19 de janeiro de 2021 - por Nathalia Lourenço

Quando surgiu na Inglaterra, o termo goodwill referia-se ao valor que um terreno adquire devido à sua localização. Contudo, como a língua é fluída e evolui, o termo passou a significar patrimônio de marca.
Portanto, goodwill está ligado aos elementos que contribuem com a valorização de uma empresa, como por exemplo, o valor da marca e a relação com os clientes, já que tudo isso é importante na hora de estabelecer o preço de venda de uma empresa.
Podemos perceber o goodwill quando uma empresa é vendida por um valor acima do seu valor justo. Isso porque os elementos que valorizam a marca também estão inclusos no valor pago pela companhia, formando o ativo intangível da empresa.
O que é goodwill
O termo goodwill significa patrimônio de marca. Ele reúne elementos não materiais que impulsionam o desenvolvimento da empresa e aumentam seu valor. Entre esses elementos, destacam-se a relação sólida com os clientes, a qualificação dos profissionais e o reconhecimento da marca.
Quando surgiu na Inglaterra, no século XVI, o termo se referia apenas à valorização de um terreno. Com o tempo, seu significado evoluiu e, hoje, representa patrimônio de marca, ativo intangível ou ágio por rentabilidade futura.
O goodwill se torna evidente quando uma empresa é vendida por um valor superior ao seu valor justo, considerando os ativos intangíveis. Nesses casos, a empresa compradora paga um prêmio além do valor justo.
Como funciona
No Brasil, a legislação obriga as empresas a avaliarem detidamente suas aquisições. Desse modo, a análise do custo da aquisição é feita por meio de três critérios:
- O patrimônio líquido da empresa no momento da compra;
- A diferença entre os ativos líquidos e o valor contábil líquido, chamado de mais ou menos-valia;
- E, por fim, é verificado o goodwill, que é o resultado do item anterior.
Uma característica essencial do goodwill é que ele não aparece no balanço patrimonial da companhia. Dessa forma, ele não é amortizado nem depreciado. Isso significa que os ativos intangíveis de uma empresa não possuem uma duração nem limitação de tempo de existência.
Para fazer a mensuração do goodwill é preciso fazer o chamado impairment of goodwill, um teste de recuperabilidade anual. Sendo assim, por meio desse teste, é possível verificar o valor dos ativos intangíveis da empresa.
É importante notar que diversos aspectos externos e internos podem levar a um baixo resultado no impairment do goodwill. Sendo que essas variações costumam ocorrer principalmente após a aquisição de um negócio.
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Como calcular o goodwill?
O cálculo do valor do goodwill serve para determinar qual foi o valor pago acima do valor justo de uma empresa, tendo como base o seu patrimônio líquido, que é avaliado de acordo com os preços de mercado. Em outras palavras, o objetivo é estabelecer a diferença entre o preço pago e o seu valor justo. A fórmula para o cálculo é: Goodwill = VME – PLE
Sendo assim, VME é o valor de mercado da aquisição e o PLE é o patrimônio líquido da empresa, composto pelos ativos menos passivos.
Suponhamos que uma empresa venda-se por R$ 10 milhões. Além disso, ela tenha R$ 20 milhões em ativos e R$ 12,5 milhões em passivos. Se aplicarmos esses dados na fórmula, temos: Goodwill = 10 – ( 20 – 12,5 ) = 2,5. Portanto, o resultado indica que R$ 2,5 milhões serão registrados como ativos intangíveis.
Qual é a importância de calcular o goodwill?
Calcular o goodwill é essencial para avaliar corretamente o valor de uma empresa em processos de compra, venda ou fusão. Ele representa os ativos intangíveis que agregam valor ao negócio, como reputação, carteira de clientes, marca e expertise da equipe.
Principais razões para calcular o goodwill:
- Determinar o valor real da empresa – O goodwill mostra se o preço de venda supera o valor dos ativos tangíveis, ajudando na negociação.
- Analisar a rentabilidade futura – Empresas com alto goodwill tendem a gerar mais lucro a longo prazo devido à fidelidade dos clientes e reconhecimento da marca.
- Tomar decisões estratégicas – Empresas usam o goodwill para avaliar se uma aquisição realmente vale a pena e para precificar ações no mercado.
- Atender normas contábeis e fiscais – Em aquisições, o goodwill precisa ser registrado no balanço patrimonial e pode influenciar a tributação e os relatórios financeiros.
Ou seja, calcular o goodwill ajuda investidores e gestores a entenderem melhor o valor de um negócio, evitando pagar mais do que ele realmente vale ou subestimar seu potencial de crescimento.
Quais são os diferentes tipos de goodwill?
Existem dois tipos principais de goodwill: goodwill ativo e goodwill passivo. Eles são classificados com base na forma como surgem e nos efeitos que têm sobre a empresa.
1. Goodwill Ativo
Esse tipo de goodwill ocorre quando a empresa compradora adquire uma empresa por um valor superior ao valor de seus ativos tangíveis.
O goodwill ativo é registrado no balanço patrimonial da empresa adquirente como um ativo intangível e reflete o valor que a compradora paga pela marca, a reputação e outros ativos intangíveis que a empresa adquirida possui.
Exemplos incluem:
- Reputação da marca
- Carteira de clientes leais
- Expertise da equipe e liderança
- Localização estratégica
- Tecnologias exclusivas
2. Goodwill Passivo
Esse tipo de goodwill ocorre quando o comprador adquire a empresa por um valor inferior ao seu valor justo de mercado. O goodwill passivo reflete uma situação em que o comprador paga um valor abaixo do valor justo devido a problemas que a empresa enfrenta, como baixa rentabilidade, dificuldades financeiras ou outros fatores negativos.
O goodwill passivo, também conhecido como “desconto por aquisição”, é contabilizado de maneira diferente e pode indicar uma oportunidade de compra vantajosa.
Diferenças principais:
- Goodwill ativo é registrado quando o comprador paga mais do que o valor dos ativos tangíveis.
- Goodwill passivo ocorre quando o comprador paga menos do que o valor dos ativos tangíveis.
A distinção entre esses tipos é importante para fins contábeis, financeiros e para avaliar o impacto da transação nas finanças da empresa.4o mini
Goodwill na análise de investimentos
O goodwill é essencial para os investidores que desejam analisar as vantagens competitivas de uma empresa e descobrir se ela possui bons fundamentos para o longo prazo. Desse modo, os investidores usam o goodwill ao fazer o valuation de uma empresa e determinar corretamente os preços dos ativos da companhia.
No entanto, fazer o goodwill não é fácil, já que é preciso verificar os balanços da companhia, analisar como é a relação dela com os clientes, parceiros e fornecedores e, por fim, conhecer profundamente o mercado de atuação do negócio.
Apesar da avaliação do goodwill ser um exercício complexo, ele pode ser determinante na hora de escolher uma boa ação. Afinal de contas, para um investimento de longo prazo, é essencial conhecer a fundo a empresa e seu setor de atuação e a análise de goodwill permite isso.
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Fontes: Capital research, Suno e Dicionário financeiro