27 de agosto de 2025 - por Millena Santos
O bondholder é o investidor que aplica em títulos de dívida. Por meio desses investimentos, ele ajuda empresas e governos a captar recursos e, ao mesmo tempo, busca retornos mais estáveis e previsíveis.
Neste texto, a gente te explica mais sobre esse tipo de investidor. Vamos lá?
O que é bondholder?
Bondholder é o nome dado a quem investe em títulos de dívida, ou seja, quem empresta dinheiro para uma empresa ou para o governo em troca de receber esse valor de volta com juros.
Esses títulos podem aparecer em diferentes formatos. No mercado brasileiro, alguns exemplos são as debêntures (emitidas por empresas), os CDBs (Certificados de Depósito Bancário), LCIs e LCAs (letras ligadas ao setor imobiliário e agrícola), CRIs e CRAs (títulos de crédito imobiliário e do agronegócio) e até os papéis do Tesouro Direto, que representam a dívida pública federal.
Para se tornar um bondholder, há dois caminhos principais. O primeiro é pelo mercado primário, quando o título é comprado diretamente na emissão, como em um lançamento de debêntures ou em uma oferta do Tesouro. O segundo é pelo mercado secundário, em que esses papéis já emitidos são negociados entre investidores, funcionando de forma parecida com a compra e venda de ações na bolsa.
Qual a estratégia usada pelos bondholder?
A lógica por trás da estratégia dos bondholders é bem simples: investir em títulos de dívida emitidos por empresas ou pelo governo. Ao fazer isso, eles assumem o papel de credores, emprestando recursos em troca de uma remuneração que pode vir na forma de juros ou correção monetária.
Mas a atuação de um bondholder não se limita apenas a “comprar e guardar” até o vencimento. Muitos também movimentam seus papéis no mercado secundário, comprando e vendendo títulos já emitidos.
Isso permite ganhar liquidez (ter dinheiro disponível mais rápido), aproveitar oportunidades de valorização ou até mesmo ajustar a carteira conforme as condições do mercado mudam.
Existem ainda estratégias mais específicas. Uma delas é a chamada “barbell”, que combina títulos de curto prazo, oferecendo liquidez e menor risco, com títulos de longo prazo, que tendem a pagar juros maiores. Dessa forma, o investidor consegue equilibrar segurança e potencial de retorno em diferentes cenários econômicos.
Na prática, cada bondholder pode adotar um estilo diferente, dependendo de seus objetivos: alguns priorizam estabilidade, outros buscam melhores rendimentos mesmo assumindo um pouco mais de risco. O ponto em comum é que todos enxergam nos títulos de dívida uma forma estruturada de diversificar os investimentos e proteger o patrimônio.
Principais investimentos escolhidos pelo bondholder
1- Títulos do Governo
São os famosos papéis do Tesouro Direto, como Tesouro Selic, Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado. Eles representam empréstimos feitos ao governo federal e costumam ser vistos como os investimentos mais seguros do país, já que o risco de calote é muito baixo. São uma porta de entrada comum para quem quer ser bondholder e começar no mundo da renda fixa.
2- Títulos Corporativos
Aqui entram principalmente as debêntures, emitidas por empresas para financiar projetos ou reforçar o caixa. O investidor, nesse caso, empresta dinheiro à companhia e recebe em troca juros que podem ser prefixados, pós-fixados ou atrelados à inflação. Dependendo da empresa emissora, o retorno tende a ser mais alto que o dos títulos públicos, justamente porque o risco também aumenta.
3- Fundos de Renda Fixa
Nem sempre é preciso comprar os títulos diretamente. Muitos bondholders optam por fundos que reúnem diferentes papéis de renda fixa em uma carteira única. Essa alternativa dá acesso a uma boa diversificação com baixo esforço, já que o gestor do fundo cuida da seleção e da estratégia.
4- LCIs e LCAs
As Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) são títulos emitidos por bancos e vinculados a financiamentos nesses setores. A grande vantagem é que costumam ser isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, o que aumenta a atratividade.
Além disso, contam com a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), até um certo limite, claro.
