11 de junho de 2026 - por raulsena1
A Apple hoje vale mais de 4,5 trilhões de dólares. Isso é mais de duas vezes o PIB do Brasil e mais do que todas as empresas da bolsa brasileira somadas várias vezes. Desde que chegou na bolsa, a empresa se valorizou incríveis 181.558%.
No entanto, tem uma coisa que está acontecendo e que pode fazer com que essa gigante, simplesmente perca o controle sobre seu próprio negócio.
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Como a Apple construiu seu jardim murado
Tudo começou lá em 2007, quando Steve Jobs apresentou o primeiro iPhone. O Steve já tinha ouvido de Bill Gates que o futuro seria um “computador de bolso”, e ele levou essa ideia a sério, mais do que ninguém.
Na época, a BlackBerry dominava o mercado com teclados físicos e o sistema de mensagens próprio. A Nokia também era gigante. Quando Jobs mostrou que o teclado ficava na tela e se adaptava ao uso, todo mundo deu risada, mas isso não durou muito.
O iPhone mudou tudo. E o que mudou junto com ele foi o modelo de negócio por trás: a Apple Store. Steve Jobs já previa internamente que cobrar uma comissão de 15% a 30% sobre tudo vendido dentro do app seria o futuro. Quem quiser colocar aplicativo ou fazer vendas dentro do iPhone, paga essa taxa.
Esse modelo foi tão bem-sucedido que virou inspiração para outros negócios, como os aplicativos de delivery que cobram comissão dos restaurantes.
A briga que está sacudindo o mercado
A disputa hoje não é sobre qual celular é melhor, é sobre esse sistema fechado de pagamentos que a Apple controla.
O primeiro grande capítulo foi com a Epic Games, dona do Fortnite. Em 2020, eles criaram um sistema de pagamento próprio dentro do jogo. A Apple baniu o Fortnite da loja e virou processo. A Apple até liberou links externos, mas colocou uma taxa de 27% que tornava qualquer alternativa inviável. Em dezembro de 2025, o Tribunal de Apelações condenou a Apple por desacato, e as cobranças agora só podem refletir custos reais.
Depois vieram as regulações internacionais. Na Europa, o Digital Markets Act obrigou a Apple a aceitar lojas de apps concorrentes no iPhone e multou a empresa em 500 milhões de euros por bloquear links para assinaturas mais baratas. O caso do Spotify é o exemplo mais claro: você não consegue assinar o Spotify de dentro do app, tem que sair e fazer isso pelo navegador. A resposta da Apple foi criar uma nova taxa de 5%, chamada de Core Technology Commission e bloquear o Apple Intelligence na Europa.
Esse cerco se espalhou, o Departamento de Justiça dos EUA abriu processo por monopólio. O Reino Unido exige que carteiras digitais rivais funcionem igual à Apple Pay no iPhone.
Por que isso afeta tanto o resultado da empresa
Aqui está o ponto que muita gente não entende: a Apple Store não é um produto qualquer. Ela tem uma margem de 75%, contra 36% dos produtos físicos. Isso significa que, embora os serviços representem “apenas” 26% da receita total, eles respondem por mais de 40% do lucro bruto da empresa.
Em 2025, a Apple faturou 416 bilhões de dólares no total. Só a divisão de serviços e Apple Store trouxe 109 bilhões. Estima-se que a comissão da loja gere cerca de 27 a 30 bilhões por ano em lucro quase puro, é praticamente tudo intermediação, sem custo de produto físico.
Cada ponto percentual cortado nas taxas da Apple Store cai quase inteiro no lucro da empresa. Por isso os processos regulatórios preocupam, mesmo que o faturamento bata recordes.
Vale a pena investir na Apple hoje
Tem coisa a favor e coisa contra. Do lado positivo: o ecossistema da Apple é extremamente grudento. São mais de 1 bilhão de assinaturas pagas e 2,3 bilhões de dispositivos ativos. Mesmo quem usa iPhone antigo continua pagando iCloud, apps, assinaturas. A margem operacional está em 46,9% e a empresa tem gerado caixa absurdo para recompra de ações.
Do lado negativo: o risco regulatório é real e crescente, e ataca justamente a parte mais lucrativa. O iPhone ainda responde por metade da receita, num mercado maduro onde criar outro produto tão rentável quanto a loja é muito difícil. Há uma percepção de atraso em inteligência artificial comparado aos concorrentes e os fabricantes chineses estão fazendo coisas assustadoras em hardware.
O preço da ação também pesa. A Apple está operando com um P/L de 33, ou seja, você está pagando 33 anos de lucro adiantado. A empresa já está precificada como vencedora, sem muito espaço para surpresas positivas.
A Apple pode estar enfrentando o maior desafio regulatório de sua história, e o desfecho vai depender de decisões que ainda estão sendo tomadas nos tribunais e nos parlamentos do mundo todo.
Quer entender melhor sobre toda essa situação e como ela tem afetado a empresa? Então, assista ao vídeo em que explico mais sobre!
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