Fundos de ações: o que são, como investir, vantagens e riscos

Para serem categorizados como fundos de ações, esses fundos de investimento, precisam aplicar no mínimo 67% do patrimônio em ações.

6 de abril de 2021 - por Nathalia Lourenço


Fundos de ações são veículos de investimento coletivo que aplicam no mínimo 67% do patrimônio em ações da bolsa, geridos por profissionais, ideais para o longo prazo e perfis arrojados. Eles oferecem diversificação automática e gestão especializada, mas envolvem taxas de administração e riscos de mercado (volatilidade). Quer saber mais? Continue a leitura!

Veja também: Fundos de investimento: o que são, como investir, funcionamento

O que são fundos de ações?

Quando você ouve falar em “investir na bolsa”, pode pensar que é preciso escolher cada empresa por conta própria. O fundo de ações é o jeito de fazer isso em grupo.

Ele é um tipo de condomínio financeiro, onde dezenas ou centenas de pessoas juntam o seu dinheiro. Pela regra, o gestor desse fundo é obrigado a investir pelo menos 67% desse bolo todo em ações de empresas listadas na bolsa ou em ativos que replicam essas ações.

Assim, você vira sócio de várias empresas sem precisar ter todo o trabalho. Você compra uma cota, que é a sua parte nesse condomínio.

Leia mais: Fundo de Investimento em ações: o que é e características

Quais são as características e como funcionam os fundos de ações?

1) A conta é em cotas

Tudo funciona por meio das cotas. No início, cada cota pode valer R$ 1,00. Se as ações que o fundo tem se valorizarem, sua cota passa a valer R$ 1,10, por exemplo. O lucro de todos é o aumento do valor das cotas.

2) Você delega as decisões

Quem decide onde investir é um gestor profissional. Ele vai analisar balanços de empresas, notícias do setor, cenário político e econômico para tentar fazer o melhor investimento possível para todos os cotistas do fundo .

3) O resgate funciona com prazo

A maioria dos fundos de ações é do tipo “aberto”, ou seja, você pode pedir para vender suas cotas e pegar o dinheiro de volta em qualquer dia útil. No entanto, o dinheiro não cai na hora. Ele costuma demorar alguns dias para ser creditado na sua conta, normalmente entre 2 e 5 dias úteis. Isso se chama liquidez: eles são líquidos, mas não tanto quanto uma conta corrente .

4) Você paga impostos só no final

Uma grande vantagem é que o Imposto de Renda aqui é mais simples. Não há a cobrança semestral (o famoso “come-cotas” que existe em fundos de renda fixa e multimercado). Você só vai pagar 15% de IR sobre o seu lucro quando resgatar o dinheiro .

5) Prepare-se para as montanhas-russas

Renda variável é isso: varia. O valor do fundo de ações pode cair 10% em um mês e subir 15% no outro. Quem investe precisa ter estômago para essas oscilações e ter um horizonte de longo prazo, de 5 anos ou mais, para deixar o dinheiro trabalhar .

Quais são os tipos de fundos de ações

Dentro do guarda-chuva “fundos de ações”, existem várias estratégias diferentes. A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) organiza esses tipos .

1) Fundo de Ações Ibovespa Ativo

O gestor tenta “bater o mercado”. Ele usa um índice, o Ibovespa, como meta (benchmark) e busca um resultado melhor do que ele. Para isso, ele compra e vende ações tentando adivinhar quais terão o melhor desempenho.

2) Fundo de Ações Ibovespa Indexado (ou Passivo)

Ao contrário do anterior, este fundo é modesto: ele só quer “ser o mercado”. Ele replica a carteira do Ibovespa. Se o índice subir 1%, o fundo sobe 1%. Se cair 2%, o fundo cai 2%. Como o trabalho é quase automático, a taxa de administração é muito mais barata.

3) Fundo de Ações Dividendos

É para quem gosta de empresas “vacas leiteiras”. Ele foca em comprar ações de empresas conhecidas por pagar bons dividendos, como as de setores elétricos ou de saneamento. A ideia é que a carteira do fundo se valorize mais, justamente por investir nesse tipo de ativo que gera renda .

4) Fundo de Ações Small Caps

Vem de “small capitalization”, ou “pequeno valor de mercado”. São fundos que investem em empresas menores, com potencial de crescimento alto. Se uma empresa pequena se tornar uma gigante, o ganho do fundo pode ser enorme. Mas atenção: empresas pequenas também têm mais chance de falir ou sofrer, por isso o risco é maior.

