custo de vida.
Já a recessão traz o efeito oposto: queda no consumo, redução da receita das empresas e, muitas vezes, aumento do desemprego.
2- Duração
A inflação não tem um prazo específico para terminar e pode se prolongar por anos se não for controlada. A recessão, por sua vez, é definida quando a economia apresenta retração por pelo menos seis meses seguidos.
3- Causas
Aqui, a inflação geralmente acontece quando a demanda supera a oferta, ou quando os custos de produção ficam mais altos.
No caso da recessão, o que se observa é uma desaceleração da economia como um todo, com menos consumo, menos investimentos e, consequentemente, menos crescimento.
4- Como é medida
A inflação é acompanhada por índices como o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) e o IPP (Índice de Preços ao Produtor). Em contrapartida, a recessão é identificada pela análise do PIB (Produto Interno Bruto), que mostra se a economia está crescendo ou encolhendo.
5- Estratégias de prevenção
Por fim, para conter a inflação, os bancos centrais costumam adotar medidas como o aumento das taxas de juros, buscando reduzir o consumo e o endividamento.
Quando o risco é de recessão, os governos tendem a fazer o contrário e lançam políticas de estímulo, como redução de impostos ou aumento de investimentos públicos, para movimentar novamente a economia.
Qual a relação entre inflação e recessão?
Inflação e recessão, na prática, estão muito mais conectados do que se imagina. Quando a inflação está alta, os bancos centrais geralmente aumentam as taxas de juros para tentar controlar os preços.
Essa medida encarece o crédito, desestimula o consumo e reduz os investimentos, ajudando a frear a alta dos preços.
O problema é que esse “freio” também tem efeitos colaterais. Se a desaceleração da economia for muito forte, empresas passam a vender menos, adiam projetos de expansão e podem até demitir funcionários.
Nesse cenário, o que era parecia apenas uma estratégia para segurar a inflação pode acabar abrindo espaço para uma recessão.
Ou seja, o mesmo remédio que combate a inflação pode, em doses elevadas, enfraquecer tanto a atividade econômica que leva o país a enfrentar um período de retração. Por isso, os bancos centrais precisam encontrar um equilíbrio delicado e conter a inflação sem comprometer demais o crescimento econômico.
Importância de saber a diferença entre inflação e recessão
Saber distinguir entre inflação e recessão não é apenas uma questão de uma simples curiosidade econômica, isso faz diferença real no cotidiano.
Quando se entende como esses fenômenos funcionam, fica mais fácil interpretar o cenário econômico, planejar melhor as finanças pessoais e até compreender por que determinadas decisões do governo afetam diretamente o bolso.
Pense, por exemplo, em quando os jornais anunciam que o Banco Central aumentou a taxa de juros. Para quem não acompanha de perto, pode parecer apenas mais uma notícia técnica.
Mas, na prática, esse movimento tem impacto imediato pois os empréstimos e financiamentos ficam mais caros, os investimentos em renda fixa passam a render mais, e o consumo tende a diminuir.
Essa medida ajuda a conter a inflação, mas, se for aplicada de forma intensa, pode empurrar a economia para uma recessão.
Ao entender essa dinâmica, é possível tomar decisões mais inteligentes: avaliar se é o momento de investir em aplicações seguras, adiar uma compra parcelada, ou até perceber os sinais de que o mercado de trabalho pode encolher em um período de retração econômica.
Outro ponto importante é a forma como se consome informação. Quem compreende bem a diferença entre inflação e recessão consegue ler notícias de economia com olhar crítico, sem cair em simplificações ou discursos alarmistas.
Assim, além de interpretar melhor os números e indicadores, também fica mais preparado para entender o impacto das políticas públicas no dia a dia da população.
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Fonte: The Know Ledge Academy, G1, Info Money.