18 de junho de 2025 - por Sidemar Castro
Sabe quando a gente precisa comparar preços ou valores de épocas diferentes, mas a inflação acaba distorcendo tudo? Pois é, o deflator entra justamente como um “ajuste especial” nessa história!
Ele é um indicador econômico que ajuda a trazer valores atuais para o passado, limpando o efeito acumulado da inflação ao longo do tempo. Basicamente, ele nos permite ver quanto algo realmente valeria naquela época, sem o peso da desvalorização da moeda. Veja como calcular e exemplo.
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O que é deflator?
Já pensou em comparar o preço de algo hoje com o de anos atrás e saber se realmente ficou mais caro, ou se foi só a inflação agindo? É para isso que serve o deflator! Ele é como um termômetro inteligente que mede apenas a variação de preços daquilo que você quer analisar, seja um único produto ou um conjunto deles.
Seu grande feito é tirar o “disfarce” da inflação dos valores. Assim, você enxerga o crescimento real (mais produção, mais demanda, mais qualidade) e não apenas o aumento artificial causado pelos preços subindo no geral.
Vamos imaginar que você tem valores de 2020 e 2024. Ao aplicar o deflator, é como colocar óculos especiais que ajustam tudo para o mesmo patamar de preços. De repente, a comparação fica justa! Você vê claramente se houve um avanço verdadeiro, sem a inflação atrapalhar sua visão. É a chave para análises econômicas que fazem sentido.
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Exemplos de deflator
- Deflator do PIB: É uma ferramenta essencial para medir o crescimento real de uma economia. Faz isso mostrando o quanto os preços mudaram no país, em relação a um ano-base. A fórmula é simples: Deflator do PIB = (PIB nominal / PIB real) x 100. Se o resultado for 110, quer dizer que os preços subiram 10%.
- IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo): Usado para medir a inflação oficial no Brasil, também pode ser utilizado como deflator para corrigir valores salariais ou contratos.
- IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna): Outro índice de preços que pode servir como deflator para ajustar valores em contratos ou séries históricas.
- Índice de Preços ao Produtor (IPP): Mede a variação dos preços dos produtos ainda nas fábricas, antes de chegarem ao consumidor, e pode ser usado como deflator em análises do setor industrial.
Exemplo prático: Suponha que o valor das passagens aéreas subiu muito em um ano. Para saber se o volume de serviços de transporte realmente cresceu ou se só ficou mais caro, o IBGE pode usar o preço das passagens como deflator e descobrir o aumento real do setor.
Principais deflatores do Brasil
No Brasil, quando o assunto é deflator, só existe um campeão: o Deflator do PIB. Ele é o nosso “detetive” oficial para descobrir se a economia realmente avançou ou se foi só a inflação disfarçada de progresso.
Por que ele é tão importante? Bem, imagine que o PIB nominal (aquele valor “bruto” que a gente vê no jornal) é como uma foto com filtro: Se o PIB subiu, pode ser porque produzimos mais soja, carros e serviços… Ou pode ser só porque tudo ficou mais caro com a inflação.
É aí que entra o deflator do PIB — o “filtro do Instagram” da economia! Ele presta um serviço essencial:
- Tira o efeito inflação do PIB nominal
- Transforma ele no PIB real (ou seja, em preços de um ano passado, como 2020 ou 2015)
Na prática? Só assim a gente descobre se o agro vendeu mais toneladas, se a indústria fabricou mais peças, ou se foi só o preço do boi e do aço que subiu. É o jeito mais justo de comparar 2024 com 1994, por exemplo.
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Deflator implícito do PIB
Como calcular o deflator do PIB?
O deflator do PIB é calculado pela fórmula:
Deflator do PIB = PIB nominal / PIB real) x 100
Então, quando a gente fala em PIB nominal e PIB real, a diferença é simples, mas importante:
O PIB nominal é como tirar uma foto da nossa economia usando os preços de hoje. É o valor total de tudo que foi produzido em um ano, com o preço que estava valendo naquele exato momento.
Já o PIB real é mais esperto. Ele pega essa mesma produção, mas a calcula usando os preços de um ano “de referência” (um ano-base que a gente escolhe). É como se a gente “limpasse” a foto da inflação. Assim, a gente consegue ver o crescimento “de verdade”, sem aquela ilusão de que as coisas cresceram só porque os preços subiram.
Ao dividir o PIB nominal pelo PIB real e multiplicar por 100, a gente consegue um número que mostra o quanto os preços médios da economia mudaram entre o ano-base e o ano atual.
Por exemplo, se esse número (que é o deflator do PIB) for 105, significa que os preços em geral subiram 5% em relação ao nosso ano de referência.
Por que o deflator do PIB é implícito?
A resposta está no jeito único como ele surge. Diferente de índices tradicionais de inflação, como o IPCA, que depende de pesquisas diretas de preços em mercados, lojas e postos de gasolina, o deflator não é calculado batendo ponto em prateleiras.
Ele aparece indiretamente, quase como um segredo que a economia revela quando comparamos dois números fundamentais: o PIB nominal (aquele valor bruto da produção, cheio dos preços atuais) e o PIB real (que mede a mesma produção, mas usando preços congelados de um ano-base).
É nesse “meio” que a coisa acontece: a diferença entre esses dois PIBs implica a variação geral de preços. Por isso o nome “implícito” – porque a inflação não é medida produto a produto, mas emerge dessa relação matemática. E o melhor: ela reflete tudo que se passa na economia real, desde o feijão no prato do trabalhador até máquinas pesadas na indústria… incluindo até os gastos invisíveis do governo, como estradas e hospitais públicos.
E tem um detalhe poderoso: enquanto índices como o IPCA usam uma cesta fixa de produtos (que pode ficar desatualizada se o consumo mudar radicalmente), o deflator do PIB é dinâmico.
Ele respira com a economia. Se o país passa a produzir mais energia solar e menos carvão, ou se serviços digitais viram febre, o deflator captura essas mudanças na hora, porque ele espelha o peso real de cada setor na produção nacional. É como ter um termômetro que se recalibra sozinho conforme o paciente muda.
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Relação entre o deflator do PIB e o teto de gastos
O governo tem um limite para seus gastos, conhecido como “teto de gastos”, que é ajustado pela inflação oficial, medida pelo IPCA. Ao mesmo tempo, para calcular o tamanho total da economia, ele usa o deflator do PIB, que mostra o valor nominal do que o país produz.
Na prática, o governo costuma supor que o IPCA e o deflator do PIB vão subir juntos, na mesma proporção. Isso quase nunca acontece.
Quando o deflator do PIB, que reflete a inflação de tudo no país, sobe mais que o IPCA (que é a inflação que sentimos no nosso dia a dia), o valor nominal da economia cresce mais rápido. Para o governo é bom, permite aumentar os gastos sem que a relação da dívida com o PIB pareça piorar, já que o “bolo” da economia está maior.
Desse modo, essa diferença entre os dois índices pode ajudar o governo a ter mais espaço para gastar dentro das regras do teto.
Leia mais: Deflação: o que é, como ela é calculada e quais seus impactos?
Fontes: Top Invest, Suno, Mais Retorno.