12 de setembro de 2025 - por Millena Santos
O Índice de Governança Corporativa – Novo Mercado (IGC-NM) é um indicador muito importante da B3 que acompanha o desempenho médio das ações das empresas listadas no Novo Mercado, o segmento da bolsa brasileira que reúne companhias com os mais altos padrões de governança corporativa.
Na prática, ele funciona como uma referência de mercado, mostrando como empresas comprometidas com transparência e boas práticas de gestão estão se valorizando ao longo do tempo.
Neste texto, a gente te explica mais sobre isso. Vamos lá?
O que é o Índice de Governança Corporativa – Novo Mercado (IGC-NM)?
O Índice de Governança Corporativa – Novo Mercado (IGC-NM) é um indicador criado pela B3 para mostrar como anda o desempenho médio das ações das empresas listadas no segmento Novo Mercado.
Para quem não está tão familiarizado, esse segmento é considerado o mais alto padrão de governança corporativa da bolsa brasileira, reunindo companhias que seguem regras mais rígidas de transparência, gestão e relacionamento com acionistas.
Na prática, o índice é formado por uma carteira teórica de ações. Isso significa que a B3 seleciona, com base em critérios específicos, os papéis das empresas que fazem parte do Novo Mercado e calcula como seria o resultado de investir nesse conjunto.
Qual tipo de índice é o IGC-NM?
O IGC-NM é classificado como um índice de retorno total. Isso significa que, além de considerar a variação nos preços das ações que compõem sua carteira teórica, ele também leva em conta os proventos distribuídos pelas empresas, a exemplo de dividendos e juros sobre capital próprio.
Na prática, o cálculo simula como seria se o investidor reinvestisse automaticamente esses ganhos nas próprias ações do índice.
Ou seja, não mostra apenas o quanto os papéis se valorizaram no mercado, mas também o impacto positivo da distribuição de resultados pelas companhias do Novo Mercado.
Qual o objetivo do índide IGC-NM?
O objetivo do Índice de Governança Corporativa – Novo Mercado (IGC-NM) é servir como um espelho do desempenho médio das ações de empresas que seguem altos padrões de governança corporativa.
Em outras palavras, ele mostra como se comportam, em conjunto, os papéis das companhias que assumiram o compromisso de adotar práticas mais transparentes e justas no relacionamento com investidores e no gerenciamento de seus negócios.
Diante disso, esse índice se torna uma referência importante para quem investe ou acompanha o mercado, já que permite avaliar se as empresas que prezam por boas práticas de gestão estão entregando resultados consistentes também em termos de valorização de suas ações.
Como funciona o IGC-NM?
O IGC-NM funciona como uma espécie de vitrine do mercado, reunindo em um único indicador o desempenho das ações de empresas que adotam boas práticas de governança corporativa.
Essas práticas envolvem um conjunto de normas e condutas que reforçam a transparência, a responsabilidade e a forma como as companhias se relacionam com investidores e demais stakeholders.
Para compor o índice, a B3 considera diferentes níveis de governança corporativa em que as empresas podem estar listadas. Esses níveis foram criados justamente para incentivar companhias a adotarem regras mais rígidas de gestão e comunicação. São eles:
- Tradicional– empresas que cumprem apenas as exigências mínimas da legislação;
- Bovespa Mais– voltado para empresas menores que desejam abrir capital de forma gradual;
- Nível 1– exige práticas adicionais de transparência e disclosure de informações;
- Nível 2– inclui exigências mais avançadas, como direitos ampliados para acionistas minoritários;
- Novo Mercado– considerado o patamar mais alto, reunindo empresas comprometidas com as regras mais rigorosas de governança.
Assim, esse indicador acaba sendo uma referência do comportamento das ações dessas companhias, permitindo acompanhar, de forma transparente, o desempenho médio de quem leva a sério a governança no mercado de capitais.
Qual a composição do IGC-NM?
1- Presença mínima em 50% dos pregões
A empresa precisa ter uma participação constante no mercado. Isso significa que suas ações devem ser negociadas em pelo menos metade dos pregões dentro do período de análise.
Esse critério garante que o índice seja formado por papéis com boa liquidez, ou seja, que realmente circulam e têm demanda entre investidores.
2- Não podem ser BDRs nem “penny stocks”
BDRs (Brazilian Depositary Receipts) representam ações de empresas estrangeiras, e por isso não entram no cálculo do índice.
Além disso, ficam de fora as chamadas “penny stocks”, que são ações negociadas a preços muito baixos, geralmente abaixo de R$ 1,00, consideradas de alto risco e com pouca representatividade dentro do mercado.
Impactos do IGC-NM
Os impactos do IGC-NM aparecem de diferentes formas e beneficiam tanto empresas quanto investidores e até o mercado financeiro como um todo.
Para as empresas, fazer parte do índice é como receber um selo de credibilidade. Estar no IGC-NM mostra que a companhia segue padrões rigorosos de governança corporativa, reforçando a imagem de transparência, ética e responsabilidade.
Esse reconhecimento também pode abrir portas para atrair novos investidores e melhorar a percepção do mercado sobre a solidez da gestão.
Para os investidores, o índice funciona como um guia. Ele permite acompanhar, de maneira consolidada, o desempenho médio das empresas que se destacam por boas práticas de governança.
