Dividend Yield: o que é, para que serve e como calcular?

Entenda o que é dividend yield, como calcular, interpretar e usar esse indicador para investir com mais segurança e construir renda passiva na bolsa.

13 de outubro de 2020 - por Jaíne Jehniffer


O dividend yield é um dos indicadores mais comentados entre quem busca renda passiva na bolsa, mas grande parte das pessoas usa esse percentual sem entender o que ele realmente representa, e isso pode levar a decisões equivocadas, já que um número alto nem sempre é sinônimo de bom investimento.

Neste texto, você vai entender como esse indicador funciona, o que influencia sua variação, como calculá-lo e interpretá-lo com segurança, além de descobrir os principais riscos e como ele se compara a conceitos próximos, como dividendos e o yield de Fundos Imobiliários.

O que é dividend yield?

Dividend yield é o indicador que mostra, em termos percentuais, quanto uma empresa paga aos seus acionistas em dividendos e outros proventos, na comparação com o preço atual de suas ações na bolsa.

De modo geral, é uma forma de medir o retorno que um investimento em ações pode gerar puramente pela distribuição de lucros, deixando de lado qualquer ganho (ou perda) com a valorização do papel em si.

Assim, quem investe pensando em construir uma fonte de renda passiva costuma acompanhar de perto esse número, já que ele facilita a comparação entre diferentes empresas listadas e ainda serve como um parâmetro para confrontar a rentabilidade da renda variável com o que se consegue obter em aplicações de renda fixa, como Tesouro Direto ou CDBs.

Para que serve o dividend yield?

O dividend yield ajuda o investidor a decidir se uma ação é uma boa escolha para quem busca renda recorrente. Com ele, é possível enxergar qual empresa devolve proporcionalmente mais dinheiro aos seus sócios via dividendos e qual delas só promete crescimento sem entregar caixa no curto prazo.

Esse número também entra na conta quando alguém está escolhendo entre deixar o dinheiro na bolsa ou migrar para aplicações como CDB e Tesouro Direto, pois mostra se o retorno via proventos compensa o risco extra de investir em ações.

Outra utilidade prática surge justamente quando o mercado cai: como o cálculo reage ao preço da ação, quedas bruscas fazem o yield subir, e isso pode indicar tanto uma pechincha real quanto uma armadilha, caso a empresa esteja com problemas estruturais que ainda vão aparecer nos resultados.

Por isso, esse indicador é mais útil quando usado para checar a consistência histórica dos pagamentos e a saúde financeira da companhia, e não apenas para correr atrás do número mais alto do momento, já que dividendo generoso sem lucro sustentável tende a não durar muito tempo.

Fatores que influenciam o dividend yield

O primeiro ponto, e talvez o mais imediato, é o próprio movimento do preço da ação no pregão: como o yield é calculado em cima da cotação atual, qualquer queda no valor do papel empurra o percentual para cima automaticamente, mesmo que a empresa não tenha pago um centavo extra em dividendos, e o caminho inverso também vale quando a ação sobe forte.

Mas o que sustenta esse retorno de verdade não é o preço, e sim a capacidade da empresa de gerar caixa e fechar o balanço no azul, já que negócios endividados ou que estão investindo pesado em expansão costumam ter menos sobra de dinheiro para repartir com os acionistas, mesmo registrando lucro contábil.

Existe também a decisão de quanto a diretoria escolhe distribuir, ou seja, o percentual do lucro que vira dividendo, conhecido como payout, e que pode variar bastante de uma gestão para outra dentro do mesmo setor.

Por fim, fatores que estão fora do controle direto da empresa entram nessa equação: o segmento de atuação pesa muito, com setores mais maduros e estáveis, como energia e saneamento, tendendo a pagar mais regularmente do que empresas em fase de crescimento; o momento da economia também interfere, assim como eventos pontuais e não recorrentes, como a venda de uma unidade de negócio ou de um ativo relevante, que podem inflar o resultado de um único ano e distorcer a leitura do indicador.

Como calcular o dividend yield?

Depois de entender o que move esse indicador para cima ou para baixo, o próximo passo natural é saber como tirar esse número na ponta do lápis, e a conta é mais simples do que parece: basta somar tudo o que a empresa pagou em dividendos por ação nos últimos doze meses e dividir esse valor pela cotação atual do papel, multiplicando o resultado por cem para chegar ao percentual.

Exemplo

Se uma ação custa R$ 50 e pagou R$ 3 em proventos no último ano, o cálculo fica em 3 dividido por 50, multiplicado por cem, resultando em um dividend yield de 6%.

Já uma ação de R$ 20 que distribuiu R$ 1,20 no mesmo período chegaria a um yield também de 6%, mostrando como o preço do papel interfere diretamente na comparação entre empresas de tamanhos diferentes.

Como analisar o dividend yield?

Depois de saber calcular o indicador, o desafio seguinte é interpretá-lo com a cabeça fria, porque número alto nem sempre significa boa notícia: o primeiro cuidado é não cair na armadilha de achar que um yield disparado é sinônimo de empresa sólida, já que muitas vezes esse salto acontece justamente porque a ação despencou de preço, e não porque a companhia está pagando mais.

Por isso, antes de se animar com a porcentagem, vale a pena entender de onde vem o lucro que está sustentando aquele dividendo, separando o que é resultado normal da operação do que é fruto de algo pontual, como a venda de um imóvel ou de uma participação societária, situações que não se repetem todo ano e podem distorcer a real capacidade de pagamento futuro.

Outro ponto que merece atenção é o payout, ou seja, a fatia do lucro que está sendo repartida: quando esse percentual fica muito próximo de 100% ou passa disso, é sinal de alerta, porque a empresa pode estar comprometendo dinheiro que deveria ir para investimentos e crescimento só para manter os acionistas satisfeitos no curto prazo.

