Peça demissão, seu emprego não vale a pena

17 de dezembro de 2025 - por Thiago


Essa é uma das perguntas mais comuns entre profissionais que trabalham como CLT e sonham em ter o próprio negócio: quando é o momento certo de pedir demissão para empreender?

A resposta curta é: não existe uma fórmula única. Não há idade ideal, valor mágico guardado ou momento perfeito. A resposta depende do tipo de negócio que você quer construir, da sua realidade financeira e, principalmente, do quanto você se preparou antes de tomar essa decisão.

E antes de tudo, é importante entender que empreender não começa, necessariamente, pedindo demissão. Um dos maiores mitos sobre empreendedorismo é a ideia de “largar tudo” e começar do zero. Na prática, esse é um dos caminhos mais rápidos para o fracasso.

A maioria das pessoas que empreendem com sucesso não começa sem renda, nem sem preparo. O empreendedor CLT precisa, antes de tudo, usar o emprego como ferramenta de aprendizado e estrutura.

Veja mais: Mitos e verdades sobre empreendedorismo que devemos conhecer

Fase 1: CLT estudioso

Essa é a fase mais negligenciada e uma das mais importantes.

E “estudar” não significa apenas consumir vídeos, cursos ou livros. O verdadeiro aprendizado vem da vivência dentro de empresas, especialmente daquelas que estão em fase inicial ou de crescimento.

O que faz diferença nessa fase?

  • Trabalhar em empresas menores, onde é possível:
  • Entender decisões estratégicas
  • Acompanhar erros e acertos
  • Ter contato direto com fundadores e líderes

Observe como o dinheiro entra e sai, como as decisões são tomadas e os problemas reais que aparecem. Empresas muito grandes dificultam esse aprendizado, porque diluem responsabilidades e afastam você da visão do negócio como um todo.

Aqui, você aprende a empreender com o dinheiro dos outros e com risco baixo.

Fase 2: acumular capital para viver, não para investir

Antes de empreender, você precisa de dinheiro. Mas não do jeito que muita gente imagina.

Não é dinheiro para abrir o negócio, não é capital para investir em estrutura e também não é empréstimo bancário. É dinheiro para se manter vivendo.

O ideal é ter pelo menos dois anos dos seus custos fixos guardados: moradia, alimentação, transporte e contas básicas. Esse valor não é reserva de emergência. É reserva de tranquilidade.

Empreender sem essa base gera: pressão excessiva, decisões ruins, retiradas precoces do negócio e ansiedade constante. Negócios precisam de tempo para maturar e esse tempo só existe quando você não depende deles para pagar as contas no curto prazo.

Esse dinheiro cai na conta. A pergunta é onde ele fica depois

A maior parte das pessoas recebe, usa e não sobra nada. Decidir o destino antes de receber muda o resultado.
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Fase 3: conciliar trabalho e negócio

Ao contrário do que a internet vende, o caminho mais comum não é pedir demissão imediatamente.

Nesta fase, o empreendedor: mantém o emprego, desenvolve o negócio em paralelo, testa ideias, ajusta o modelo e valida se existe demanda real.

Esse é um período difícil, cansativo e pouco glamoroso, mas extremamente estratégico.

O desfecho costuma ser um destes:

  • O negócio cresce e justifica a dedicação integral
  • O negócio não funciona, e você recua sem quebrar

Ambos são bons resultados. Pedir demissão antes dessa validação aumenta drasticamente o risco, porque o nível de pressão passa a atrapalhar mais do que ajudar.

Negócios digitais tendem a ser mais seguros no início. Empreendimentos que exigem estoque, ponto físico, funcionários, licenças e fiscalizações oferecem risco muito maior para iniciantes.

Por isso, empreendimentos digitais costumam ser mais indicados para iniciantes. Boas opções são: prestação de serviços, agências, produção de conteúdo, como um canal no YouTube. Eles permitem testar, errar e ajustar com custo muito menor.

