Governo dos EUA bane Claude e isso pode estourar a bolha

12 de julho de 2026 - por raulsena1


No dia 13 de junho de 2026, o governo dos Estados Unidos emitiu uma diretiva de controle de exportação bloqueando o acesso de qualquer cidadão estrangeiro a dois modelos da Anthropic: o Fable 5 e o Mythos 5.

Os dois tinham acabado de ser lançados e eram, sem exagero, extremamente disruptivos. Eu testei os dois e a diferença de precisão era nítida, ninguém sabe ao certo o que o governo encontrou ali. Pode ter sido alguma vulnerabilidade exposta ou a capacidade desses modelos de puxar dados históricos, inclusive econômicos, do mundo inteiro de forma rápida demais.

A ordem pedia que nenhum cidadão não americano tivesse acesso ao sistema. Só que isso, na prática, é inviável: qualquer empresa americana tem funcionários estrangeiros que também usariam a ferramenta. Como a Anthropic não conseguiu cumprir a exigência de forma seletiva, ela simplesmente desativou os dois modelos globalmente, inclusive nos EUA. A justificativa oficial veio depois, falando em risco de segurança e técnicas de jailbreak.

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Como isso impacta a economia?

O precedente aqui é grande. O Estado começou a tratar inteligência artificial como um recurso estratégico, da mesma forma que trata minério ou petróleo.

Isso cria um risco de continuidade para as empresas do setor: se um modelo ficar bom demais, ele pode deixar de ser permitido pra estrangeiro, sob a alegação de risco à segurança nacional. A fronteira da IA cruzou o terreno geopolítico, e tem gente dizendo que esse pode ser o estopim que a bolha da IA precisava para estourar. Particularmente, duvido muito que a gente chegue nesse ponto, ao menos nesse momento.

O problema dos subsídios

Existe um ponto que pouca gente discute: de 90% a 98% do custo real da IA hoje é subsidiado. Isso significa que a IA pode custar até 50 vezes mais do que está sendo vendida pro público. Alguns provedores perdem mais de um dólar para cada dólar de receita. Um plano vendido por 20 dólares deveria, na melhor estimativa, custar algo em torno de mil dólares para ser sustentável.

Só a OpenAI projeta um prejuízo de 14 bilhões de dólares em 2026, com meta (isso mesmo, meta) de reduzir esse prejuízo para 115 bilhões até 2029.

O risco não é só das empresas de IA, é de quem depende delas. Se sua empresa substitui vendedores, atendentes e desenvolvedores por IA e o preço dessa ferramenta for reajustado lá na frente, sua operação vira refém de um custo que pode disparar. É parecido com o que aconteceu com publicidade digital: o que começou barato virou, com o tempo, um item pesado no balanço.

A partir de junho de 2026, cobrança por token e crédito virou quase regra no mercado. A estimativa é de alta de 30% a 50% nas tarifas de inferência corporativa quando a normalização de preços ocorrer, em um prazo de 12 a 24 meses.

O símbolo da bolha: SpaceX

Se tem uma empresa que representa esse momento esquisito da economia, é a SpaceX. O valuation dela já se aproxima do da Amazon, só que sem a capacidade de lucro equivalente. O único produto lucrativo da empresa é a Starlink e mesmo instalado em todo lar do planeta, ainda não justificaria o valuation atual.

Olhando pro indicador de preço sobre lucro (o P/L), hoje estamos perto de 40 vezes. Em 1881, sem tecnologia nenhuma, a média histórica era de 17 vezes. No pico das dot-coms, em 1999, chegou a 44 vezes. Ou seja: estamos quase batendo o recorde mais crítico da história do mercado.

O indicador Buffett (valor de mercado dividido pelo PIB) está em 230%, contra uma média histórica de 155%. E a concentração nas dez maiores empresas do índice principal americano subiu de 24% para algo entre 36% e 40%. As Magnificent 7, que devem virar 8 com a SpaceX, já representam 33,8% do S&P 500 sozinhas.

O outro lado da moeda

Nem tudo é motivo de pânico. As grandes empresas de tecnologia envolvidas com IA são, de fato, lucrativas, diferente da maioria das dot-coms de 1999. Os lucros cresceram em dois dígitos, e ganhos de eficiência com chips próprios podem baratear a inferência no futuro. Um CAPE alto não marca automaticamente o topo do mercado, ele pode ficar elevado por anos.

O que mais me incomoda, na verdade, não é o P/L nem a concentração. É a sensação de que o cenário atual só se sustenta se tudo der certo, e na ordem certa. É como apostar que seu time vai fazer sete gols, com os jogadores certos marcando cada um deles. Pode até sair um resultado bom, mas se sair qualquer coisa diferente do roteiro perfeito, o mercado reage mal, porque já embutiu a perfeição no preço.

Vale a pena investir em IA?

Não estou dizendo para não investir em IA ou nos EUA, eu particularmente, tenho posições lá fora. No entanto, acredito que é preciso ser conservador. Além disso, é importante diversificar entre setores que seguem fora de moda, como energia, água, alimentos e metais, pois isso garante uma excelente proteção para sua carteira.

Toda década tem sua febre (foi aviação, foi as pontocom, agora é IA) e raramente todo mundo está errado sobre o potencial da tecnologia. O problema é achar que só duas ou três empresas vão sobreviver ao ajuste e apostar tudo nelas sem uma rede de segurança.

Quer entender melhor sobre todo esse cenário e esse novo momento que estamos vivendo? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!

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