Crowding out: o que é e como ocorre esse efeito?

Crowding Out é o efeito econômico em que o aumento dos gastos públicos reduz os investimentos, com a das taxas de juros. Entenda.

26 de maio de 2025 - por Sidemar Castro


Você já ouviu falar em Crowding Out? Esse é um nome complicado para um efeito que pode acontecer quando o governo aumenta seus gastos, principalmente pegando dinheiro emprestado. Nessa situação, ele acaba competindo com empresas e pessoas pelos mesmos recursos disponíveis no mercado — e isso pode fazer os juros subirem.

Com juros mais altos, fica mais caro investir ou tomar crédito. Por isso, tanto empresas quanto consumidores tendem a pisar no freio: investem menos, consomem menos, e a economia privada desacelera. Esse efeito costuma aparecer mais quando a economia já está aquecida. Em tempos de crise, no entanto, o impacto costuma ser menor.

No texto a seguir, vamos explicar de forma simples o que é o Crowding Out e por que ele acontece.

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O que é Crowding Out?

Crowding Out é um daqueles conceitos da economia que, embora pareça técnico, tem tudo a ver com o nosso dia a dia. Ele acontece quando o aumento dos gastos do governo, especialmente quando esse gasto é financiado por dívida, acaba dificultando os investimentos do setor privado.

Para entender melhor, imagine o seguinte: o governo precisa de dinheiro para cobrir um rombo no orçamento. Para isso, ele emite títulos públicos ou toma empréstimos. Ao fazer isso, entra no mercado em busca de recursos, competindo com empresas e pessoas que também precisam de crédito. Com mais gente querendo pegar dinheiro emprestado, os juros sobem. É como se todo mundo estivesse tentando alugar o mesmo apartamento ao mesmo tempo — o preço, naturalmente, vai lá pra cima.

E juros mais altos significam freio nos planos. Empresas podem desistir de investir ou expandir, e famílias pensam duas vezes antes de financiar um carro ou a casa própria. Esse movimento, em que a presença do Estado acaba “espremendo” a atividade privada, é o que os economistas chamam de crowding out ou, em bom português, efeito de expulsão.

Mas o impacto não para por aí. O efeito também pode acontecer de forma mais indireta. Por exemplo, se o governo decide investir pesado em saúde ou educação pública, empresas privadas desses setores podem acabar perdendo espaço, mesmo que ainda exista demanda pelos seus serviços.

É importante lembrar, no entanto, que o crowding out não é uma regra absoluta. Ele depende de vários fatores. Se a economia está com capacidade ociosa, ou seja, sem usar todo o seu potencial, ou se os investidores estão confiantes, o efeito pode ser bem menor. Em alguns casos, o contrário acontece: o investimento público ajuda a movimentar a economia e atrai o setor privado. Esse fenômeno recebe outro nome: crowding in.

O contexto também importa bastante. Em países onde o acesso ao crédito é mais limitado, o efeito tende a ser mais forte. Já em economias mais desenvolvidas ou em momentos de crise, o governo pode ter um papel importante para reaquecer a atividade econômica.

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Para que serve o Crowding Out?

O termo Crowding Out, ou efeito de expulsão, é usado para descrever situações em que o Estado, ao oferecer incentivos ou ampliar sua presença em determinados setores, acaba ocupando espaços que poderiam ser assumidos pela iniciativa privada.

Sob a ótica da economia liberal, que defende um Estado mais enxuto e aposta no setor privado como principal motor do crescimento, esse tipo de intervenção costuma ser visto com cautela. A lógica é simples: em muitos casos, empresas privadas conseguem identificar oportunidades e alocar recursos de forma mais rápida e eficiente do que o poder público.

Nesse cenário, o Crowding Out ajuda a dar nome a um tipo de desequilíbrio. Quando o Estado se antecipa ou interfere demais, pode acabar afastando investidores privados que, diante da presença forte do governo, preferem não competir ou mudam de setor.

