O que está acontecendo com a economia brasileira?

17 de julho de 2026 - por raulsena1


O momento atual faz com que muitas pessoas se questionem se o seu setor está em crise mesmo ou se esse é um problema geral, que todos estão enfrentando. Bom, estamos vivendo um momento diferente, de fato. Mas, para entender o momento atual, precisamos voltar um pouco na história do Brasil.

Lá no fim dos anos 80 até meados dos 90, o Brasil viveu uma hiperinflação absurda, passando de 1000% ao ano. Isso significa que R$ 1.000 no início do ano viravam quase nada no fim. Uma sucessão de presidentes tentou resolver o problema e só piorava as coisas.

O Sarney chegou a lançar boi no pasto porque os produtores rurais não queriam mais vender a preço nenhum. E o Collor decidiu confiscar a poupança de todo mundo achando que assim ia segurar os preços.

Resultado: a economia travou de vez, ninguém investia mais, ninguém confiava em nada. Foi esse período que deixou os brasileiros tão traumatizados com poupança até hoje.

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O Plano Real e a virada de chave

Depois desse caos todo, o Itamar Franco assumiu o país destroçado e, com uma equipe afiada, criou o Plano Real. A ideia era simples: controlar a inflação usando três pilares, o famoso tripé macroeconômico: câmbio flutuante, meta de inflação e taxa de juros como ferramenta para manter tudo nos trilhos.

Funcionou, o Brasil saiu de uma inflação de quatro dígitos para uma inflação de um dígito, e isso por si só, já foi motivo de comemoração. As pessoas voltaram a parcelar compras, o consumo cresceu e a economia disparou.

O auge de 2012 e a queda

Esse crescimento foi tão forte que, em 2012, o Brasil chegou ao pico. O mundo inteiro estava de olho aqui. A China veio estudar o nosso modelo, os Estados Unidos deram uma espiada e o país virou símbolo de estabilidade econômica.

Empresas brasileiras construíam aeroportos na Europa e portos na América Latina. Produzíamos nossos próprios eletrônicos, notebooks e até videogames.

O problema é que, a partir dali, o Brasil parou de investir e passou a gastar mais, se endividando cada vez mais. Não que os programas sociais tenham sido ruins, muita gente conseguiu estudar e melhorar de vida graças a eles, mas o país foi deixando de lado os investimentos que trariam retorno lá na frente. Foi ficando mais dependente do agronegócio e menos da indústria, o que significa menos empregos de qualidade no médio prazo.

O resultado desses desequilíbrios foi o pior cenário possível para qualquer economia: a estagflação. Que é quando a economia praticamente não cresce ao mesmo tempo que a inflação sobe. Para tentar segurar essa inflação, o Brasil precisou subir a taxa de juros, a Selic, que já chegou a bater 18%, 20% em alguns momentos. Atualmente ela está em 14,5%.

Por que a Selic alta trava tudo?

Aqui está o ponto que mais afeta o seu bolso e o seu negócio. Quando a Selic está nesse patamar, qualquer empresa que precise de crédito vai pagar bem mais que isso para conseguir um empréstimo. Enquanto na China as empresas se financiam a 3,5% ao ano e nos EUA a taxa gira em torno de 4,5% a 5%, aqui no Brasil um empresário precisa ser muitas vezes mais eficiente só para conseguir competir.

E tem um detalhe que faz tudo travar ainda mais: com a Selic em 14,5%, muita gente prefere simplesmente deixar o dinheiro rendendo sem fazer nada, a arriscar abrir uma empresa ou expandir um negócio.

Afinal, por que abrir uma indústria para ganhar 20% de retorno, correndo todo tipo de risco, se dá para ganhar 14% sem sair do lugar? Isso trava o investimento, trava a geração de empregos, trava o aumento de salários, porque menos empresas competindo por trabalhadores significa menos poder de negociação para quem está buscando um salário melhor.

Brasil andando em círculos?

Um dos grandes problemas é que o Brasil nunca chegou a uma definição clara de que caminho econômico quer seguir. Outros países, mesmo que errando em algumas escolhas, têm um norte definido, seja pela via estatal ou pela via liberal. No entanto, o Brasil vive nesse meio-termo, puxado ora para um lado, ora para outro, sem nunca se firmar em um rumo. E isso dificulta demais a solução dos problemas estruturais.

E como iremos passar por uma eleição em breve é importante pensar nisso também. Vale muito mais a pena entender o que o candidato pensa sobre economia do que ficar preso em pautas que geram muito barulho, mas pouco impacto prático na vida das pessoas. Entender esse raciocínio econômico, mesmo que de forma simples, ajuda a sociedade a decidir que rumo quer seguir.

Apesar de tudo isso, vale lembrar: o Brasil já viveu momentos muito piores. Já tivemos inflação de quatro dígitos, já vivemos sem saneamento básico em boa parte do país.

Hoje estamos em um dos melhores índices de desenvolvimento humano da nossa história. Com todos os erros e tropeços recentes, o Brasil de hoje é bem melhor do que o das décadas de 80, 90 e 2000. Só não recuperou o patamar de 2010, ainda. Mas, isso não significa que o país vai acabar ou que vamos entrar em um grande colapso!

Estamos em um momento muito estratégico e interessante, mas precisamos que boas decisões econômicas sejam tomadas, para que esse cenário se torne ainda mais positivo e promissor. Quer entender melhor sobre o cenário que estamos vivendo? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!

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