24 de setembro de 2025 - por Millena Santos
Os FIIs (Fundos Imobiliários) e os FI-Infras (Fundos de Investimento em Infraestrutura) são duas modalidades de investimento bem populares, mas cada um com foco e características diferentes.
Se você quer entender como funcionam, características ou qual dos dois escolher, acompanhe este texto e veja como esses fundos podem fazer parte da sua carteira de investimentos. Vamos lá?
O que são fundos imobiliários (FIIs)?
Você já pensou em investir no mercado imobiliário sem precisar comprar um imóvel inteiro? É exatamente isso que os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) possibilitam.
Eles funcionam como uma espécie de grupo de investidores em que várias pessoas aplicam seu dinheiro em conjunto, formando um patrimônio coletivo que será destinado a projetos e ativos ligados ao setor imobiliário.
Esses ativos podem ser bem variados, desde a compra e administração de prédios comerciais, shoppings e hospitais até a aquisição de títulos de crédito imobiliário.
Ou seja, ao investir em um FII, você passa a ter uma pequena fração de grandes empreendimentos, sem toda a burocracia e altos custos de adquirir um imóvel por conta própria.
Os FIIs foram criados no Brasil pela Lei nº 8.668/93 e são fiscalizados e regulamentados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), por meio da Instrução nº 472/08.
Essa base legal, sem dúvidas, garante mais segurança e transparência tanto para os gestores dos fundos quanto para os investidores.
Características dos FIIs
Investimento no setor imobiliário
Os FIIs podem aplicar tanto em imóveis físicos, como shoppings, hospitais e galpões logísticos, quanto em títulos ligados ao mercado imobiliário, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).
Assim, o investidor participa de grandes empreendimentos mesmo com valores mais acessíveis.
Rendimento mensal
Uma das grandes vantagens desse tipo de investimento é a possibilidade de receber rendimentos periódicos, geralmente mensais, provenientes de aluguéis ou juros dos títulos.
Para muitos investidores, essa é uma forma prática de criar uma fonte de renda passiva.
Isenção de Imposto de Renda
Pessoas físicas que investem em FIIs e seguem alguns requisitos, como ter menos de 10% das cotas do fundo e negociar em bolsa, podem usufruir de isenção de IR sobre os rendimentos mensais, o que aumenta a atratividade desse tipo de investimento.
Liquidez em bolsa
Por fim, diferente da compra direta de um imóvel, vender uma cota de FII é simples: basta negociá-la no home broker, assim como acontece com ações.
Isso dá ao investidor mais flexibilidade para entrar ou sair da posição quando desejar.
O que são fundos de infraestrutura (FI-Infras)?
Os Fundos de Investimento em Infraestrutura, também conhecidos como FI-Infras, são uma forma de reunir investidores que desejam aplicar seus recursos em projetos ligados ao desenvolvimento do país.
Por isso, em vez de investir sozinho em grandes empreendimentos, o investidor participa de um grupo organizado de aplicações, voltado especificamente para financiar obras e serviços essenciais.
Esses fundos direcionam recursos para setores estratégicos da economia, como:
- Energia: projetos de geração, transmissão e distribuição elétrica;
- Telecomunicações: expansão da conectividade e modernização tecnológica;
- Água e saneamento: obras de abastecimento, tratamento e infraestrutura sanitária.
O grande diferencial dos FI-Infras é que eles não apenas oferecem uma oportunidade de investimento, mas também contribuem diretamente para o crescimento e a modernização do país, financiando áreas fundamentais para a qualidade de vida da população e para a competitividade econômica.
- Leia também: Vale a pena investir nos FI Infras?
Características dos FI-Infras
Entre as principais características dos FI-Infras, vale citar:
- Isenção de imposto para pessoas físicas: os rendimentos distribuídos pelos FI-Infras, em muitos casos, são isentos de Imposto de Renda para investidores pessoas físicas, o que aumenta a atratividade do investimento.
- Pagamento de dividendos periódicos: assim como ocorre em alguns fundos imobiliários, os FI-Infras costumam distribuir parte dos lucros aos cotistas de forma recorrente, proporcionando uma renda passiva interessante.
