25 de maio de 2026 - por Sidemar Castro
Um swap de commodities é um contrato derivativo no qual duas partes concordam em trocar fluxos de caixa com base na variação do preço de uma mercadoria. Ele serve para proteger empresas contra a volatilidade do mercado e funciona fora da bolsa, garantindo preços previsíveis para o planejamento financeiro.
Quer saber para que serve e como funciona o swap de commodities? Leia aqui.
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O que é swap de commodities?
Swap de commodities é um contrato financeiro em que duas pessoas ou empresas combinam trocar valores baseados no preço de um produto básico, como petróleo, gás natural, ouro, milho, soja ou café.
Esses contratos são feitos sob medida para cada negociação, sem passar por bolsas centralizadas. O que se troca são fluxos de dinheiro, não os produtos físicos.
A maioria dos swaps de commodities no mundo envolve petróleo, usado por companhias aéreas, transportadoras e indústrias.
Para que serve o swap de commodities
Serve para que empresas possam reduzir a incerteza sobre quanto vão pagar por uma matéria-prima no futuro ou quanto vão receber pela venda de seus produtos.
Uma empresa que fabrica sucos pode querer garantir o preço da laranja que vai comprar. Um minerador pode querer garantir o preço do minério de ferro que vai vender.
O swap permite que essas empresas se concentrem em suas atividades principais, em vez de ficarem preocupadas com os altos e baixos do mercado de commodities.
Também serve para investidores que apostam na direção dos preços sem precisar comprar o produto fisicamente.
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Como funciona o swap de commodities?
Duas partes assinam um contrato que vale por um período determinado, que pode ser de meses a anos. O contrato especifica qual commodity está envolvida, qual a quantidade (chamada de valor nocional) e qual o preço fixo acertado entre elas.
Em datas combinadas, todo mês, por exemplo, elas comparam o preço fixo com o preço de mercado da commodity naquele momento. Quem deve mais paga a diferença para o outro. Não há entrega física do produto.
O banco ou instituição financeira normalmente atua como intermediário, fazendo a ponte entre quem quer pagar preço fixo e quem quer pagar preço flutuante, e ganha com a diferença entre as duas pontas.
Principais tipos de swap de commodities
Fixo-flutuante
É a estrutura mais direta. Uma parte concorda em pagar um valor fixo por unidade da commodity. A outra parte concorda em pagar o preço de mercado flutuante) na mesma unidade. No final de cada período, calcula-se a diferença. Se o preço de mercado está maior que o fixo, quem está recebendo o fixo (e pagando o flutuante) paga a diferença. Se o preço de mercado está menor, o fluxo se inverte. Esse tipo é usado tanto por compradores quanto por vendedores de commodities.
Commodity por juros
Nesta modalidade, uma das pernas do contrato é atrelada ao retorno da commodity, e a outra perna é atrelada a uma taxa de juros. Por exemplo, uma parte paga a variação do preço do petróleo, se subir 10%, paga 10% sobre o valor nocional, e recebe a taxa CDI do período. A outra parte faz o oposto. Esse tipo é mais comum entre investidores institucionais e fundos que querem se expor a commodities sem ter que lidar com armazenamento, transporte ou venda física do produto.
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Exemplos de swap de commodities
Uma empresa aérea europeia quer se proteger contra alta do combustível. Ela assina um swap fixo-flutuante de 12 meses com um banco para 100 mil barris de petróleo. O preço fixo acordado é de 80 dólares por barril. No primeiro mês, o preço de mercado do petróleo sobe para 85 dólares. O banco paga para a companhia aérea a diferença de 5 dólares por barril, totalizando 500 mil dólares. Esse dinheiro compensa o que a empresa gastou a mais comprando querosene no mercado físico.
Um produtor de café no sul de Minas Gerais está planejando a próxima safra. Ele teme que os preços caiam muito até a colheita. Ele procura uma trading e faz um swap fixo-flutuante para 5 mil sacas de café. O preço fixo acertado é de 600 reais por saca. Na época do pagamento, o mercado está pagando apenas 550 reais por saca. A trading paga ao produtor a diferença de 50 reais por saca, ou 250 mil reais no total. O produtor, somando o que recebeu do mercado (550 reais) com o que recebeu do swap (50 reais), atinge exatamente os 600 reais que havia planejado.
Importância do swap de commodities
A importância desses contratos vai além das empresas que os usam diretamente. Eles ajudam a economia como um todo a funcionar de maneira mais suave.
Quando uma companhia aérea se protege contra alta do petróleo, ela evita repassar todo o aumento para as passagens, o que beneficia os passageiros.
Quando um agricultor garante um preço mínimo, ele pode investir em tecnologia e aumentar sua produtividade, o que beneficia o consumidor final com mais alimentos.
Os swaps também fornecem informações valiosas sobre o que os participantes do mercado esperam para os preços futuros, ajudando na tomada de decisões em toda a cadeia produtiva.
Outros tipos de Swap
- Swap de índices: a troca envolve o desempenho de índices de ações (como o Ibovespa) ou índices de preços (como o IPCA). Uma empresa que tem dívida corrigida pela inflação pode trocar esse risco por um índice ligado à sua receita.
- Swap de taxa de juros: as partes trocam diferentes formas de cálculo de juros. O mais comum é trocar uma taxa que varia (como CDI ou Selic) por uma taxa que fica fixa durante todo o contrato. Isso ajuda empresas a planejar seus pagamentos futuros sem sustos.
- Swap cambial: a negociação envolve a variação de moedas estrangeiras. O Banco Central realiza esses swaps com frequência no Brasil. No swap cambial tradicional, o Banco Central paga a variação do dólar e recebe a taxa de juros (CDI ou Selic). Isso ajuda a conter a alta do dólar. No swap cambial reverso, ele paga os juros e recebe a variação do dólar, usado quando a moeda americana cai rápido demais.
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