14 de maio de 2025 - por Nathalia Lourenço
Quando uma empresa tem lucro, ela pode escolher entre duas opções: dividir esse valor com os sócios ou manter o dinheiro no negócio. Ao guardar esse lucro, a empresa pode reforçar o caixa, investir no crescimento ou se preparar para momentos difíceis. É aí que entram os lucros acumulados.
Os lucros acumulados fazem parte do patrimônio da empresa. Eles mostram quanto foi guardado ao longo do tempo. Esse valor ajuda a entender a situação financeira do negócio e é importante para quem toma decisões, como empresários e investidores.
Quer saber como esses lucros afetam a empresa e como calcular esse valor de forma simples? Continue lendo para descobrir.
O que são lucros acumulados?
Em geral, a empresa acumula lucros quando decide não distribuí-los aos sócios ou acionistas, mantendo esse valor dentro do próprio negócio. Em seguida, ela registra esses lucros no patrimônio líquido do balanço patrimonial e, com isso, pode usá-los no futuro para diversas finalidades, como:
- Reinvestimento no próprio negócio
- Formação de reservas
- Compensação de prejuízos
- Distribuição futura de dividendos
No entanto, vale destacar: a empresa não guarda os lucros acumulados em dinheiro no caixa. Na verdade, ela registra esse valor na contabilidade para mostrar quanto do lucro líquido foi retido e não usado para outras finalidades, como dividendos ou reservas.
Saiba mais: Lucro: entenda melhor esse importante conceito
Como calcular os lucros acumulados?
Para calcular os lucros acumulados, você precisa considerar o lucro líquido da empresa e subtrair tudo o que foi distribuído ou destinado a outras finalidades. O cálculo pode ser feito assim:
Fórmula básica:
- Lucros acumulados = Lucro líquido do período – Dividendos distribuídos – Reservas legais/estatutárias – Prejuízos acumulados (se houver)
Passo a passo:
- Encontre o lucro líquido do período
Pegue o valor que sobrou após todas as despesas (inclusive impostos) no final do exercício. - Subtraia os dividendos pagos aos sócios ou acionistas
Se a empresa distribuiu parte do lucro, esse valor não entra nos lucros acumulados. - Subtraia o valor destinado a reservas
Algumas empresas, por obrigação legal ou estatutária, separam uma parte do lucro para formar reservas. - Subtraia os prejuízos acumulados de anos anteriores (se houver)
Se a empresa teve prejuízo em períodos anteriores e ainda não compensou, ele deve ser abatido.
Lucros acumulados são ativos ou passivos?
Lucros acumulados não são nem ativos nem passivos — eles fazem parte do patrimônio líquido da empresa.
Mais especificamente, os lucros acumulados ficam registrados no grupo do patrimônio líquido do balanço patrimonial. Eles representam a parte do lucro que a empresa decidiu reter, em vez de distribuir aos sócios ou reinvestir diretamente.
Para entender melhor, veja como se organizam os principais grupos contábeis:
- Ativos: são os bens e direitos da empresa (por exemplo: caixa, contas a receber, estoques).
- Passivos: são as obrigações da empresa (como contas a pagar, empréstimos e tributos).
- Patrimônio líquido: é a diferença entre ativos e passivos. Ele inclui:
- Capital social
- Reservas
- Ajustes de avaliação patrimonial
- Lucros ou prejuízos acumulados
Portanto, embora os lucros acumulados aumentem o valor patrimonial da empresa, eles não representam dinheiro em caixa. Em vez disso, são um registro contábil da parte do lucro que foi mantida na empresa.
Saiba mais: Ativos e passivos financeiros: o que são e quais as diferenças?
Distribuição dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA)
A DLPA (Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados) é uma demonstração contábil que mostra como a empresa utilizou ou distribuiu o lucro líquido ao longo do exercício. Ela detalha as movimentações da conta de lucros ou prejuízos acumulados, ajudando a entender o destino dos resultados obtidos pela empresa.
Objetivo da DLPA
O principal objetivo da DLPA é informar de forma clara:
- O lucro líquido do período;
- As destinações desse lucro (como dividendos e reservas);
- O saldo final dos lucros ou prejuízos acumulados.
Quando a DLPA é exigida?
De acordo com a Lei das S.A. (Lei 6.404/76), a DLPA é obrigatória quando a empresa não elaborar a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Caso a DMPL seja apresentada, a DLPA pode ser dispensada, já que a DMPL traz informações mais completas.