5) Fundo de Ações Setorial

Como o nome diz, é um fundo que aposta todas as fichas em um setor específico da economia: tecnologia, consumo, petróleo e gás, mineração, etc. Se o setor vai bem, o fundo vai muito bem. Se o setor entra em crise, seu investimento afunda junto.

6) Fundo de Ações Sustentabilidade/ESG

Investe exclusivamente em empresas que adotam boas práticas de Sustentabilidade (ambiental), Social (com funcionários e comunidade) e Governança (ética corporativa). Uma forma de ter retorno financeiro e consciência tranquila .

Vantagens dos fundos de ações

  • Diversificação fácil: Com R$ 300,00 você pode, na prática, ser sócio de 50 empresas diferentes através de um fundo. Sozinho, você compraria ações de uma ou duas empresas com esse valor. Isso baixa o risco .
  • Você compra um “pacote de serviços” financeiros: Ganha o tempo que passaria estudando o mercado, ganha o conhecimento de um time especializado e ganha a infraestrutura de controle e guarda dos ativos.
  • Baixa barreira de entrada: Quase não existe investimento mínimo. A maioria dos bons fundos aceita cotistas com valores iniciais de R$ 500, R$ 100 ou até menos. Isso democratiza o acesso à bolsa.
  • É uma poupança para o futuro: Por ser um investimento de longo prazo, combina perfeitamente com objetivos como aposentadoria, faculdade dos filhos ou compra da casa própria daqui a 10 anos.

Desvantagens e riscos dos fundos de ações

  • As taxas podem ser um grande problema: Imagine que seu fundo rendeu 15% em um ano, mas a taxa de administração é de 2,5% e ele ainda cobrou taxa de performance de 20% do que excedeu o Ibovespa. Esses custos vão comer uma parte significativa do seu lucro final. No longo prazo, o efeito é enorme .
  • Você vira refém do gestor: Por mais que o gestor seja bom, ele pode errar a mão. Ele pode comprar uma empresa que sofre uma fraude ou pode simplesmente ter uma estratégia que não funciona por um tempo. Como você não controla, o risco é de o fundo ir mal, mesmo que a bolsa esteja indo bem.
  • A maioria não “bate o mercado”: É um fato conhecido no mercado financeiro: a maior parte dos fundos de ações ativos não consegue, no longo prazo, superar o seu índice de referência, o benchmark. Muitos passam anos com rentabilidade abaixo do Ibovespa .
  • Imposto sobre o lucro: Apesar de não ter come-cotas, a alíquota de 15% de IR é fixa, e não regressiva (não diminui com o tempo, como na renda fixa). O que pode ser ruim para investimentos muito longos, se comparado a estratégias de renda fixa.

Como investir em fundos de ações?

É um processo digital, fácil e que você mesmo pode fazer a partir de hoje.

1) Tenha uma conta onde investir

Você pode fazer isso pelo seu aplicativo do banco que já usa ou por uma corretora de valores (um banco focado em investimentos). Ambos são confiáveis e têm opções.

2) Descubra o que você pode comprar

Dentro do app, procure pela opção “Fundos de Investimento” ou “Investir”. Use os filtros de busca para selecionar a categoria “Ações”. Vai aparecer uma lista enorme.

3) Faça sua escolha com cuidado

Não olhe só a rentabilidade. Toque no nome do fundo para abrir sua página. Lá você encontra o “Regulamento” e o “Prospecto” – os manuais de instrução do fundo. É sua obrigação ética e financeira ler esses documentos, ou pelo menos as principais informações.

4) Faça a aplicação

Defina o valor que quer investir (só não pode ser abaixo do investimento mínimo do fundo) e confirme a operação. O dinheiro sairá da sua conta-corrente ou da sua conta de pagamentos.

5) Acompanhe, mas evite a ansiedade

Olhe a rentabilidade do seu fundo de vez em quando, talvez a cada 3 ou 6 meses. Não olhe todo dia. O vai-e-vem da bolsa no curto prazo vai deixar você nervoso e tentado a vender na baixa.

Confira também: Tipos de fundos de investimento: quais são e como funcionam?

