Como dar prejuízo pro banco? 4 formas de ganhar dinheiro dos bancos

19 de junho de 2026 - por raulsena1


A lógica dos bancos é simples: eles te emprestam dinheiro esperando que você erre, atrase e pague juros absurdos em cima disso. Antigamente, muitos nem aceitavam débito em conta no cartão de crédito justamente por isso: quanto mais chance de você esquecer de pagar, melhor pra eles.

Hoje a tecnologia mudou um pouco esse jogo, mas a essência continua a mesma. Se você ainda tem cartão que só aceita pagamento via boleto, como alguns cartões de companhias aéreas, o conselho é: cancele. Em 2026, isso é uma armadilha desnecessária.

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1. Parcelar no cartão e deixar o dinheiro rendendo

Se você vai comprar algo, vale a pena perguntar se tem desconto no pagamento à vista. Se o desconto for pequeno ou inexistente, compensa muito mais parcelar no cartão e deixar o dinheiro investido enquanto isso.

O raciocínio é o seguinte: num produto de R$ 10 mil parcelado em 12 vezes, você pode deixar esse valor aplicado e ir resgatando mês a mês para pagar as parcelas. Só que o investimento precisa ser escolhido com atenção.

O Tesouro Selic, por exemplo, tem 22,5% de IR retido na fonte e ainda cobraria IOF no resgate abaixo de 30 dias. Já o AFPO11, um ETF negociado em bolsa que rende aproximadamente a Selic, começa com alíquota de 15% e não tem IOF. Ou seja, ele entrega um retorno mais eficiente para esse tipo de estratégia de curto prazo.

Rodando as contas, no exemplo de R$ 10 mil parcelados em 12 vezes, você sairia com cerca de R$ 630 no bolso ao final do período, contra apenas R$ 223 se tivesse pago à vista sem desconto. Para o pagamento à vista valer a pena, o desconto precisaria ser de pelo menos 5,66%.

Detalhe importante: essa estratégia só faz sentido se você já tem o dinheiro disponível para pagar à vista. Se não tem, você não está ganhando nada do banco, está pagando.

2. Proteção de preço do cartão

Esse é um dos benefícios mais desconhecidos e mais valiosos que existe. Vários cartões Mastercard e Visa oferecem o chamado seguro de proteção de preço: se você compra um produto e encontra ele mais barato em até 30 dias, o cartão te devolve a diferença.

No Mastercard Gold, por exemplo, o benefício cobre diferenças de até R$ 500 por compra, com limite de R$ 1.000 por ano. A compra precisa ter sido feita no cartão, o produto precisa custar no mínimo R$ 50 e o anúncio mais barato precisa ser de um site ou loja registrados no Brasil.

O mais curioso é que isso acontece quase de forma automática: você compra algo, começa a receber anúncios daquele mesmo produto no feed e, se aparecer mais barato, é só acionar o benefício.

A Visa chegou a oferecer uma versão ainda mais generosa, com cobertura de até R$ 30 mil. Mas esse benefício foi sendo reduzido ao longo do tempo, provavelmente porque mais gente começou a usar. O que ainda existe, vale explorar antes que suma.

Para verificar se o seu cartão tem essa proteção, basta pesquisar no Google o nome do cartão mais “proteção de preço” ou “price protection”.

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3. Como lucrar com milhas

Muita gente prefere o cashback pela praticidade, mas quando o assunto é tirar mais dinheiro do banco, as milhas costumam compensar mais.

O motivo é a multiplicação. Quando você acumula pontos e aproveita os programas de transferência com bônus, que geralmente acontecem três ou quatro vezes por ano, dá para dobrar o valor das milhas. Transferindo de programas como Livelo para Azul, Latam ou Smiles com 100% de bônus, o que antes valia pouco passa a valer bastante.

Depois disso, você pode usar as milhas em passagens ou vender para sites especializados. No geral, o retorno é maior do que o cashback que o banco te ofereceria diretamente.

O cashback é simples porque o banco calcula quanto vai receber de volta das bandeiras e te repassa uma parte. No sistema de milhas, o banco paga mais caro para oferecer esse benefício, então faz mais sentido para quem está tentando ganhar dinheiro deles.

4. O banco provavelmente está te cobrando algo indevido

Esse é o ponto mais importante e o mais ignorado.

Todo contrato bancário tem obrigações para os dois lados. E a chance de o seu banco estar cumprindo 100% do que foi acordado com você é praticamente zero.

A forma mais simples de descobrir isso é pegar o extrato dos últimos 12 meses pelo app ou site do banco e jogar em qualquer inteligência artificial com a pergunta: “Existe alguma taxa cobrada aqui que não foi contratada?”

Você pode encontrar coisas como anuidade de cartão que você não solicitou, serviço com valor pequeno incluído sem autorização, ou cobranças que somem quando você reclama e voltam dois meses depois, tudo isso é ilegal. O banco só pode cobrar o que foi expressamente acordado antes.

Quando isso acontece, o caminho mais simples é registrar uma reclamação na ouvidoria do Banco Central. Assim que o banco recebe essa notificação, ele entra em contato para resolver, porque existe um limite de demandas que cada banco pode acumular no Banco Central antes de sofrer restrições operacionais.

Se a situação for mais séria, como seguros incluídos sem autorização, empréstimos que você não pediu ou cobranças que se acumularam por anos, vale a pena procurar um advogado especializado, muitos deles trabalham só no êxito. O banco não apenas devolve o valor cobrado indevidamente, mas paga com correção e juros pelas mesmas taxas que ele próprio usa contra você.

A lógica é simples: o banco não te dá desconto quando você atrasa um dia. Então não existe motivo para você fazer acordo com ele, quando ele erra.

Quer conferir mais detalhes como você pode dar prejuízo para os bancos? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!

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