O resultado? Menos investimento privado, menor dinamismo e, potencialmente, perda de eficiência na economia como um todo.

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Como funciona o Crowding Out?

O fenômeno do Crowding Out pode ser entendido de forma simples. Imagine um país sem fábricas de tijolos. Ao notar essa ausência, o governo decide construir uma. A intenção é boa, mas isso pode afastar investidores privados que, diante da concorrência direta com o Estado, desistem de entrar no setor. Afinal, competir com o governo, que tem mais recursos e subsídios, não é fácil.

Algo parecido acontece quando o governo oferece crédito subsidiado para determinados setores. Embora pareça um incentivo, isso pode desequilibrar o mercado: empresas que não recebem os mesmos benefícios acabam em desvantagem.

Para sustentar essas políticas, o Estado precisa captar dinheiro, normalmente emitindo títulos públicos. Mas ao fazer isso, ele concorre com o setor privado por recursos no mercado, o que tende a elevar os juros e dificultar o acesso ao crédito para empresas e consumidores.

No fim, o excesso de presença estatal pode afastar investimentos privados e reduzir o ritmo da economia.

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Diferenças entre Crowding Out e Crowding in

No mundo da economia, dois termos parecidos — crowding out e crowding in — ajudam a explicar como os gastos do governo podem afetar o comportamento do setor privado, especialmente quando o assunto é investimento. Apesar de soarem semelhantes, eles representam efeitos opostos e são essenciais para entender como as políticas fiscais influenciam o ritmo da economia.

Crowding Out: O Efeito Deslocamento

O crowding out, ou efeito de deslocamento, acontece quando os gastos do governo acabam dificultando os investimentos do setor privado. Isso costuma ocorrer quando o Estado precisa de dinheiro e emite títulos da dívida pública para financiar obras, programas sociais ou outras políticas.

Ao buscar recursos no mercado, o governo aumenta a concorrência por crédito e, com isso, os juros sobem. Para as empresas, isso significa crédito mais caro, o que pode levar ao adiamento ou cancelamento de projetos de investimento.

Esse efeito é mais forte quando a economia já está aquecida, com poucos recursos sobrando. Nessa disputa, o setor privado pode acabar sendo deixado de lado.

Crowding In: O Efeito Atração

Por outro lado, existe o crowding in, ou efeito de atração, que ocorre justamente quando o aumento dos gastos públicos estimula os investimentos privados.

Isso pode acontecer de diversas formas. Um bom exemplo são os investimentos em infraestrutura, como estradas, portos, energia e saneamento. Quando o governo melhora essas bases, ele está criando um ambiente mais favorável para os negócios. Empresas passam a gastar menos com transporte, têm acesso a mais mercados e veem novas oportunidades surgirem. isso dá confiança para que invistam mais.

Outro caso clássico é durante períodos de recessão ou de capacidade ociosa na economia. Nesses momentos, o consumo cai, as empresas produzem menos, e o setor privado tende a ficar na defensiva. Se o governo entra com mais gasto, isto é, contratando, investindo, movimentando a economia, a demanda geral sobe. Com mais gente comprando, as empresas voltam a ter motivos para investir e crescer. Aqui, o investimento público não expulsa o privado: ele abre caminho para que ele volte a acontecer.

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Diferença principal

A principal diferença entre crowding out e crowding in está em como o gasto do governo impacta o investimento privado.

No crowding out, o governo entra na disputa por recursos financeiros, como ao emitir títulos da dívida, o que eleva os juros e encarece o crédito. Com isso, empresas privadas tendem a investir menos. Esse efeito é mais comum quando a economia já está aquecida, com poucos recursos sobrando.

Já o crowding in ocorre quando os gastos públicos ajudam a destravar ou incentivar o investimento privado. Sendo assim, isso pode acontecer com investimentos em infraestrutura, que tornam o ambiente mais favorável aos negócios, ou em momentos de crise, quando o aumento da demanda ajuda a reativar a economia.

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Fontes: Suno, Investopedia, CFP e Mais Retorno.

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