4 de abril de 2025 - por Diogo Silva

Talvez você nunca tenha ouvido falar sobre Monetarismo. Mas é impossível negar que esse conjunto de ideias está presente no cenário econômico, tanto nacional, quanto mundial. De acordo com essa abordagem, a quantidade de dinheiro em circulação é o fator determinante que influencia o nível de preços e a produção de uma economia.
Monetaristas acreditam que mudanças na oferta de moeda impactam diretamente sobre o crescimento econômico e a estabilidade dos preços. Confira a seguir mais detalhes para entender melhor sobre o assunto.
O que é Monetarismo?
O monetarismo é uma teoria econômica que defende que a quantidade de dinheiro em circulação é o principal fator que influencia a inflação e o crescimento econômico. Criada por Milton Friedman, essa ideia se opõe ao keynesianismo, que dá mais peso aos gastos do governo e à demanda agregada.
Segundo os monetaristas, quando o governo imprime muito dinheiro, a inflação dispara. Se há menos dinheiro circulando, a economia desacelera. Por isso, eles acreditam que o Banco Central deve controlar a oferta monetária de forma rígida, evitando oscilações bruscas na economia.
Na prática, essa teoria influenciou diversas políticas ao redor do mundo, principalmente na década de 1980. Países como os Estados Unidos e o Reino Unido adotaram medidas baseadas no monetarismo para conter a inflação, limitando a emissão de dinheiro e elevando os juros.
Apesar de sua importância, o monetarismo tem críticas. Alguns economistas argumentam que ele ignora fatores como choques externos e rigidez nos preços. Ainda assim, suas ideias continuam influenciando decisões de política econômica até hoje.
Quais são as características e ideias do Monetarismo?
O monetarismo defende que a quantidade de dinheiro em circulação é o principal fator que determina a inflação e o crescimento econômico. Sua base está no controle rigoroso da oferta monetária, pois um excesso de dinheiro gera inflação. Assim, a política monetária, ajustando juros e liquidez, deve ser a principal ferramenta para regular a economia.
Os monetaristas também acreditam que a intervenção governamental deve ser mínima, pois gastos públicos e controle de preços podem distorcer o mercado. Além disso, enfatizam as expectativas racionais: se as pessoas antecipam inflação, ajustam preços e salários, tornando-a inevitável.
No curto prazo, mudanças na oferta de dinheiro afetam o crescimento e o emprego, mas no longo prazo, apenas a inflação se altera. Essas ideias influenciaram políticas nos anos 1980 e seguem sendo debatidas hoje.
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Qual a origem e história do Monetarismo?
O monetarismo surgiu como uma resposta às ideias keynesianas, ganhando força a partir da década de 1950, principalmente com os estudos de Milton Friedman.
Ele e outros economistas da Escola de Chicago argumentavam que a inflação era causada pelo excesso de dinheiro em circulação, e não apenas por fatores como demanda agregada e gastos públicos, como defendia John Maynard Keynes.
As raízes do monetarismo, no entanto, vêm de teorias mais antigas. No século XVI, a Teoria Quantitativa da Moeda já afirmava que o nível de preços dependia diretamente da quantidade de dinheiro na economia.
Essa ideia foi reforçada no início do século XX por economistas como Irving Fisher, que formulou a equação da troca (MV = PQ), relacionando a quantidade de moeda, sua velocidade de circulação, o nível de preços e a produção econômica.
O monetarismo ganhou destaque nas décadas de 1970 e 1980, quando o mundo enfrentava crises inflacionárias que as políticas keynesianas não conseguiam resolver.
Países como os Estados Unidos e o Reino Unido adotaram medidas monetaristas para controlar a inflação, limitando a emissão de dinheiro e elevando juros. Mesmo com críticas, essa corrente continua influenciando a política econômica global.
Quais são os principais pensadores do Monetarismo?
1. Milton Friedman (1912-2006)
Principal nome do monetarismo, Friedman foi um economista norte-americano e professor da Universidade de Chicago. Defendia que a inflação era sempre um fenômeno monetário e que o controle da oferta de dinheiro deveria ser a principal ferramenta de política econômica. Ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 1976 e influenciou políticas nos EUA e no Reino Unido.
2. Anna Schwartz (1915-2012)
Economista norte-americana que colaborou com Friedman na obra A Monetary History of the United States (1963), onde analisaram a relação entre oferta monetária e crises econômicas. Seu trabalho ajudou a consolidar o monetarismo como uma teoria influente.
