Trava de câmbio x NDF: qual a diferença e qual escolher?

Descubra as diferenças entre a trava de câmbio e o NDF (Non-Deliverable Forward), entenda como cada um funciona e mais!

15 de janeiro de 2026 - por Millena Santos


A trava de câmbio e o NDF (Non-Deliverable Forward) são duas ferramentas bastante usadas por quem quer se proteger das oscilações do dólar e de outras moedas estrangeiras. Apesar de parecerem semelhantes, cada uma tem suas particularidades e pode atender a necessidades diferentes.

Neste texto, a gente vai te falar mais sobre essas ferramentas.

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O que é trava de câmbio?

Imagine que sua empresa precisa pagar um fornecedor no exterior daqui a três meses, mas até lá, o valor do dólar pode subir (ou cair) e afetar diretamente o custo dessa operação.

É justamente para lidar com essa incerteza que existe a trava de câmbio, uma ferramenta financeira que permite fixar antecipadamente a taxa de câmbio de uma transação futura.

Sendo assim, ela acaba funcionando como uma espécie de “seguro” contra a variação cambial. A empresa e a instituição financeira combinam uma taxa hoje, garantindo que, no dia da liquidação da operação, o câmbio será exatamente aquele acordado, independentemente das oscilações do mercado.

Como funciona a trava de câmbio?

Para entender o funcionamento da trava de câmbio, pense nela como um acordo entre uma empresa e uma instituição financeira para garantir estabilidade diante das oscilações do dólar, ou de outra moeda estrangeira.

É como se a empresa dissesse: “quero saber desde já quanto vou pagar (ou receber) quando essa operação for concluída”.

Na prática, as partes definem uma taxa de câmbio fixa hoje, para uma transação que só será realizada no futuro. Assim, quando chegar a data de pagamento ou recebimento, o valor será calculado com base nessa taxa combinada, mesmo que o câmbio do dia esteja diferente.

Por exemplo: imagine que uma empresa brasileira precise pagar US$ 100 mil a um fornecedor norte-americano daqui a três meses. O dólar hoje está em R$ 5,00, mas há receio de que suba para R$ 5,30 nesse período. Para evitar surpresas, a empresa faz uma trava de câmbio e “congela” a cotação atual de R$ 5,00.

Quando chegar o momento do pagamento, não importa se o dólar subiu ou caiu, o valor será calculado pela taxa travada. Assim, a empresa saberá exatamente quanto desembolsará (R$ 500 mil), garantindo previsibilidade e proteção contra a volatilidade do mercado.

Inclusive, esse tipo de operação é muito útil em contratos internacionais de longo prazo, onde qualquer variação no câmbio pode comprometer a margem de lucro.

Vantagens da trava de câmbio

Uma das principais vantagens da trava de câmbio é que ela não se trata de um financiamento, ou seja, não há contratação de crédito nem cobrança de juros.

Logo, está mais para uma estratégia de proteção, que permite ao empresário ter mais controle sobre as variações do câmbio e, consequentemente, sobre o resultado financeiro de suas operações internacionais.

Outro ponto interessante é a liberdade de escolha: o cliente que envia ou recebe recursos do exterior pode definir o momento ideal para travar a taxa de câmbio, de acordo com sua análise do mercado ou com o planejamento financeiro da empresa.

Essa flexibilidade possibilita aproveitar oportunidades em períodos de cotação favorável e se proteger quando o câmbio estiver mais volátil.

Além disso, a operação pode ser realizada tanto antes quanto depois do embarque da mercadoria ou da prestação do serviço, o que amplia as possibilidades de uso.

Isso significa que a trava de câmbio se adapta às diferentes etapas do processo de importação ou exportação, garantindo segurança e previsibilidade em qualquer fase da transação.

Leia também: Mercado de câmbio: o que é e como funcionam as operações

O que é NDF?

O NDF (Non Deliverable Forward), ou contrato a termo de moeda sem entrega física, é uma operação financeira que permite fixar hoje a taxa de câmbio de uma transação que será liquidada no futuro.

Dito de outro modo, é como fazer um “acordo antecipado” sobre qual será o câmbio aplicado em uma data específica, mas sem precisar realizar a troca efetiva das moedas no momento da contratação.

Esse tipo de contrato é bastante usado quando se trata de moedas de conversão restrita ou não conversíveis, conhecidas como moedas exóticas, caso de algumas economias emergentes.

Nessas situações, o NDF se torna uma ferramenta essencial para minimizar os riscos cambiais, já que permite proteger empresas e investidores das oscilações de moedas que, muitas vezes, não podem ser livremente negociadas no mercado internacional.

Como funciona o NDF?

Imagine que uma empresa tenha uma dívida em uma moeda estrangeira que não pode ser facilmente negociada no mercado, ou seja, trata-se de uma moeda com pouca liquidez ou até restrita à conversão direta.

