31 de março de 2026 - por raulsena1
Novamente, o governo voltou a falar sobre uma possível tributação em ativos, atualmente isentos, como CRI, CRA, LCI e LCA. A sinalização de novas medidas por parte do governo tem gerado incerteza e reacendido o debate sobre o assunto. Já estou cansado de falar sobre esse assunto, mas infelizmente é uma pauta muito importante, que nos afeta enquanto investidores e que eu não posso simplesmente ignorar.
Veja também: Diferença entre tributo e imposto
Novo imposto
A proposta em circulação envolve a possibilidade de incidência de tributos sobre instrumentos que hoje são isentos de imposto de renda:
- CRI – Certificados de Recebíveis Imobiliários
- CRA – Certificados de Recebíveis do Agronegócio
- LCI – Letras de Crédito Imobiliário
- LCA – Letras de Crédito do Agronegócio
Esses ativos desempenham um papel relevante na economia, pois funcionam como fontes de financiamento direto para setores como construção civil e agronegócio.
E qual é a proposta? Criar um IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)como alternativa para viabilizar essa tributação, o que permitiria uma implementação mais rápida, já que esse imposto não está sujeito às mesmas regras de anterioridade do imposto de renda.
Por que esses investimentos são isentos?
A isenção desses papéis não é aleatória. Ela foi criada como um mecanismo de incentivo para áreas consideradas estratégicas.
O setor imobiliário depende desses recursos para financiar novos empreendimentos, o que impacta diretamente no acesso à moradia e o agronegócio é um dos pilares da economia brasileira e utiliza esses instrumentos para ampliar sua produção.
Ao oferecer isenção fiscal, o governo estimula a captação de recursos e reduz o custo de financiamento nesses setores.
Possíveis impactos da tributação
A eventual taxação desses ativos pode gerar uma cadeia de efeitos relevantes
O primeiro deles, seria o aumento do custo de crédito. Com menor atratividade para investidores, captar recursos via mercado se tornaria ainda mais caro.
Além disso, o consumidor final sofreria com o aumento dos preços de imóveis, alimentos e produtos já que as empresas tendem a repassar esse aumento
Outra consequência certeira, seria o desaquecimento de setores como o da construção civil e do agronegócio. Ou seja, não traria nada de bom pra ninguém.
O contexto político e fiscal
O debate ocorre em um momento sensível, especialmente por conta do ciclo eleitoral. Historicamente, períodos eleitorais costumam vir acompanhados de aumento de gastos públicos e busca por novas fontes de arrecadação.
Esse movimento não é exclusivo de um governo específico, mas levanta questionamentos sobre a qualidade das decisões fiscais e seus impactos no longo prazo.
Além disso, a falta de clareza e comunicação sobre possíveis mudanças contribui para um ambiente de insegurança jurídica, o que tende a afastar investidores.
Existe alternativa?
Apesar do cenário desafiador, o mercado financeiro costuma se adaptar rapidamente. Os investidores mais experientes frequentemente buscam alternativas como:
- Estruturas de fundos de investimento
- Diversificação internacional
- Estratégias de reinvestimento automatizado
Essas opções podem mitigar parte dos impactos tributários, embora nem sempre estejam acessíveis ou sejam viáveis para todos os perfis.
Na verdade, quem mais vai sofrer com as consequências disso (caso seja aprovado), é a classe média. Isso afeta principalmente os pequenos investidores. E em um cenário mais amplo, prejudica um dos setores que mais gera empregos no país, que é o da construção civil. É algo completamente absurdo e que está sendo feito sem que a sociedade possa discutir a respeito do assunto.
E não dá pra ser assim, acredito que não é esse o caminho. Com certeza, existem saídas mais benéficas e menos prejudiciais. Quer entender melhor sobre esse novo tributo e seus efeitos? Então, assista ao vídeo em que comento mais detalhadamente sobre!
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