- Alíquota zero de imposto sobre o lucro dentro do fundo: a tributação não ocorre sobre os ganhos obtidos pelo fundo, mas sim (quando aplicável) no momento do recebimento pelos investidores, o que favorece o crescimento do capital investido.
- Foco em infraestrutura: o patrimônio dos FI-Infras é destinado a projetos que envolvem áreas essenciais, como energia, telecomunicações, transporte, água e saneamento, reforçando sua importância para o desenvolvimento econômico do país.
- Diversificação da carteira: o investir em um FI-Infra, o cotista não está apostando em um único projeto, mas em um conjunto de empreendimentos, o que reduz riscos e aumenta as possibilidades de retorno.
Quais as diferenças entre FIIs e FI-Infras?
1- Pagamento de dividendos
Nos FIIs, existe uma regra legal que determina a distribuição de pelo menos 95% dos lucros apurados em regime de caixa a cada semestre. Isso garante ao investidor uma previsibilidade maior em relação à renda recebida.
Já os FI-Infras não têm essa obrigação, mas muitos fundos escolhem pagar dividendos mensalmente ou de forma periódica para atrair investidores.
2- Setor de atuação
Neste ponto, os FIIs estão ligados principalmente ao mercado imobiliário, investindo em ativos como shoppings, hospitais, lajes corporativas e galpões logísticos.
De forma oposta, os FI-Infras têm como foco os projetos de infraestrutura, direcionando recursos para áreas estratégicas como energia, telecomunicações, transporte, água e saneamento.
3- Tributação e precificação das cotas
Nos dois tipos de fundos, os dividendos distribuídos para pessoas físicas são isentos de Imposto de Renda. No entanto, a tributação aparece no momento da venda das cotas: os ganhos de capital obtidos nos FIIs podem ser taxados, enquanto nos FI-Infras há isenção também nessa etapa.
Além disso, a forma de precificação varia. Os FI-Infras seguem a chamada marcação a mercado, o que significa que o valor das cotas é atualizado diariamente.
Em contrapartida, os FIIs costumam divulgar o valor patrimonial de suas cotas apenas uma vez por mês.
FIIs ou FI-Infras: qual investir?
Essa é uma dúvida bastante comum, e não existe uma resposta única. Afinal, os Fundos Imobiliários (FIIs) e os Fundos de Infraestrutura (FI-Infras) são modalidades diferentes, cada um com suas particularidades e vantagens.
Enquanto os FIIs, como a gente viu, estão mais ligados ao mercado imobiliário, com foco em geração de renda por meio de aluguéis ou valorização de imóveis, os FI-Infras direcionam recursos para projetos de grande impacto nacional, como energia, telecomunicações e saneamento.
Nada impede que o investidor opte por ter os dois na mesma carteira, aproveitando a diversificação que esses ativos proporcionam. Mas antes de tomar qualquer decisão, é fundamental analisar o seu perfil de risco e entender se você se sente confortável com a volatilidade e as características de cada tipo de fundo.
O ideal é sempre buscar informações detalhadas, comparar cenários e, se possível, contar com o apoio de um especialista em investimentos.
Assim, você terá segurança para escolher os ativos que mais combinam com seus objetivos financeiros e com o momento da sua vida.
Semelhanças entre FIIs e FI-Infras
Apesar de investirem em setores diferentes, os FIIs e os FI-Infras compartilham algumas características que os tornam atrativos para investidores.
Uma delas é a distribuição de rendimentos, já que ambos os fundos costumam repassar parte dos lucros aos cotistas, e, em muitos casos, esses pagamentos acontecem mensalmente, funcionando como uma fonte recorrente de renda passiva.
Outra semelhança é que os dois tipos de fundos são negociados na B3, a Bolsa de Valores brasileira. Isso proporciona mais liquidez, transparência e facilidade para comprar ou vender cotas a qualquer momento, sem depender da venda direta de um ativo físico.
Esses pontos em comum fazem dos FIIs e FI-Infras opções interessantes para quem busca diversificação de investimentos, renda periódica e exposição a setores estratégicos da economia, sem precisar administrar os ativos diretamente.
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Fonte: fiis, Seu Dinheiro, Eu quero Investir, finclass.