Um jeito de investir totalmente novo e 100% melhor

26 de junho de 2026 - por raulsena1


Hoje vou te mostrar um horizonte de possibilidades e como fazer comparações reais entre diferentes tipos de investimento, que podem mudar completamente a sua forma de investir. Você vai entender como ela funciona hoje, como deve funcionar daqui 20 anos e por que estamos exatamente no meio dessa transição.

Fundos de investimento

A primeira coisa que precisa ficar clara é que hoje a maior parte do dinheiro dos brasileiros que investem ainda está dentro de fundos de investimento. Durante muitos anos, bancos e corretoras só ofereciam isso.

E esses fundos têm um problema que pouca gente quer discutir, principalmente os próprios gestores. Todo fundo cobra taxa de administração e, geralmente, taxa de performance. Antigamente isso doía menos porque ainda existia taxa de custódia nas corretoras, então mesmo investindo sozinho você pagava algo.

No entanto, essa taxa de custódia foi extinta, mas os fundos mantiveram a taxa de administração alta. Hoje, um fundo “normal” no Brasil cobra cerca de 2% ao ano (fundos imobiliários costumam cobrar bem menos). E não acaba por aí, a maioria cobra 20% de performance sobre o que exceder o benchmark, geralmente CDI ou Selic.

O problema não está exatamente na cobrança em si. Quando a taxa se paga, tudo bem. Olha o caso do fundo Medallion, que cobra 5% de administração e até 44% de performance, mas entrega 39% ao ano líquidos por décadas. É caro, mas o alfa é consistente.

No Brasil a realidade é outra: uma indústria de alta volatilidade que cobra 2% + 20% de performance para entregar, em média, 110% do CDI, o que muitas vezes acaba ficando abaixo do CDI líquido de taxas.

Como o Brasil chegou nessa situação?

Dá para resumir essa história em fases. De 1950 a 1970, os primeiros fundos surgiram concentrados nos bancos, sem gestoras independentes. Em 2004, veio o primeiro ETF brasileiro, diferente dos fundos por ser negociado direto em bolsa, com gestão passiva e sem gestor por trás.

De 2012 a 2019, veio o boom dos investimentos com a chegada das plataformas digitais e dos fundos multimercados, que antes ficavam reservados para clientes ricos. A Ágora, comprada depois pelo Bradesco, era praticamente a XP da época. Junto com isso, cresceu a criação de conteúdo no YouTube ensinando a investir direto.

De 2016 a 2020, a Selic despencou de 14,25% para 2% ao ano, e a maré virou: muita gente passou a investir direto na própria Selic. De 2021 a 2023, os juros voltaram a dois dígitos e a renda fixa voltou a competir.

E agora, de 2024 a 2026, todo mundo percebeu que esses fundos não entregavam o prometido e ainda cobravam taxas absurdas demais.

O ciclo da Selic

Vale entender esse ciclo porque ele ajuda a explicar tudo. Em 2016, com a Selic em 14%, uma taxa de 2% de administração incomodava pouco, porque ainda sobrava 12% de rentabilidade.

Entre 2017 e 2018, a Selic foi para 7%. Em 2019, caiu para 5% e a bolsa começou a subir. Só que os fundos de renda fixa começaram a entregar apenas 3% líquidos, e isso mudou a cabeça do investidor.

Em 2020, no pico da pandemia, a Selic foi a 2%, derrubando tudo. Depois ela voltou a subir forte, pegando muita gente posicionada em fundos de renda variável. Aí a paciência com fundos que não entregavam simplesmente acabou.

A virada

Foi nesse cenário que ganhou força a ideia de um cara meio esquecido do mercado americano: John Bogle. A frase dele resume bem o problema: quanto mais gestores e corretores tiram, menos sobra para o investidor.

Bogle fundou a Vanguard que hoje é uma das maiores gestoras do planeta e criou o primeiro fundo de índice: o S&P 500.

A linha do tempo dele é direta: em 1951, apresentou uma tese em Princeton mostrando que a maioria dos fundos não supera o mercado. Hoje, mais de 60% do dinheiro dos americanos já está em fundos de índice. No entanto, no Brasil estamos bem longe disso ainda.

O efeito real das taxas no seu bolso

Fazendo as contas: R$ 100 mil investidos a 10% ao ano, com e sem uma taxa de 2% (sem nem contar performance). Sem taxa, o patrimônio final chega a R$ 1,74 milhão. Com taxa de 2% ao ano, cai para R$ 1,01 milhão. Isso significa que 42% do patrimônio acumulado em 30 anos foi consumido só pela taxa de administração.

Claro que, se você está pagando uma taxa em troca de um retorno consistentemente acima do mercado (como no caso do Medallion), isso se paga. O problema é que esse não é o cenário da maioria.