Para fechar a análise com mais segurança, o ideal é olhar o histórico de pagamentos em uma janela mais longa, de cinco a dez anos, checando se a empresa manteve regularidade mesmo em momentos difíceis da economia, e colocar esse número lado a lado com a média do setor em que ela atua e com a taxa Selic do momento.

Como descobrir o dividend yield das empresas?

A forma mais prática de encontrar esse dado é consultar plataformas de indicadores financeiros, o próprio home broker da corretora ou relatórios de análise, que costumam trazer o percentual já calculado.

Para dados oficiais e mais confiáveis, o ideal é acessar a página de Relação com Investidores da empresa, onde ficam disponíveis o histórico de proventos e os balanços.

Quem usa ferramentas de gráficos ou terminais de negociação também pode inserir o indicador direto nas telas de cotação, acompanhando em tempo real. Caso o valor não esteja disponível em nenhum lugar, basta calculá-lo manualmente, dividindo o total de dividendos distribuídos pela cotação atual da ação.

Quais são os riscos do dividend yield?

O maior risco de olhar só para esse número é cair na chamada armadilha de rendimento, quando o percentual sobe não porque a empresa está pagando mais, mas porque o preço da ação despencou no mercado.

Nesses casos, o que parece uma oportunidade tentadora costuma ser, na verdade, um sinal de que algo não vai bem nos fundamentos do negócio, seja queda de receita, problemas de gestão ou perspectivas ruins para os próximos resultados.

Por isso, um yield muito acima da média do setor merece desconfiança antes de empolgação, já que dividendo alto sustentado por ação em queda livre tende a não durar muito tempo.

Como investir usando o dividend yield como base?

Antes de montar uma carteira em torno desse indicador, o primeiro passo é ter clareza sobre o objetivo: complementar a renda mensal, construir uma reserva para a aposentadoria ou simplesmente acumular patrimônio no longo prazo, já que essa definição muda totalmente os critérios de escolha das ações.

Na hora de selecionar os papéis, o foco deve estar em empresas com histórico consistente de lucro e pagamento de dividendos, e não simplesmente na ação com o yield mais alto do momento, evitando assim cair nas armadilhas de valor já mencionadas.

Faz parte dessa estratégia checar se o payout está em um nível saudável e se a empresa não está excessivamente endividada, já que isso garante mais segurança de que os pagamentos vão continuar no futuro, além de espalhar os investimentos entre setores historicamente mais estáveis, como energia e saneamento, em vez de concentrar tudo em um único segmento.

Quem reinveste os dividendos recebidos, comprando mais ações com esse dinheiro em vez de gastá-lo, tende a acelerar bastante o crescimento da carteira com o tempo, graças ao efeito dos juros compostos trabalhando a favor do patrimônio.

Por fim, vale sempre comparar o yield obtido com a taxa Selic do momento, pois essa comparação ajuda a confirmar se o risco extra de estar na bolsa realmente compensa em relação à segurança da renda fixa.

Diferenças entre os dividend yield de FIIs e o de ações

A principal diferença está na obrigatoriedade dos pagamentos: enquanto as empresas decidem livremente quanto distribuir, de acordo com seus planos de expansão, os FIIs são obrigados por lei a repassar pelo menos 95% do lucro semestral, gerando pagamentos mensais e mais previsíveis, geralmente vindos de aluguéis.

No quesito tributário, ambos têm isenção para pessoa física, mas as empresas podem pagar parte dos proventos como juros sobre capital próprio, que sofrem retenção de imposto na fonte, enquanto os rendimentos dos FIIs costumam permanecer isentos, respeitadas algumas regras.

Por último, existe uma diferença de propósito: a empresa busca lucro e crescimento, sendo o dividendo uma consequência do resultado, enquanto o FII já nasce com a função de distribuir renda, o que torna seus pagamentos geralmente mais estáveis.

Diferenças entre dividend yield e dividendos

Apesar de andarem sempre juntos, esses dois conceitos não significam a mesma coisa. O dividendo é o valor em dinheiro que efetivamente cai na conta do investidor, proporcional à quantidade de ações que ele possui, ou seja, é o recurso real distribuído pela empresa a partir do lucro gerado.

Em contraposição, o dividend yield é apenas um percentual que relaciona esse pagamento ao preço atual da ação, servindo como ferramenta para comparar a rentabilidade entre ativos diferentes.

Ou seja, o dividendo é o que entra no bolso, enquanto o yield mostra o quão atrativo é esse retorno em relação ao capital investido, podendo variar bastante de acordo com as oscilações do preço da ação no mercado, mesmo que o valor pago em dividendos permaneça igual.

Importância do dividend yield para o investidor

Agora, para quem tem como meta viver de renda passiva, esse indicador é praticamente indispensável, já que oferece uma forma objetiva de medir quanto o capital investido está realmente gerando de retorno em caixa.

Ele também funciona como um filtro natural para identificar empresas maduras, que já consolidaram seu negócio e mantêm o hábito de distribuir lucros com regularidade, o que traz mais tranquilidade ao investidor mesmo em momentos de instabilidade no mercado.

Outro ponto valioso é a possibilidade de usar esse percentual para comparar setores e classes de ativos diferentes, ajudando a decidir se vale mais a pena correr o risco da renda variável ou buscar a segurança da renda fixa. Como o foco está no percentual e não no valor absoluto pago, fica mais fácil avaliar a eficiência real de cada investimento e o custo de oportunidade de escolher uma ação em vez de outra.

No fim das contas, esse indicador é uma peça importante para quem quer montar uma carteira mais sólida, voltada para a geração constante de renda e o crescimento do patrimônio ao longo dos anos.

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