Isso, sem dúvidas, dá mais confiança na hora de decidir onde aplicar o dinheiro, já que a tendência é que companhias com gestão mais organizada ofereçam menos riscos de surpresas negativas.
Já no mercado financeiro em geral, o IGC-NM exerce um papel de incentivo. Ao destacar empresas comprometidas com altos padrões, o índice acaba estimulando outras companhias a adotarem melhores práticas, elevando a “régua” da governança no Brasil.
Esse movimento acaba fortalecendo todo o ambiente de negócios, e também cria um ciclo positivo de mais confiança, maior transparência e, consequentemente, mais oportunidades de investimento.
Critérios para inclusão no IGC-NM
1- Estar listada no segmento Novo Mercado da B3
Apenas empresas que aderiram ao Novo Mercado, o nível mais alto de governança corporativa da bolsa brasileira, podem participar do índice. Isso garante que só entram companhias comprometidas com regras mais rígidas de transparência e gestão.
2- Limite de peso no índice
Nenhuma ação pode ter participação superior a 20% na composição do IGC-NM. Esse critério evita que o desempenho de uma única empresa distorça o resultado geral do índice.
3- Ausência de processos judiciais ou extrajudiciais relevantes
Outro critério importante é o de que empresas que enfrentam processos que possam comprometer sua imagem ou a confiança do investidor ficam de fora. Afinal, como a gente viu, a ideia é manter no índice apenas companhias que transmitam segurança jurídica e estabilidade.
4- Conselheiros independentes no conselho de administração
Também, é exigida a presença de pelo menos 2% e, no máximo, 20% de conselheiros independentes. Esse ponto reforça a diversidade de visões e ajuda a evitar decisões concentradas em um único grupo de interesse.
5- Emissão exclusiva de ações ordinárias
Só entram no índice companhias que tenham ações ordinárias (com direito a voto). Isso garante que todos os acionistas tenham participação nas decisões da empresa.
6- Free float mínimo de 25%
Por fim, ao menos um quarto das ações da empresa precisa estar em circulação no mercado. Esse critério assegura maior liquidez, permitindo que os papéis sejam negociados com mais facilidade e transparência.
Tem como investir no IGC-NM?
A resposta é sim e não ao mesmo tempo. O índice em si não é um ativo negociável, ou seja, não existe um “papel” que se compra na bolsa com o nome IGC-NM. O que existe são formas de investir em produtos ou ações que, de certa forma, seguem a mesma lógica do índice.
As principais alternativas são:
- Comprar ações das empresas que fazem parte do IGC-NM: aqui o investidor escolhe diretamente quais companhias da lista quer incluir na carteira.
- Fundos de investimento: alguns gestores montam carteiras baseadas nas ações que compõem o índice, o que facilita para quem prefere delegar as escolhas.
- ETFs (Exchange Traded Funds): são fundos negociados em bolsa que replicam um índice ou têm forte correlação com ele. Assim, ao comprar cotas de um ETF ligado ao IGC-NM, o investidor acaba acompanhando de perto o desempenho médio das empresas listadas ali.
Dessa forma, mesmo sem existir um ativo único que seja o “IGC-NM puro”, há vários caminhos para se expor às empresas que seguem os padrões mais altos de governança corporativa no mercado brasileiro.
Importância do IGC-NM
A importância do IGC-NM vai muito além de ser apenas um indicador de mercado.
Esse índice é responsável por ajudar a criar um ambiente mais confiável para os investidores, já que evidencia quais empresas estão comprometidas com transparência e boas práticas de gestão.
Como consequência, essa confiança tende a atrair mais interessados, o que pode aumentar a liquidez das ações, o que facilita a compra e venda desses papéis no dia a dia da bolsa.
Também, estar no IGC-NM contribui diretamente para a imagem e reputação das empresas, reforçando a percepção de solidez, seriedade e responsabilidade diante do mercado.
Para muitas companhias, esse reconhecimento funciona como um diferencial competitivo, capaz de abrir novas oportunidades e fortalecer relacionamentos com investidores e parceiros.
Histórico do IGC-NM
O histórico do IGC-NM está diretamente ligado ao surgimento do Novo Mercado, um segmento especial da B3 criado no ano 2000 para elevar o padrão de governança corporativa no Brasil.
A proposta era simples, mas bem ambiciosa: reunir empresas dispostas a adotar regras mais rigorosas de transparência, direitos para acionistas e qualidade na gestão, muito além do que a legislação exigia na época.
A primeira listagem de uma companhia no Novo Mercado aconteceu em 2002, e desde então o segmento se consolidou como uma referência para investidores que buscam empresas mais comprometidas com boas práticas.
Esse modelo ajudou a criar um ambiente de maior confiança na bolsa, o que foi essencial para atrair novos investidores e fortalecer o mercado de capitais brasileiro.
Com o tempo, as regras do Novo Mercado passaram por revisões importantes para acompanhar a evolução e as demandas do mercado: em 2006, 2011, 2017 e, mais recentemente, em 2023.
Essas atualizações garantiram que o segmento permanecesse relevante, ajustado às novas realidades econômicas e às expectativas de investidores cada vez mais atentos à governança.
Curtiu o nosso conteúdo? Aproveite e leia também: O que é IFCN B3: saiba como funciona o índice financeiro da B3
Fonte: B3, InfoMoney, ADVFN, Mais Retorno, Suno.