Fluxo de caixa indireto: o que é, como fazer e quais as vantagens?

Entenda o que é o fluxo de caixa indireto, como elaborá-lo e as vantagens desse método para a gestão financeira da sua empresa.

2 de abril de 2025 - por Nathalia Lourenço


O fluxo de caixa indireto é uma das formas de elaborar a demonstração de fluxo de caixa, um relatório fundamental para a saúde financeira de qualquer empresa. Esse método é amplamente utilizado, especialmente por empresas que adotam a contabilidade baseada no regime de competência.

Neste texto, vamos explicar o que é o fluxo de caixa indireto, como ele pode ser elaborado e quais as principais vantagens desse modelo.

O que é o fluxo de caixa indireto?

O fluxo de caixa indireto é uma das metodologias para elaborar a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC). Ele começa com o lucro líquido da empresa e, a partir desse valor, realiza ajustes para incluir ou excluir itens que não afetam diretamente o caixa, como depreciação, provisões e variações no capital de giro.

Esse método é particularmente útil para empresas que utilizam o regime de competência na contabilidade, registrando receitas e despesas quando ocorrem, independentemente das movimentações de caixa. O fluxo de caixa indireto adapta os resultados contábeis para refletir a realidade do caixa, oferecendo uma visão mais precisa da liquidez da empresa.

Leia mais: Fluxo de caixa livre: o que é e como calcular?

Como fazer o fluxo de caixa indireto?

Para fazer o fluxo de caixa indireto, siga os seguintes passos:

1. Comece com o lucro líquido

Inicie com o lucro líquido do período, que é encontrado na Demonstração de Resultados da empresa.

2. Ajuste para itens não-caixa

  • Adicione ou subtraia os itens que impactam o lucro líquido, mas não envolvem movimentação de caixa, como:
  • Depreciação e amortização
  • Provisões e perdas não realizadas
  • Variações em ativos e passivos não monetários (ex: estoques, contas a receber, contas a pagar)

3. Ajuste para variações no capital de giro

  • Considere as mudanças no capital de giro, que envolvem as contas circulantes da empresa, como:
  • Aumento ou diminuição de estoques
  • Aumento ou diminuição das contas a receber
  • Aumento ou diminuição das contas a pagar

4. Considere as operações financeiras

Adicione ou subtraia os fluxos de caixa relacionados a operações financeiras, como juros pagos e recebidos, e outras movimentações financeiras.

5. Determine o fluxo de caixa operacional

Após esses ajustes, você terá o valor do fluxo de caixa operacional, que reflete a geração ou utilização de caixa das atividades principais da empresa.

6. Apresente os resultados

Organize todos os ajustes e valores em uma tabela, destacando as fontes e usos de caixa, para apresentar o fluxo de caixa indireto de forma clara.

Esse processo permite uma visão mais realista das entradas e saídas de caixa, considerando ajustes contábeis que não envolvem transações em dinheiro, mas afetam o lucro da empresa.

Quais são as vantagens do fluxo de caixa indireto?

1. Facilidade de Preparação

O fluxo de caixa indireto é mais simples de preparar, especialmente para empresas que já possuem a Demonstração de Resultados pronta, pois começa com o lucro líquido.

2. Reflete a Realidade do Caixa

Esse método ajusta o lucro líquido, que pode incluir itens não-caixa, para oferecer uma visão mais precisa de como as atividades operacionais afetam o caixa da empresa.

3. Identificação de Problemas de Liquidez

Ao ajustar o lucro para variações no capital de giro e itens não-caixa, o fluxo de caixa indireto facilita a identificação de potenciais problemas de liquidez, como aumento de contas a pagar ou redução de contas a receber.

4. Análise de Operações Financeiras

O fluxo de caixa indireto permite identificar facilmente os efeitos das operações financeiras (juros, empréstimos, etc.) nas atividades de caixa da empresa, auxiliando na gestão desses fluxos.

5. Compatibilidade com a Contabilidade de Competência

Para empresas que utilizam o regime de competência, o fluxo de caixa indireto é uma maneira eficaz de ajustar os resultados contábeis para refletir a realidade do caixa sem precisar de uma reconciliação completa dos dados financeiros.

6. Melhor Compreensão da Saúde Financeira

Com os ajustes realizados, o fluxo de caixa indireto oferece uma visão detalhada da geração de caixa das atividades operacionais, ajudando a entender melhor a capacidade da empresa de gerar caixa a partir de suas operações principais.

Saiba mais: Necessidade de capital de giro (NCG): o que é e como calcular?

Quais as diferenças entre o fluxo de caixa direto e indireto?

As principais diferenças entre o fluxo de caixa direto e indireto estão no método de cálculo e na forma como as informações são apresentadas. Confira as diferenças a seguir:

1. Método de Cálculo

  • Fluxo de Caixa Direto: Baseia-se diretamente nas entradas e saídas de caixa reais. Registra as transações de caixa de forma clara e objetiva, sem ajustes contábeis.
  • Fluxo de Caixa Indireto: Parte do lucro líquido e faz ajustes para itens que não envolvem movimentação de caixa, como depreciação e variações no capital de giro.

2. Fonte de Informação

  • Fluxo de Caixa Direto: Usa informações provenientes diretamente dos registros de caixa da empresa, como recebimentos de vendas e pagamentos de fornecedores.
  • Fluxo de Caixa Indireto: Começa com o lucro líquido, que é obtido a partir da Demonstração de Resultados, e realiza ajustes para refletir a realidade do caixa.

3. Complexidade

  • Fluxo de Caixa Direto: Pode ser mais trabalhoso de preparar, pois exige o acompanhamento detalhado de todas as entradas e saídas de caixa de forma contínua.
  • Fluxo de Caixa Indireto: É mais simples de ser elaborado quando a empresa já possui a Demonstração de Resultados pronta, pois a partir do lucro líquido, são feitos os ajustes necessários.

4. Transparência

  • Fluxo de Caixa Direto: Proporciona maior transparência, pois mostra diretamente o que entrou e saiu de caixa durante o período.
  • Fluxo de Caixa Indireto: Menos transparente, pois parte do lucro líquido, que inclui itens contábeis que não afetam diretamente o caixa, exigindo ajustes para refletir a realidade financeira.

5. Utilização

  • Fluxo de Caixa Direto: Mais utilizado em empresas menores ou em casos onde é mais fácil controlar os fluxos de caixa diretamente.
  • Fluxo de Caixa Indireto: Mais comum em empresas maiores, especialmente aquelas que utilizam o regime de competência na contabilidade.

6. Facilidade de Análise

  • Fluxo de Caixa Direto: Facilita a análise da geração de caixa real, pois mostra diretamente as transações de caixa, sendo mais adequado para entender a liquidez imediata da empresa.
  • Fluxo de Caixa Indireto: Oferece uma visão mais ajustada e precisa das operações, mas exige uma interpretação mais cuidadosa dos ajustes feitos para compreender completamente a situação de caixa da empresa.

Ambos os métodos são válidos, e a escolha entre um ou outro depende das necessidades específicas da empresa e do tipo de informações que se deseja destacar.

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Fontes: treasy, saipos, americo, quisicontabilidade e allstrategy

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