16 de setembro de 2025 - por Sidemar Castro
O risco sacado é uma forma de antecipar o pagamento ao fornecedor, mas sem que ele fique com o risco de não receber. Quem assume esse risco é a empresa compradora, conhecida como empresa âncora.
Ela organiza tudo com uma instituição financeira, que paga o fornecedor à vista, com um pequeno desconto, e depois cobra o valor da empresa âncora na data original da fatura.
É uma solução que ajuda a manter o fluxo de caixa dos fornecedores sem comprometer a operação. Leia e entenda!
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O que é risco sacado?
Risco sacado (também chamado de confirming ou supply chain finance) é uma operação financeira em que um fornecedor pode antecipar o recebimento de valores que só seriam pagos pela empresa compradora (“sacado”) numa data futura. A instituição financeira assume o pagamento antecipado ao fornecedor, e a empresa compradora depois paga ao financiador no vencimento.
Esta modalidade permite ao sacado alongar prazos de pagamento, aliviando seu fluxo de caixa, enquanto o fornecedor consegue liquidez imediata. A partir de 2024, há normas contábeis exigindo mais transparência nas demonstrações financeiras sobre essas operações.
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Como funciona a operação de risco sacado?
Funciona assim: o fornecedor vende um produto ou serviço e emite uma nota fiscal com prazo de pagamento, digamos, 60 dias. Em vez de esperar esse tempo, ele pode pedir a antecipação do valor a uma instituição financeira. Essa instituição paga o fornecedor à vista, com um pequeno desconto, e depois cobra o valor integral da empresa compradora na data combinada.
A grande sacada é que o risco de inadimplência não fica com o fornecedor, mas sim com a empresa compradora, que já tem um acordo com o banco ou fintech para viabilizar essa operação. Isso dá mais segurança ao fornecedor e melhora o fluxo de caixa da empresa compradora, que pode manter prazos mais longos sem prejudicar seus parceiros comerciais.
Vantagens do risco sacado
Para a empresa compradora, a grande vantagem está em conseguir alongar os prazos de pagamento. Isso significa que ela pode manter o compromisso com seus fornecedores, mas sem comprometer tanto o seu fluxo de caixa no curto prazo, mais folga para investir, planejar ou simplesmente respirar financeiramente.
Para os fornecedores, a vantagem é ter acesso ao valor que deveriam receber só no futuro, de imediato. Em vez de esperar que o comprador quite a fatura, eles podem antecipar esse recebimento junto a uma instituição financeira.
Esse recurso antecipado pode fazer diferença para honrar despesas, investir em estoque ou aproveitar oportunidades de crescimento.
Além disso, o risco sacado costuma oferecer taxas mais equilibradas, porque o risco passa a recair mais sobre o comprador (que geralmente tem uma estrutura maior e mais confiável) do que sobre o fornecedor.
Outro ponto importante é que essa operação traz previsibilidade. Quem entrega um produto ou presta um serviço sabe quando vai ter o dinheiro, ou ao menos maior clareza sobre prazos. E para quem compra, esse modelo ajuda a organizar melhor as contas a pagar, sem surpresas, mantendo boas relações com fornecedores, afinal, oferecer a antecipação pode fortalecer a parceria.
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Desvantagens do risco sacado?
Apesar de suas vantagens, o risco sacado traz algumas desvantagens que precisam ser consideradas. Em primeiro lugar, quando os juros estão altos, essa modalidade pode encarecer bastante o custo financeiro da empresa compradora, comprometendo margens.
Também há risco de distorção contábil: se a empresa tratá-lo apenas como “contas a pagar” sem evidenciar apropriadamente o passivo oneroso ou o custo presente, isso pode mascarar verdadeiramente quanto ela está devendo, levando a análises imprecisas por investidores ou credores.
Outra desvantagem é que a dependência do mecanismo pode aumentar: se a empresa depender demais dessa ferramenta para seu capital de giro, qualquer subida de taxa ou mudança nas regras pode gerar impacto sério.
Por fim, há custos de transação e exigências documentais que podem ser pesadas, tanto para a empresa quanto para o fornecedor, dependendo da instituição financeira envolvida.
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Como fazer a contratação do risco sacado?
1) Verificar se a nota fiscal já foi emitida ou se o serviço/produto já foi entregue
Antes de qualquer coisa, é fundamental que o fornecedor tenha a nota fiscal emitida ou que o serviço/produto tenha sido efetivamente prestado. Sem isso, não há o que antecipar.
2) Confirmar quem será o sacado (empresa compradora) e suas condições de crédito
É necessário saber qual empresa irá assumir a dívida futura (o sacado), checar se ela tem boa reputação de pagamento, histórico, se está apta a assinar compromisso de pagamento. Isso ajuda a instituição financeira a aceitar o risco.
3) Entrar em contato com uma instituição financeira ou banco que ofereça risco sacado
Você deve procurar um banco ou instituição especializada que faça antecipação de recebíveis sob a modalidade risco sacado. Pode também verificar se a empresa compradora já trabalha com algum banco que ofereça esse serviço.
4) Fazer simulação da operação
Solicitar uma simulação: qual será o valor antecipado líquido (já descontadas as tarifas/taxas), qual será o deságio cobrado, prazo de vencimento, valor a ser pago pelo sacado na data combinada etc. Isso ajuda a entender se vale a pena para ambas as partes.
5) Analisar e aprovar crédito da operação
A instituição financeira fará uma análise de crédito do sacado (empresa compradora), para aprovar ou não o risco sacado. Essa análise avalia a capacidade de pagamento, eventuais garantias, histórico etc.
6) Assinar contrato ou termo de compromisso
Depois de aprovada a operação, fornecedor, sacado e a instituição financeira (quando aplicável) formalizam por contrato ou termo de compromisso os detalhes: valor, prazos, taxas, responsabilidades.
7) Liberação do montante ao fornecedor
Com tudo acertado, a instituição financeira realiza o pagamento antecipado ao fornecedor. O valor será líquido, já descontadas as taxas ou deságio acordado.
8) Pagamento pelo sacado na data de vencimento acordada
Na data definida originalmente para o pagamento (da nota ou compromisso), quem deve quitar a obrigação é o sacado, pagando o valor total à instituição ou conforme combinado no contrato.
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Qual a diferença entre o risco sacado e as operações de crédito?
O risco sacado é uma forma de antecipação de recebíveis na qual o fornecedor recebe o valor de uma nota fiscal antes do prazo, com base na segurança do comprador (sacado). Ou seja: quem vai pagar no futuro é a empresa compradora, e não o fornecedor. A instituição financeira que antecipa assume esse risco.
Já nas operações de crédito convencionais, empréstimos, financiamentos ou linhas de crédito, a empresa tomadora assume a responsabilidade total pela dívida, e o custo é calculado com base no risco de quem está pedindo o crédito, não em quem comprou ou contratou o serviço. Os juros costumam ser maiores porque o risco de inadimplência recai sobre o tomador diretamente.
Assim, a principal diferença está em quem “segura o risco” de atraso ou de não pagamento: no risco sacado, é o sacado (cliente do fornecedor) que responde; numa operação de crédito tradicional, é quem toma o recurso.
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Fontes: BTG Pactual, XPI, Invest News, Monkey, Dimensa.