19 de agosto de 2026 - por Millena Santos
Nem toda estratégia de investimento em ações exige escolher entre ficar 100% exposto à bolsa ou ficar de fora dela. Os fundos long biased surgem justamente nesse espaço intermediário, unindo a busca por retorno da renda variável a mecanismos de proteção que reduzem o impacto das quedas de mercado.
Ao contrário dos fundos que apenas compram e mantêm posição, essa estratégia permite ao gestor operar vendido, aumentar o caixa ou reduzir exposição conforme o cenário econômico se altera.
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O que são fundos long biased?
Fundos long biased investem majoritariamente em ações compradas, mas têm autorização para vender ativos a descoberto quando o gestor identifica risco de queda no mercado ou em papéis específicos.
A gestão define, a cada momento, o percentual da carteira exposto à bolsa: pode chegar perto de 100% comprado em cenários favoráveis ou reduzir essa exposição via aluguel de ações e aumento de caixa quando o risco aumenta.
Essa flexibilidade coloca o fundo em posição intermediária entre um fundo de ações tradicional, sempre comprado, e um long short, que opera livremente nos dois sentidos.
Quais são as características e como funcionam os fundos long biased?
Os fundos long biased funcionam a partir de uma régua de exposição que o gestor movimenta conforme a leitura do mercado, e não de uma alocação fixa em ações.
Diariamente, ele acompanha indicadores econômicos, resultados de empresas e sinais de risco para decidir se aumenta a posição comprada, aluga papéis para vender a descoberto ou simplesmente eleva o caixa até que o cenário fique mais claro.
Essa capacidade de alternar entre proteção e agressividade é o que sustenta a estratégia: em vez de depender só de um mercado em alta constante para gerar retorno, o fundo tenta extrair resultado também de quedas pontuais e de fases sem tendência definida, quando ações individuais sobem e descem sem um movimento único de bolsa.
Outra característica é o uso do aluguel de ações como ferramenta de hedge, mecanismo que permite ao gestor lucrar com a desvalorização de um papel específico sem precisar zerar toda a carteira comprada.
Com isso, o fundo consegue suavizar oscilações bruscas e entregar uma trajetória de retorno menos dependente do timing perfeito de entrada e saída do mercado, algo raro em estratégias que só compram ações.
Vantagens e desvantagens dos fundos long biased
Do lado positivo, o investidor ganha acesso a uma gestão que pode se mover para proteger o capital justamente quando o mercado fica turbulento, algo que um fundo de ações tradicional não faz por definição.
Essa margem para operar vendido ou recolher para o caixa tende a suavizar quedas bruscas e reduzir a montanha-russa de retornos, sem abrir mão do potencial de ganho da bolsa.
Fundos long biased enquadrados como fundos de ações pagam apenas 15% de imposto de renda sobre o lucro, taxa fixa que independe do prazo de aplicação, e ainda escapam do come-cotas, aquele desconto semestral automático que corrói a rentabilidade de outros tipos de fundo.
Do lado oposto, a mesma flexibilidade que protege o capital também eleva a régua de exigência sobre o gestor. Errar o timing de uma posição vendida custa caro, e apostar contra o mercado no momento errado pode gerar prejuízo justamente quando a bolsa como um todo está subindo.
Há ainda um efeito colateral pouco falado: em rallys fortes e generalizados, um fundo que mantém parte do caixa reservado ou posições de proteção acaba rendendo menos que um fundo 100% comprado, já que parte do capital fica fora do movimento de alta.
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Como investir em fundos long biased?
O primeiro passo é ter conta aberta numa corretora que disponibilize esse tipo de veículo, já que nem toda plataforma trabalha com a variedade completa de gestoras do mercado.
A partir daí, o trabalho de casa começa antes de qualquer aporte: vale conferir se o próprio perfil de investidor tolera as oscilações de uma carteira que transita entre posições compradas e vendidas, já que essa combinação costuma se encaixar melhor em quem tem perfil moderado para cima.
Feita essa checagem, a escolha do produto pede atenção a alguns números concretos, como o aporte mínimo exigido, as taxas de administração e performance, o prazo para resgate das cotas e o histórico de retorno da equipe de gestão em diferentes ciclos de mercado, não só nos períodos de alta.
Com o dinheiro já disponível na conta da corretora, a aplicação em si é simples: busca-se o nome do fundo na plataforma, digita-se o valor a ser investido e confirma-se a operação.
Antes de finalizar, porém, compensa dedicar alguns minutos à lâmina e ao regulamento do produto, documentos que detalham como o gestor costuma montar as posições e, principalmente, esclarecem se a tributação segue as regras de fundos de ações ou de multimercados, diferença que impacta diretamente o quanto sobra de retorno líquido no bolso do investidor.
Diferença entre fundos long biased, long only e long short
Bom, quem opta por um fundo long only compra ações e fica com elas, ponto final: a regulamentação obriga que pelo menos 67% do patrimônio esteja alocado em ações ou BDRs, e a única defesa possível diante de uma queda é recolher parte do dinheiro para o caixa, já que vender a descoberto está fora de cogitação.
Por isso, esse tipo de carteira tende a andar bem próximo do Ibovespa, subindo e descendo praticamente junto com o índice.
Já a modalidade que combina compra com espaço para posições vendidas ocupa um território intermediário: o gestor mantém preferência pelas ações, mas ganha munição extra para se proteger ou até lucrar quando o mercado desanima, o que reduz a correlação direta com o índice e entrega uma trajetória mais suave.
O contraste fica ainda mais nítido quando se olha para os fundos long short, que abandonam de vez a lógica de acompanhar a bolsa.
Aqui o jogo é outro: o gestor monta pares de operações, compra um ativo que considera subvalorizado e vende outro que julga caro, apostando na diferença de desempenho entre os dois, não na direção geral do mercado.
Como as posições compradas e vendidas tendem a se equilibrar, a exposição líquida pode chegar perto de zero, e o resultado passa a depender quase exclusivamente do faro do gestor para escolher os ativos certos, não de um mercado em alta.
Não à toa, o CDI costuma ser a régua usada para medir o desempenho desses fundos, já que a meta é entregar retorno consistente mesmo com a bolsa andando de lado ou em queda.
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