Obrigações de empréstimo colateralizadas (CLOs): o que são?

CLOs são títulos que agrupam empréstimos corporativos e os vendem a investidores em tranches com diferentes níveis de risco e retorno. Entenda mais sobre!

23 de fevereiro de 2026 - por Sidemar Castro


Obrigações de empréstimo colateralizadas (CLOs) são instrumentos financeiros estruturados que agrupam carteiras de empréstimos bancários, geralmente alavancados, e os securitizam em diferentes tranches de risco/retorno para investidores.

Operam como um veículo de propósito específico (SPV) que repassa fluxos de caixa. Entenda como eles funcionam neste artigo.

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O que são obrigações de empréstimo colateralizadas (CLOs)?

Elas são como pacotes de empréstimos corporativos, majoritariamente daqueles com classificação de risco mais alta, porém com a garantia dos ativos das empresas, que são “fatiados” em partes com diferentes níveis de risco e vendidos a investidores que buscam desde segurança até retornos elevados.

Pense um grande fundo que reúne centenas de empréstimos feitos a diversas empresas e, em seguida, transforma esse conjunto em diferentes tipos de investimentos que podem ser comprados e vendidos. Isso, em essência, é uma obrigação de empréstimo colateralizada (CLO).

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Quais são as características das CLOs?

As características que definem os CLOs são o que os tornam um ativo único. A mais marcante é que eles são “filhos” de empréstimos de taxa flutuante, então seus cupons se ajustam periodicamente com o mercado, oferecendo um escudo natural contra a alta dos juros.

Outra é a estrutura em camadas, que se assemelha a uma pirâmide de prioridades. No topo, estão as fatias mais seguras (AAA), que recebem os pagamentos primeiro.

Na base, está a fatia de equity, que é a última a receber, mas que fica com o que sobrar, potencialmente gerando retornos altos. Tudo isso é vigiado por regras automáticas que protegem as camadas superiores se a qualidade dos empréstulos piorar.

Como funcionam as CLOs?

O funcionamento de um CLO é uma jornada longa e organizada. Tudo começa com um gestor especializado que reúne dinheiro de investidores e monta uma carteira inicial de empréstimos corporativos.

Após o lançamento, ele tem um período de alguns anos para gerenciar ativamente essa carteira, trocando empréstimos antigos por novos, tentando melhorar o portfólio. Durante essa fase, os juros pagos pelas empresas são distribuídos “de cima para baixo” na pirâmide.

Após esse período, o CLO entra em fase de “desaceleração”, onde o dinheiro que volta do pagamento dos empréstimos é usado para resgatar os investidores das camadas superiores, até que toda a estrutura seja encerrada.

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Quem gerencia os CLOs?

Os “maestros” por trás dos CLOs são gestores de ativos ou equipes especializadas em crédito corporativo. Eles não são apenas administradores passivos; sua função é ativa. Eles escolhem quais empréstimos entram no portfólio, negociam no mercado, decidem quando vender um crédito problemático e quando reinvestir os recursos.

A expertise desse gestor é um dos fatores mais importantes para o sucesso do investimento, pois um bom gestor pode adicionar valor através de seleção e negociação habilidosa.

Como criar CLOs?

Criar um CLO é um processo que demanda expertise e coordenação. Primeiro, um gestor ou banco de investimento projeta a estrutura, definindo quantas e quais tranches serão oferecidas.

Paralelamente, começa a montar a carteira de empréstulos, muitas vezes usando um financiamento provisório. Com um portfólio substancial em mãos, ele vai ao mercado para vender as fatias de dívida e equity para investidores.

O dinheiro captado com essa venda é então usado para quitar o financiamento inicial e formalizar a aquisição da carteira. Com isso, o CLO “fecha” e começa sua vida operacional, seguindo as regras do jogo que foram estabelecidas no contrato.

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Quais são as vantagens das CLOs?

Para quem investe, os CLOs podem ser atraentes por algumas razões concretas. Em primeiro lugar, oferecem a chance de obter um rendimento superior ao de muitos títulos corporativos tradicionais com a mesma classificação de risco.

Depois, trazem a proteção da taxa flutuante, que preserva o valor do investimento quando os juros sobem.

A diversificação também é uma grande vantagem: ao comprar uma tranche de um CLO, o investidor está, na verdade, exposto a um pequeno pedaço de centenas de empréstimos diferentes, o que espalha o risco de default de uma única empresa.

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Quais são as desvantagens e riscos das CLOs?

É preciso ter os pés no chão: CLOs são investimentos complexos e arriscados. O risco de crédito é real – se a economia entrar em recessão e muitas empresas falirem, as perdas podem consumir as fatias subordinadas e atingir níveis mais altos do que o histórico sugere.

Além disso, não é tão fácil sair do investimento rapidamente; algumas tranches, especialmente as de menor rating, podem ter pouca liquidez, dificultando a venda se você precisar do dinheiro.

Por fim, a complexidade em si é um risco. Entender todos os detalhes da estrutura, dos testes de cobertura e da qualidade dos empréstulos exige conhecimento especializado, o que pode deixar o investidor menos informado em desvantagem.

Como investir em CLOs?

Há alguns anos, investir em CLOs era um clube quase exclusivo para grandes instituições financeiras. Hoje, o cenário está mais aberto.

Ainda existe a rota direta, através de brokers especializados que negociam as tranches no mercado secundário, mas isso requer um conhecimento técnico considerável e um capital mínimo alto.

Para a maioria dos investidores individuais, o caminho mais viável e menos complicado é através de fundos de investimento ou, mais recentemente, dos ETFs de CLOs.

Esses fundos fazem o trabalho pesado de analisar as estruturas e os gestores, permitindo que você tenha exposição ao ativo com a praticidade de comprar uma ação na bolsa.

Diferenças entre CLOs e CDOs

A principal diferença está na matéria-prima. Pense nos CLOs como um restaurante especializado: só trabalha com um tipo específico de ingrediente: empréstimos corporativos garantidos.

Já os CDOs são como um restaurante fusion que pode colocar de tudo no cardápio: desde títulos e empréstimos até outros produtos estruturados complexos, como as famigeradas hipotecas subprime. Foi essa mistura heterogênea e de baixa qualidade em alguns CDOs que os tornou tão perigosos durante a crise de 2008.

Os CLOs, por focarem em um colateral mais homogêneo e com garantias, têm um histórico de desempenho muito diferente.

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Diferenças entre CLOs e CMOs

Aqui, a diferença também é de matéria-prima, mas com um sabor distinto. Os CMOs são feitos de hipotecas de pessoas físicas para comprar suas casas.

Seu fluxo de caixa é diretamente ligado ao mercado imobiliário residencial e ao comportamento dos mutuários, que podem quitar seus financiamentos antecipadamente.

Os CLOs, por outro lado, são feitos de empréstimos para empresas fazerem aquisições, expansões ou reestruturações. O risco não é de que a empresa pague o empréstimo muito cedo, mas sim de que ela não consiga pagar.

Além disso, como os CLOs flutuam com a taxa de juros, eles se comportam de maneira oposta a muitos CMOs de taxa fixa quando o juro sobe.

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