18 de abril de 2025 - por Sidemar Castro
O fisco é a autoridade responsável pela administração e fiscalização dos tributos no Brasil, atuando nas esferas federal, estadual e municipal. Embora muitos o associem apenas ao governo federal, sua atuação é mais abrangente, alcançando todos os níveis de governo.
Em termos tributários, o Fisco exerce controle sobre os principais meios de arrecadação do país. Para regular todas as práticas tributárias em território nacional, o fisco precisa acompanhar de perto como as empresas brasileiras pagam, ou deixam de pagar, seus tributos.
Essa atuação envolve uma fiscalização rigorosa e constante, com o objetivo de assegurar que todas as obrigações fiscais sejam cumpridas conforme a legislação vigente. Entenda como funciona.
O que é o fisco?
Ele representa o Estado na sua função de gestor das finanças públicas, especialmente no que diz respeito aos tributos. Em outras palavras, o fisco é o conjunto de órgãos públicos responsáveis por fiscalizar, arrecadar e controlar os impostos e contribuições, garantindo o cumprimento das leis tributárias por parte de pessoas físicas e jurídicas.
Dessa forma, o fisco atua em diferentes níveis de governo:
- 1) Fisco Federal: Em primeiro lugar, temos o fisco federal, que cuida dos tributos de abrangência nacional, como o Imposto de Renda (IR), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), o Programa de Integração Social (PIS) e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
- 2) Fisco Estadual: Além disso, existe o fisco estadual, que fiscaliza os tributos estaduais, a exemplo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
- 3) Fisco Municipal: Por fim, o fisco municipal se encarrega dos tributos municipais, como o Imposto sobre Serviços (ISS) e o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU).
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Qual é a função do fisco?
Ele tem como principal função fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias por parte de pessoas físicas e jurídicas no Brasil. Por isso, também é conhecido como “administração fiscal” e abrange diferentes órgãos, como a Receita Federal, o INSS e as Secretarias da Fazenda estaduais e municipais.
Esses órgãos são responsáveis por estabelecer as regras de arrecadação, monitorar o pagamento de impostos e analisar as declarações fornecidas pelas empresas.
Caso sejam identificadas irregularidades, o fisco pode realizar auditorias, solicitar explicações, aplicar multas e adotar outras medidas para garantir o cumprimento da legislação tributária.
Como funciona o fisco?
O fisco atua em três esferas: federal, estadual e municipal, cada uma com suas competências específicas para cobrar e fiscalizar os impostos correspondentes.
Fisco Federal
O Fisco Federal é a principal autoridade tributária do país. Ele controla e fiscaliza os impostos de abrangência nacional, ou seja, aqueles que são devidos à União. Entre os principais tributos administrados pelo fisco federal estão:
- Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) e Pessoa Jurídica (IRPJ);
- Programa de Integração Social e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP);
- Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS);
- Instituto Nacional do Seguro Social (INSS);
- Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS);
- Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);
- Imposto de Importação (II).
Esse fisco atua rigidamente para garantir que pessoas físicas e empresas cumpram suas obrigações tributárias, evitando a sonegação e garantindo a arrecadação necessária para o funcionamento do país.
Fisco Estadual
O Fisco Estadual é vinculado ao governo de cada estado e tem a função de fiscalizar e cobrar os tributos estaduais. Os principais impostos sob sua responsabilidade são:
- Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS);
- o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA);
- e Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD).
Cada estado pode definir as alíquotas e regras específicas para esses impostos, o que faz com que haja variações conforme a unidade federativa. O fisco estadual atua para garantir que as empresas e cidadãos cumpram essas obrigações, contribuindo para o orçamento estadual.
Fisco Municipal
O Fisco Municipal gerencia a legislação tributária dentro dos limites de cada município. Ele é responsável por fiscalizar e cobrar os tributos municipais, que são essenciais para o financiamento dos serviços locais. Os principais impostos municipais são:
- Imposto Sobre Serviços (ISS), que incide sobre a prestação de serviços;
- o Imposto Sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), cobrado dos proprietários de imóveis urbanos;
- e o Imposto Sobre Transmissão de Bens Inter Vivos (ITBI), aplicado na transferência de bens imóveis.
Além do recolhimento, o fisco municipal realiza auditorias, inspeções e atualiza a legislação tributária local, garantindo que as regras estejam adequadas à realidade econômica do município. Os recursos arrecadados são fundamentais para investimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura local.