Dicas para você escolher os melhores fundos de ações

  1. Taxa de administração é o primeiro filtro: Desconfie de fundos com taxas de administração acima de 2% ao ano. Um bom fundo de ações ativo geralmente cobra entre 1,5% e 2%. Fundos passivos (indexados) cobram entre 0,1% e 0,5%. Taxas muito altas são injustificáveis.
  2. Fuja da “moda” da rentabilidade passada: Não invista no fundo que mais subiu no ano passado. Costuma ser uma armadilha. O que subiu muito pode estar “caro” e pronto para cair. Olhe a consistência ao longo de 5 anos.
  3. Conheça a equipe por trás do fundo: No site da gestora do fundo (ex: “ARX Investimentos”, “Órama”, “Legacy”), procure saber sobre os gestores. Há quanto tempo eles estão no mercado? Eles têm experiência comprovada em crises? Gestão estável é um ótimo sinal.
  4. Compare com um CDI ou Ibovespa: Faça este teste: compare o retorno do fundo com o retorno de um CDB de 100% do CDI ou com o próprio índice Ibovespa. Se o fundo perdeu consistentemente para um investimento de renda fixa ou para o índice de graça, qual o sentido de pagar taxa?
  5. Veja o tamanho do fundo: Fundos de ações muito pequenos (com menos de R$ 50 milhões de patrimônio) podem ser arriscados. Eles têm menos liquidez e podem até fechar se muitos cotistas saírem. Fundos muito grandes (com mais de R$ 10 bilhões) podem ficar “pesados” e lentos para girar a carteira. O “meio termo” (R$ 500 milhões a R$ 5 bilhões) costuma ser mais equilibrado.

Vale a pena investir em fundos de ações?

Vale a pena se você acredita no potencial da bolsa de valores brasileira no longo prazo, mas não tem a menor vontade de passar horas analisando ações. É uma ferramenta fantástica para o investidor que quer começar, que quer simplificar a vida ou que quer delegar a gestão.

A chave para valer a pena é escolher um fundo consistente e com taxas justas. Se você não tem perfil para renda variável (dorme mal com oscilações), então não, não vale a pena para você.

Fundo de ações ou ações: qual escolher?

É a eterna dúvida. A resposta não é binária, mas situacional.

  • Ações Diretas: Para você que é ou quer se tornar um investidor (não só um poupador). Você terá o trabalho de estudar e montar sua carteira, mas em troca terá controle total, gastará menos com taxas (quase zero) e terá benefícios fiscais, como a isenção de Imposto de Renda ao vender até R$ 20 mil de ações por mês .
  • Fundos de Ações: Para você que é um poupador que busca retornos da bolsa. Você abre mão do controle em troca de ganhar tempo e de terceirizar a decisão para um especialista. Você paga por essa comodidade na forma de taxas. É a escolha certa para quem tem pouco dinheiro, pouco tempo e muito desejo de diversificar.

Perguntas frequentes sobre fundos de ações:

Fundos de ações pagam dividendos?

Não, o cotista de fundo de ações não recebe dividendos na conta corrente. O dinheiro dos dividendos que as empresas pagam para o fundo é automaticamente reinvestido, ou seja, é usado para comprar mais ações. O efeito disso é que o valor da cota do fundo tende a subir um pouco mais. Se você quer receber renda todo mês, existem outros produtos, como os Fundos Imobiliários (FIIs).

Fundos de ações têm IOF?

Sim, o Imposto sobre Operações Financeiras existe, mas ele só é cobrado para resgates muito rápidos. Se você investir hoje e pedir o resgate amanhã, pagará uma alíquota de 96% sobre o lucro. Esse imposto é regressivo, ou seja, diminui dia após dia, zerando completamente no 30º dia da aplicação. A mensagem é clara: fundos de ações não são para curto prazo .

Quais são os melhores fundos de ações Brasil?

Como o mercado muda, a melhor fonte para essa informação são os relatórios mensais das grandes corretoras e plataformas. Eles publicam listas, como o “Top 5 Fundos de Ações” ou “Melhores Fundos do Mês” da XP, BTG Pactual, Itaú e outras. É prudente buscar essas listas, pois elas são atualizadas constantemente por analistas que acompanham centenas de fundos .

Leia também: Fundos de papel: o que são, como funcionam e quais são eles?

Enfim, agora que você sabe tudo sobre os fundos de ações, aprenda como aplicar em Fundos de fundos, o que são? Como funcionam, custos e como investir

Fontes: Infomoney,Investidor e Btg pactual digital

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