Nesses casos, fazer a operação cambial tradicional pode ser inviável. É exatamente aí que entra o NDF (Non Deliverable Forward).

Por meio desse contrato, a empresa acerta antecipadamente uma taxa de câmbio com uma instituição financeira, definindo o valor que será considerado no futuro, sem precisar comprar ou vender a moeda naquele momento.

Quando chega a data acordada, ocorre apenas o ajuste financeiro da diferença entre a taxa contratada e a taxa real do dia, tudo feito na moeda local, geralmente em reais.

Esse mecanismo é especialmente útil para operações com moedas pouco líquidas, como as de países emergentes, nas quais não há um mercado cambial tão desenvolvido.

Assim, o NDF garante proteção contra variações inesperadas e oferece mais previsibilidade para empresas que atuam em cenários internacionais complexos.

Vantagens do NDF

Uma das principais vantagens do NDF é que não há necessidade de ajuste diário. Tudo é resolvido no vencimento do contrato, o que simplifica o acompanhamento e facilita o controle financeiro.

Além disso, os valores, prazos e preços futuros são combinados logo na negociação, garantindo previsibilidade e segurança desde o início.

Outro ponto positivo é a flexibilidade. O contrato pode ser encerrado de forma parcial ou total, dependendo das necessidades do investidor. Essa liberdade permite ajustes no planejamento financeiro sem comprometer toda a operação.

O NDF também oferece a possibilidade de definir um prazo personalizado, adaptando-se tanto a operações de curto quanto de longo prazo. Essa característica é especialmente útil para empresas que precisam se proteger de variações cambiais em períodos específicos.

E talvez o benefício mais buscado: o NDF trava uma taxa de câmbio previamente acordada, protegendo o investidor contra possíveis oscilações do mercado.

Assim, no dia do vencimento, há apenas a liquidação financeira da diferença entre a taxa combinada e a taxa real, o que significa que uma das partes paga, e a outra recebe o ajuste.

Saiba mais: Crise cambial: o que é, como funciona e efeitos

Qual é a diferença entre trava de câmbio e NDF?

A trava de câmbio é uma operação tradicional de câmbio, mas com liquidação programada para uma data futura, geralmente superior a dois dias úteis. Ou seja, o valor e a taxa são fixados no momento da negociação, mas o pagamento e a entrega da moeda acontecem depois.

Imagine uma empresa brasileira que precisa pagar um fornecedor nos Estados Unidos daqui a um mês. Para não correr o risco de o dólar subir até lá, ela “trava” a taxa de câmbio hoje, digamos, R$ 5,00 por dólar.

Quando chegar o dia do pagamento, a transação será feita exatamente nessa taxa, independentemente da cotação do momento.

o NDF funciona de forma parecida, mas como um contrato derivativo, e não há entrega física da moeda. Em vez disso, no vencimento, as partes apenas liquidam financeiramente a diferença entre a taxa combinada e a taxa efetiva do câmbio.

Para visualizar isso, suponha que uma empresa feche um NDF de US$ 100 mil com taxa de R$ 5,00. No dia do vencimento, se o dólar estiver em R$ 5,10, a empresa recebe a diferença de R$ 0,10 por dólar (R$ 10 mil). Se o dólar cair para R$ 4,90, ela paga essa diferença.

Portanto, enquanto a trava de câmbio envolve a compra e venda real da moeda em uma data futura, o NDF é uma forma mais financeira e flexível de proteção, muito usada em mercados onde o câmbio é controlado ou em situações em que não há necessidade de envio físico de dinheiro.

Trava de câmbio x NDF: qual escolher?

De modo geral, a trava de câmbio costuma ser mais vantajosa para empresas que lidam diretamente com importação e exportação, já que envolve a entrega real da moeda.

Ela garante previsibilidade e segurança no fluxo de caixa, pois o valor da operação é fixado com antecedência, evitando surpresas na hora do pagamento ou recebimento.

O NDF, por outro lado, tende a ser a escolha preferida de instituições financeiras, investidores e companhias que desejam apenas se proteger da variação cambial, sem precisar realizar a troca física de moeda.

É uma solução para quem busca gestão de risco com mais flexibilidade, permitindo ajustar contratos conforme a necessidade e liquidar apenas a diferença entre as taxas.

Assim, a decisão entre trava de câmbio e NDF depende principalmente do objetivo da operação: enquanto uma envolve a movimentação real de moeda, a outra se limita ao ajuste financeiro, ambas, no entanto, cumprem o papel de blindar o negócio contra as incertezas do mercado cambial.

Leia também: Preço x Valor: o que realmente importa ao investir com fundamento

Fonte: One Investimentos, Ouri Bank.

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