Vão cortar a SELIC mesmo com a inflação subindo, olha a ideia

8 de junho de 2026 - por raulsena1


O mercado financeiro já trabalha com a expectativa de um novo corte na taxa Selic nos próximos meses. E, quando falamos de juros no Brasil, não estamos falando apenas de investimentos. A decisão impacta crédito, inflação, consumo, dólar, bolsa de valores e até o preço do tomate no supermercado.

Nos bastidores, o debate ficou ainda mais intenso porque o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, passou a ser criticado por diferentes grupos políticos e econômicos. O que nos faz perceber que o Banco Central independente foi uma das melhores decisões do Brasil nos últimos anos. Afinal, se está desapontando o governo e a oposição ao mesmo tempo, provavelmente estão fazendo a coisa certa.

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O mercado precifica os movimentos

No mercado financeiro, boa parte dos movimentos acontece antes da decisão oficial do Banco Central.

Gestores de fundos, bancos, corretoras e grandes instituições analisam inflação, a atividade econômica, o câmbio e o cenário internacional como um todo, para projetar os próximos passos do COPOM, o Comitê de Política Monetária.

Na prática, quando o mercado começa a acreditar fortemente em uma queda de juros, os ativos já começam a se movimentar antes mesmo do anúncio oficial. É quase uma engrenagem de expectativas: a previsão acaba influenciando a própria decisão.

Por isso, muitos analistas dizem que o mercado “precifica o futuro”.

Por que juros tão altos travam a economia?

A taxa Selic em níveis elevados funciona como um freio econômico. O objetivo é controlar a inflação, já que juros altos tornam o crédito mais caro, reduzem o consumo e desaceleram investimentos. O problema é que existe um limite para esse remédio.

Com juros muito elevados as empresas deixam de expandir, os consumidores compram menos, os financiamentos se tornam inviáveis e os pequenos negócios tem muito mais dificuldade para conseguir crédito.

Para muitos empresários, o cálculo acaba sendo simples: se é possível ganhar retornos elevados investindo em títulos atrelados ao CDI, por que correr o risco de expandir um negócio em um ambiente econômico difícil? E é esse movimento que reduz os investimentos produtivos e enfraquece o crescimento da economia.

Está cedo de marcar para cortar a taxa de juros?

Se corte ocorrer agora, não acredito que ele seja prematuro. Na verdade, na minha opinião já deveria ter acontecido há muito tempo. Mas, quem defende que o corte é prematuro, acredita que podemos acelerar o preço de serviços e do câmbio, o que por sua vez pode causar a desvalorização do real.

No entanto, muitos analistas acreditam que cortes graduais não seriam suficientes para provocar uma fuga relevante de investidores, justamente porque o Brasil continua oferecendo retornos elevados em comparação ao cenário internacional.

Exista a possibilidade da moeda enfraquecer? Sim, mas eu não acredito que vai.

Particularmente, acho que essa seria uma decisão acertada do BC. O Brasil e o empresariado brasileiro já não aguenta mais, não conseguimos mais lidar com essa taxa de juros. Nós precisamos ter crescimento do PIB, ter um crescimento real.

O que muda para os investidores?

A possível queda da Selic muda bastante o jogo dos investimentos. Quem está na renda fixa, que agora está pagando muito bem, a tendência é de queda no retorno (porque tudo está fixado ao CDI).

Agora, caso você tenha pego um pré-fixado, pode se beneficiar bastante, já que ele é sensível à marcação a mercado.

Se você investe em Bolsa, se prepare, pois depois de roer o osso, finalmente vai poder comer a carne! Com a queda da taxa de juros, os investidores que estão na renda fixa, vão voltar para a bolsa e isso com certeza vai ajudar muito na valorização das empresas.

Agora, quem tem ativos reais, com o financiamento mais barato, o mercado imobiliário tende a ganhar força. Para quem investe em propriedades, fundos imobiliários ou setores ligados à economia real, um ambiente de juros menores costuma trazer mais atividade econômica.

O ponto principal é entender que o mercado muda de ciclo. E, nesse momento, o Brasil parece estar entrando numa fase em que o debate deixa de ser “até onde os juros vão subir” e passa a ser “qual será a velocidade da queda”.

Quer entender melhor sobre esse novo momento? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!

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