Como evitar problemas com o fisco?
Evitar problemas com o fisco é fundamental para manter a saúde financeira e a reputação da sua empresa ou da sua vida pessoal. Para isso, você deve seguir algumas práticas simples, mas muito eficazes. Veja como agir para ficar em dia com o fisco:
- Mantenha a documentação organizada
Antes de tudo, guarde todos os documentos fiscais, como notas fiscais, recibos e comprovantes de pagamento. Dessa forma, você terá provas claras em caso de fiscalização. Além disso, a organização facilita a declaração correta dos impostos.
- Declare os impostos corretamente e no prazo
Em seguida, preste atenção aos prazos para entregar declarações e pagar tributos. Pagar impostos atrasados gera multas e juros, que podem se acumular rapidamente. Portanto, cumpra sempre os prazos estabelecidos pelo fisco.
- Use sistemas confiáveis de gestão
Além disso, utilize softwares de gestão financeira e contábil para controlar receitas, despesas e impostos. Esses sistemas ajudam a evitar erros de cálculo e facilitam a prestação de contas ao fisco.
- Conte com a ajuda de profissionais
Também é importante contratar um contador ou consultor tributário. Esses especialistas conhecem as leis e podem orientar sobre a melhor forma de cumprir as obrigações fiscais, além de ajudar a identificar oportunidades legais para reduzir impostos.
- Atualize-se sobre a legislação
Por fim, acompanhe as mudanças nas leis tributárias. O fisco atualiza regras com frequência, e estar informado evita surpresas desagradáveis. Assim, você pode adaptar sua gestão e evitar multas ou autuações.
Seguindo essas dicas, você reduz muito as chances de ter problemas com o fisco. Com organização, atenção e a ajuda certa, fica mais fácil cumprir suas obrigações e manter tudo em ordem.
Conheça mais: Impostos diretos e indiretos: o que são e quais são as diferenças?
Obrigações do MEI com o fisco
O Microempreendedor Individual (MEI) tem algumas responsabilidades fiscais básicas que devem ser cumpridas para manter o CNPJ regularizado. São elas:
- Realizar o pagamento mensal do DAS-MEI, que reúne os tributos devidos (ICMS, ISS ou ambos) e a contribuição para o INSS;
- Enviar a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI), informando o faturamento obtido no ano anterior;
- Emitir nota fiscal em todas as vendas ou prestações de serviço feitas para pessoas jurídicas (e também para pessoas físicas, caso o cliente solicite);
- Preencher o relatório mensal de receitas com as movimentações financeiras do negócio.
Essas são as principais obrigações fiscais do MEI, que garantem a regularidade da empresa junto ao fisco e evitam pendências legais.
Vale destacar que essas exigências são bem mais simples se comparadas às de outros regimes tributários, como o Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real. Essa simplicidade, aliás, é uma das maiores vantagens de ser MEI: menos burocracia e mais facilidade na gestão do negócio.
O que significa “cair no fisco”?
“Cair no fisco” é uma expressão popular que significa ter alguma pendência ou problema com a Receita Federal, ou seja, com o órgão responsável pela administração dos tributos no Brasil. Em outras palavras, quando alguém “cai no fisco”, geralmente indica que essa pessoa ou empresa está sendo investigada ou notificada pelo fisco por alguma irregularidade fiscal.
Assim, essa situação pode acontecer por diversos motivos, como:
- Omissão de rendimentos: primeiramente, declarar valores menores do que os realmente recebidos pode levar à malha fina.
- Deduções indevidas: Além disso, incluir despesas que não são permitidas na declaração do Imposto de Renda também pode gerar problemas.
- Erros de preenchimento: da mesma forma, informações incorretas ou inconsistentes na declaração podem chamar a atenção do fisco.
- Débitos em aberto: Outro motivo comum é possuir impostos ou contribuições atrasadas.
- Inconsistências entre informações: por fim, divergências entre os dados declarados e as informações fornecidas por outras fontes, como bancos e empregadores, também podem levar a pessoa ou empresa a “cair no fisco”.
Consequentemente, “cair no fisco” geralmente implica a necessidade de prestar esclarecimentos, apresentar documentos comprobatórios e, em alguns casos, pagar multas e juros sobre os valores devidos. Portanto, é fundamental manter a situação fiscal regularizada para evitar esse tipo de problema.
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Fontes: Tecnospeed, Mais Retorno, Neon e IBGEM.