3. Irving Fisher (1867-1947)
Embora tenha vivido antes da consolidação do monetarismo, Fisher foi um precursor da teoria ao desenvolver a Equação da Troca (MV = PQ), que mostra a relação entre oferta de moeda e nível de preços. Suas ideias influenciaram Friedman e outros monetaristas.
4. Karl Brunner (1916-1989)
Economista suíço-americano, foi um dos responsáveis por expandir o monetarismo para além dos EUA. Trabalhou com a ideia de que a política monetária deve ser previsível e seguiu a tradição da Escola de Chicago.
5. Allan Meltzer (1928-2017)
Economista norte-americano, foi um dos maiores estudiosos da política monetária e da atuação dos bancos centrais. Defendia que a instabilidade econômica muitas vezes era causada por erros na condução da oferta de dinheiro.
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Efeitos do Monetarismo
O monetarismo teve impactos significativos, trazendo tanto benefícios quanto desafios. Entre os pontos positivos, destaca-se o controle da inflação, alcançado por meio do ajuste da oferta de dinheiro e do aumento dos juros, especialmente nos anos 1980.
Além disso, essa teoria fortaleceu a independência dos Bancos Centrais, tornando as decisões econômicas menos sujeitas a pressões políticas. Outra consequência foi a redução do déficit público, já que muitos governos adotaram cortes nos gastos para equilibrar as contas.
Por outro lado, o monetarismo também trouxe desafios. O aumento dos juros, essencial para conter a inflação, muitas vezes resultou em desemprego no curto prazo e crescimento econômico mais lento, principalmente em tempos de crise.
Além disso, cortes nos gastos públicos e juros elevados ampliaram a desigualdade social, afetando mais as classes mais pobres. Outro problema foi a rigidez da política econômica, que pode dificultar respostas rápidas a crises inesperadas.
Apesar dessas limitações, o monetarismo continua influenciando políticas econômicas e sendo amplamente debatido no mundo todo.
Qual a diferença entre Monetarismo e Keynesianismo?
O monetarismo e o keynesianismo são duas abordagens econômicas opostas, principalmente no papel do governo e no controle da economia. O monetarismo, liderado por Milton Friedman, afirma que a quantidade de dinheiro em circulação é o principal fator que influencia a inflação e o crescimento.
Defende que o Banco Central deve controlar rigorosamente a oferta monetária e que a intervenção governamental deve ser mínima, pois o mercado se ajusta naturalmente no longo prazo.
Já o keynesianismo, criado por John Maynard Keynes, argumenta que a economia é impulsionada pela demanda agregada, ou seja, o total de consumo e investimentos. Em tempos de crise, o governo deve aumentar os gastos públicos para estimular a economia e reduzir o desemprego, já que o mercado, por si só, pode demorar a se recuperar.
Outra diferença importante está na visão sobre a inflação. Para os monetaristas, ela é causada pelo excesso de dinheiro na economia, enquanto os keynesianos apontam que pode haver outros fatores, como choques na oferta ou aumento nos custos de produção.
Historicamente, o keynesianismo dominou entre os anos 1930 e 1970, enquanto o monetarismo ganhou força nos anos 1980, principalmente no combate à inflação. Atualmente, muitos governos combinam elementos das duas teorias conforme a necessidade econômica.
Críticas ao Monetarismo
O monetarismo recebe críticas por sua ênfase excessiva no controle da oferta de dinheiro, ignorando que a inflação também pode ser causada por choques externos e custos de produção. Além disso, a política de juros altos usada para conter a inflação muitas vezes gera desemprego e baixo crescimento, afetando principalmente os mais pobres.
Outro problema é a rigidez da política monetária, que pode limitar a capacidade do governo de reagir rapidamente a crises inesperadas. Além disso, essa abordagem tende a favorecer o setor financeiro, pois juros elevados beneficiam bancos e investidores, mas dificultam o crédito para empresas e consumidores, reduzindo investimentos produtivos.
Embora tenha sido eficaz no combate à inflação em alguns momentos, o monetarismo é criticado por suas limitações, levando muitos economistas a defenderem uma combinação entre controle monetário e políticas fiscais para garantir um crescimento sustentável.
Fontes: Politize; Crecerto; Sua Pesquisa;