5- CRIs e CRAs
Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs) funcionam como uma forma de antecipar recebíveis desses setores. Ou seja, o investidor compra esses papéis e passa a ter direito aos pagamentos futuros de financiamentos ou contratos ligados ao mercado imobiliário ou agrícola. Em geral, oferecem rentabilidades interessantes, mas exigem mais atenção ao risco do emissor.
6- Letras de Câmbio
Emitidas por financeiras, as Letras de Câmbio (LCs) também são uma alternativa para quem busca diversificação. Assim como CDBs, elas representam um empréstimo à instituição, mas costumam oferecer taxas competitivas justamente para atrair investidores. Também contam com a proteção do FGC.
Vantagens de ser um bondholder
1- Rendimento estável
Uma das maiores vantagens de ser bondholder é contar com uma renda previsível. Os títulos de dívida pagam juros em prazos definidos, o que garante uma entrada de dinheiro regular, sem depender do humor do mercado de ações ou do lucro da empresa. Essa característica atrai quem busca mais segurança e previsibilidade nos investimentos.
2- Isenção de impostos em alguns casos
Nem todos os títulos são tributados da mesma forma. LCIs e LCAs, por exemplo, são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, o que aumenta a rentabilidade líquida do investimento. Essa é uma vantagem competitiva em relação a outros papéis de renda fixa e pode fazer diferença no retorno final.
3- Prioridade no pagamento
Em situações de crise, se uma empresa emissora precisar liquidar seus bens para pagar dívidas, os bondholders têm prioridade sobre os acionistas. Isso significa que, na fila de pagamento, quem detém os títulos de dívida recebe antes de quem investiu em ações. Embora não elimine o risco de perda, esse fator traz uma camada a mais de proteção ao investidor.
Desvantagens e riscos de ser um bondholder
Ser bondholder não é livre de riscos. Um dos principais é o risco de crédito, já que existe a possibilidade de o emissor, empresa ou governo, não pagar os juros ou o valor investido no vencimento.
Além disso, os títulos sofrem com o risco de taxa de juros: quando os juros sobem, o valor de mercado dos papéis já emitidos costuma cair, o que pode prejudicar quem precisa vender antes do prazo.
Outro ponto importante é o risco de reinvestimento, que acontece quando os juros recebidos (os cupons) precisam ser reaplicados em um cenário menos favorável, reduzindo o retorno final. Já o risco de inflação aparece quando o rendimento do título não acompanha a alta dos preços, fazendo o investidor perder poder de compra.
Também há o risco de liquidez, que se refere à dificuldade de vender um título antes do vencimento, seja por falta de compradores ou pela necessidade de aceitar descontos.
Por fim, o rebaixamento de rating pode desvalorizar os papéis, já que sinaliza ao mercado que o emissor está em situação mais arriscada, diminuindo a confiança dos investidores.
Diferenças entre bondholder e shareholder
O bondholder é o investidor que possui bonds, ou seja, títulos de dívida emitidos por empresas ou pelo governo. Já o shareholder, também chamado de acionista, é quem detém ações de uma companhia.
A diferença central está no tipo de relação com a empresa: o bondholder é um credor, emprestando dinheiro em troca de receber juros e o valor investido de volta no futuro.
O acionista, por sua vez, se torna um sócio do negócio, participando dos lucros, mas também assumindo mais riscos caso a empresa tenha prejuízos.
Importância do bondholder no mercado financeiro
O papel do bondholder no mercado financeiro vai muito além de buscar rendimento. Ao investir em títulos de dívida, ele contribui diretamente para que empresas e instituições consigam se financiar e manter suas atividades.
Muitas vezes, esses recursos ajudam companhias que estão endividadas a se reorganizar, ganhar fôlego e continuar operando.
Além disso, o capital movimentado por eles serve como um grande estímulo para a economia. Esses investimentos viabilizam projetos, incentivam o crescimento comercial e, de forma indireta, colaboram para a geração de empregos e o fortalecimento do mercado como um todo.
Ou seja, ao mesmo tempo em que busca retorno, o bondholder também desempenha um papel relevante no desenvolvimento econômico.
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Fonte: Suno, Mais Retorno, Investopedia, YUBB.