Leia mais: 15 investimentos ótimos para empreendedores

Teste o negócio em pequena escala antes de largar o emprego

Um negócio não tem obrigação de dar lucro no prazo de que você precisa. Ele dá lucro no prazo natural de maturação: se uma hamburgueria leva um ano para dar lucro, vai levar um ano com você empregado ou desempregado. A diferença é que, empregado, você aguenta esperar.

Por isso, teste em escala menor. Em vez de abrir todos os dias, abra só no fim de semana, depois experimente um feriado ou uma segunda-feira e veja se a demanda justifica ampliar. O mesmo raciocínio vale para qualquer negócio: aumentar a aposta só depois de ver resultado.

E desconfie do mito de fundação. As histórias de quem começou na garagem com uma ideia genial costumam deixar de fora o que realmente fez diferença. Pergunte a quem tem um negócio que deu certo e você vai perceber que, no começo, essas pessoas tinham outras fontes de renda.

Fase 4: blindar o negócio

Quando o negócio começa a gerar dinheiro, surge um novo risco: o excesso de confiança.

Esse é o momento ideal para estruturar processos, pensar em sócios complementares, buscar investidores (se fizer sentido) e criar mecanismos de proteção financeira.

Curiosamente, o melhor sócio nem sempre é o mais entusiasmado, mas sim o mais cauteloso. Pessoas que questionam decisões ajudam a evitar erros grandes demais.

Outro erro comum é tentar criar algo totalmente inovador logo no início. Mercados cheios existem por um motivo: funcionam. É mais inteligente inovar com consistência, não com risco extremo. Entrar em um mercado validado, entender como ele opera e melhorar pequenos pontos.

Empreender não é um salto de fé. É um processo de construção. Quer entender melhor sobre todo esse passo a passo? Então, assista ao vídeo em que explico detalhadamente sobre!

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Perguntas frequentes

Qual é a hora certa de pedir demissão para empreender?

Não existe idade ou valor padrão: depende do negócio que você quer construir. O caminho mais seguro é tocar o negócio em paralelo ao emprego e só sair quando ele já justificar dedicação integral, com pelo menos dois anos de custos fixos guardados.

Quanto dinheiro guardar antes de empreender?

Pelo menos dois anos dos seus custos fixos, como moradia, alimentação, transporte e contas básicas. Esse dinheiro é para você viver, não para colocar no negócio, e não deve ser confundido com a reserva de emergência.

Por que trabalhar em uma empresa pequena antes de abrir a sua?

Porque em uma empresa pequena você tem contato com os fundadores, ouve as decisões e entende como o negócio funciona, com risco baixo. Em uma empresa de cinco pessoas, cada funcionário responde por 20% do resultado, então o seu trabalho faz diferença de verdade. A sugestão do vídeo é ficar nessa fase por um a dois anos.

Quem é o melhor sócio para um negócio que começou a dar certo?

O mais cauteloso: aquele amigo que avisou que ia dar errado. Ele entra quando o negócio já dá dinheiro, com participação menor, e ajuda a evitar riscos grandes demais. Sem essa pessoa, a alternativa é buscar investidores.

Leia também: 10 dicas importantes para quem quer largar a CLT e empreender

Dois caminhos de quem já fez a transição

No fim do vídeo, dois empreendedores contam como saíram da CLT. Uma advogada tributarista tinha uma loja virtual de roupas e acessórios infantis como renda extra e só pediu demissão quando a loja passou a render o mesmo que ela ganhava como advogada. O plano B virou plano A.

O outro fez o caminho oposto: tinha uma carreira de supervisor em uma grande empresa e decidiu se jogar de uma vez. Ainda não tinha família nem grandes responsabilidades e morava com os pais, o que funcionou como colchão. A empresa dele já tem 24 anos.

Os dois casos mostram a mesma lógica: ou você empreende em paralelo até o negócio igualar o salário, ou só se joga se tiver um colchão que segure a sua vida enquanto o negócio amadurece.

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