Estrutura básica da DLPA
A estrutura pode variar conforme o modelo contábil adotado, mas geralmente inclui:
- Saldo inicial de lucros ou prejuízos acumulados
- Lucro líquido do exercício
- Ajustes de exercícios anteriores (se houver)
- Destinações do lucro:
- Constituição de reservas (legal, estatutária etc.)
- Dividendos declarados
- Saldo final de lucros ou prejuízos acumulados
Exemplo resumido de DLPA:
| Descrição | Valor (R$) |
|---|---|
| Saldo inicial de lucros acumulados | 100.000 |
| (+) Lucro líquido do exercício | 200.000 |
| (–) Reserva legal (5%) | 10.000 |
| (–) Dividendos distribuídos | 50.000 |
| (=) Saldo final de lucros acumulados | 240.000 |
A DLPA ajuda sócios, investidores e órgãos reguladores a acompanhar o que foi feito com o lucro da empresa.
Leia mais: DLPA: o que é, para que serve e como fazer?
Importância dos lucros acumulados
Os lucros acumulados desempenham um papel fundamental na saúde financeira e estratégica de uma empresa. Primeiramente, eles mostram que a empresa foi capaz de gerar lucro e, mais importante, optou por reinvestir esse resultado no próprio negócio, em vez de distribuí-lo entre os sócios. Isso pode ser um indicativo de crescimento sustentável e boa gestão.
Além disso, manter lucros acumulados fortalece o patrimônio líquido, o que, por sua vez, melhora a imagem da empresa perante bancos, investidores e fornecedores. Consequentemente, um patrimônio mais robusto pode facilitar a obtenção de crédito, atrair investidores e garantir mais segurança em tempos de instabilidade.
Outro ponto importante é a flexibilidade que esses lucros proporcionam. Com eles, a empresa pode:
- financiar novos projetos,
- modernizar equipamentos,
- cobrir eventuais prejuízos futuros,
- ou até mesmo aumentar a distribuição de dividendos em exercícios seguintes.
Portanto, embora não representem dinheiro disponível em caixa, os lucros acumulados refletem a capacidade da empresa de gerar resultados e se preparar para o futuro.
Relação entre os lucros acumulados e a reserva legal
A relação entre os lucros acumulados e a reserva legal é um aspecto fundamental na contabilidade das empresas, especialmente nas sociedades anônimas (S.A.), e reflete como a empresa distribui ou retém seus lucros de acordo com as exigências legais e suas próprias políticas internas.
Leia também: Sociedade anônima: o que é, como funciona e quais os tipos?
O que é a reserva legal?
A reserva legal é uma obrigação imposta pela Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/76), que determina que as empresas devem destinar 5% do lucro líquido do exercício para uma reserva, até que ela atinja 20% do capital social da empresa. Essa reserva é uma forma de proteger a empresa contra eventuais dificuldades financeiras, já que fica “isolada” para ser utilizada em situações específicas, como a compensação de prejuízos.
Relação com os lucros acumulados:
- Primeiramente, quando uma empresa obtém lucro, ela deve seguir uma ordem de destinação, e a reserva legal é uma das primeiras aplicações desse lucro. Ou seja, 5% do lucro líquido é destinado para a reserva legal, antes de qualquer outra distribuição (como dividendos ou outras reservas).
- Consequentemente, o valor destinado à reserva legal reduz o valor disponível para os lucros acumulados. Ou seja, parte do lucro será “isolada” na reserva legal, limitando a quantia que poderá ser utilizada para reinvestimentos ou distribuição de dividendos.
- Além disso, a reserva legal não pode ultrapassar 20% do capital social. Portanto, uma vez que esse limite é atingido, a empresa pode usar o lucro excedente para outras finalidades, como a distribuição de dividendos ou o aumento dos lucros acumulados.
Exemplo de cálculo e impacto na DLPA:
Imaginando uma empresa com um lucro líquido de R$ 100.000:
- Reserva legal (5% do lucro): R$ 5.000
- Lucros acumulados (após a reserva legal): R$ 95.000
Dessa forma, a empresa não poderá distribuir R$ 5.000 como lucro para os acionistas, já que essa quantia foi destinada à reserva legal. Portanto, esses R$ 5.000 serão registrados na conta de reserva legal, enquanto os R$ 95.000 podem ser acumulados ou distribuídos conforme as decisões da empresa.
Essa relação é crucial para garantir que a empresa siga as regulamentações legais e, ao mesmo tempo, tenha recursos para se manter financeiramente estável. Gostou da matéria? Leia também: Capitalismo: o que é, quais são os tipos e suas características?
Fontes: topinvest, maisretorno e appvizer