Dados mostram isso com clareza: 100% dos fundos de ações globais ficaram abaixo do índice em 10 anos. Em large caps, 80,9% dos fundos ficaram abaixo. Em small e mid caps, 88%. Em ações do Brasil, 91,7%. Em ações dos EUA, 93,6%. Existem exceções e gestores muito bons, especialmente em nichos menos eficientes como small caps, onde cerca de 12% da indústria ainda gera alfa relevante. Mas são exceções e identificar isso com antecedência é a parte difícil.

Você consegue bater os gestores profissionais?

Investindo direto, você não paga taxa de administração nem performance, tem controle total da sua carteira, conta com isenção de Imposto de Renda até R$ 20 mil por mês em ações à vista e corretagem praticamente zerada na maioria das corretoras hoje.

Mesmo optando por uma consultoria ou assessoria fee-based, o custo costuma ser bem menor que o de um fundo tradicional, com a vantagem extra de receber uma estratégia pensada para o seu perfil, e não uma cesta genérica.

Isso não significa que investir sozinho é simples. Exige conhecimento, tempo, estudo e disciplina emocional nas quedas, já que você não tem a sensação de estar “protegido” atrás da figura de um gestor. Também existe risco de concentração se a diversificação não for bem feita, o que exige mais capital (a não ser que você use ETFs).

ETFs: o meio-termo

Para quem quer um caminho entre “fazer tudo sozinho” e “deixar nas mãos de alguém”, os ETFs são uma boa alternativa. No Brasil já existem opções para diferentes perfis e objetivos, cobrindo desde o índice mais amplo da bolsa até renda fixa e renda passiva.

As vantagens são claras: taxa baixíssima (abaixo de 1% ao ano), sem taxa de performance, diversificação automática e instantânea, liquidez imediata (sem aquela espera de 30 dias para resgate típica de fundos) e, no caso de ETFs de renda fixa, isenção de come-cotas e IOF.

O ponto de atenção é que você vai receber a média do mercado, não vai bater o índice. ETFs de ações pagam 15% de imposto sobre o ganho e não têm a isenção dos R$ 20 mil mensais que as ações diretas têm. Existe também um pequeno spread embutido no preço, já que quem forma o mercado também ganha alguma coisa em cima disso. Mas, no geral, é uma alternativa muito mais transparente e barata que o modelo tradicional.

Enquanto os multimercados sangram resgates, o patrimônio em ETFs praticamente dobrou: de 54 bilhões de reais em dezembro de 2024 para 91 bilhões em dezembro de 2025, um crescimento de 68% em um único ano.

O número de investidores em ETFs saltou de 288 mil para quase 900 mil no mesmo período. A quantidade de produtos listados também cresceu, de 30 para 500. Mesmo assim, isso ainda representa menos de 1% da indústria brasileira, contra 33% nos Estados Unidos. Ou seja, ainda existe um oceano de crescimento pela frente.

Vale a pena confiar em gestores?

Eu faço parte tanto da indústria de consultoria, quanto da indústria de ETFs, então sim, tenho viés nessa discussão. Mas é um viés que, na minha visão, empurra a indústria para um lugar melhor para o investidor final.

Dito isso, existem situações em que um bom gestor realmente compensa: mercados menos eficientes, como crédito privado e nichos de menor liquidez. Nesses casos, um histórico comprovado de disciplina pode justificar a taxa, principalmente para quem aguenta longos períodos sem resgatar.

Como investir melhor

No fim das contas, dá para comparar os três caminhos de forma simples. Investir direto tem custo zero de administração e performance, mas exige bastante esforço e conhecimento, com diversificação dependendo inteiramente de você.

Particularmente, continuo achando que investir direto é o cenário ideal, mas os ETFs e as boas assessorias, sem conflito de interesse são um excelente segundo lugar. O único modelo que realmente não faz mais sentido, na minha visão, é o fundo tradicional. Ele teve seu papel histórico importante na popularização dos investimentos no Brasil, mas a estrutura de custos simplesmente não se sustenta mais diante das alternativas disponíveis hoje.

Quer entender melhor sobre tudo isso que expliquei aqui? Então, assista ao vídeo em que detalho mais sobre!

E se você quer aprender a investir por conta própria, te convido a conhecer a AUVP, que é nossa escola de investimentos. Faça a sua análise de perfil e se você receber aprovação, além de utilizar um sistema inteligente para a gestão de seus ativos, você vai aprender a investir no Brasil e no mundo inteiro.

Por que a elite brasileira NÃO está investindo?

E para ficar por dentro das principais informações do mercado financeiro, acompanhe os conteúdos do canal @investidorsardinha e do perfil @oraulsena no Instagram.

Leia também: Robôs estão inflando empresas sem querer? Esse estudo é muito estranho

Essa renda fixa paga muito mais que a Selic. Vale o risco?

CDB a 135% do CDI compensa?

Trump ficou doidão e taxou o Brasil agressivamente

O fim do Bitcoin está próximo?