26 de janeiro de 2026 - por Millena Santos
Pensa numa empresa que quer chegar à bolsa, mas prefere começar com um passo de cada vez. O Bovespa Mais surge justamente como esse primeiro caminho, criando um ambiente mais tranquilo para negócios menores iniciarem a trajetória no mercado de capitais sem correr contra o relógio.
Neste texto, a gente te explica mais.
Veja também: Ibovespa: quais empresas fazem parte do índice da B3?
O que é o Bovespa Mais?
O Bovespa Mais funciona como uma espécie de porta de entrada para empresas menores que querem abrir o capital, mas sem aquela pressão imediata de uma grande oferta pública.
A ideia é criar um ambiente mais tranquilo, no qual a companhia pode ir se organizando aos poucos, ganhando visibilidade no mercado e testando sua capacidade de captar investimento.
Nesse segmento, a empresa pode começar com uma listagem inicial, cumprir etapas de governança, melhorar sua relação com investidores e, só então, caso faça sentido, avançar para uma oferta maior.
Para quem está querendo expandir, mas de forma planejada e sustentável, o Bovespa Mais acaba sendo um espaço seguro para dar o primeiro passo e sentir como o mercado responde.
Quais são os objetivos da Bovespa Mais?
O Bovespa Mais nasceu com uma missão bem clara dentro da B3: abrir espaço para que empresas menores tenham um caminho mais acessível para entrar no mercado de ações.
Logo, em vez de exigir grandes passos logo de início, o segmento funciona como um ambiente preparado para quem quer crescer com calma, mas com estratégia.
Um dos pontos fortes é o incentivo à boa governança e à transparência. A ideia é que as companhias já entrem no jogo seguindo práticas sólidas, criando confiança e mostrando ao investidor que estão prontas para evoluir.
Isso, inclusive, ajuda a atrair um público mais paciente, aqueles investidores que preferem olhar para o médio e longo prazo, buscando resultados consistentes ao longo do tempo.
Outro objetivo importante é facilitar o acesso ao capital. Muitas empresas têm ótimos projetos, mas ainda não conseguem levantar recursos em grande escala.
No Bovespa Mais, esse processo fica mais natural e a companhia pode se estruturar, aumentar sua visibilidade e, aos poucos, acessar novas rodadas de investimento.
Características das empresas da Bovespa Mais?
Entre as principais características, dá pra destacar:
- Pequenas e médias empresas que preferem acessar o mercado de forma gradual, com menos burocracia e mais espaço para se preparar.
- Demonstrações financeiras auditadas, reforçando a transparência e a confiança no relacionamento com o mercado.
- Tag along de 100%, garantindo que todos os acionistas recebam o mesmo tratamento em caso de venda do controle da empresa.
- Possibilidade de listar sem fazer um IPO logo de cara, o que permite testar o ambiente da bolsa antes de abrir uma oferta maior.
- Estrutura obrigatória de sociedade anônima (S.A.), com capital dividido exclusivamente em ações ordinárias, aquelas que dão direito de voto aos acionistas.
- Descontos ou isenção em algumas taxas da bolsa, o que ajuda bastante no começo, quando cada custo importa.
Como funciona a Bovespa Mais?
Nesse segmento, as companhias trabalham exclusivamente com ações ordinárias (as famosas ON), que dão direito de voto e garantem uma proteção importante para quem investe: o tag along de 100% em caso de venda do controle.
Assim, se a empresa for comprada, os acionistas minoritários não ficam para trás.
Outro ponto importante sobre o seu funcionamento é o de que, para permanecer no Bovespa Mais, a empresa precisa manter algumas bases bem sólidas.
Logo, ela deve ser uma sociedade anônima, continuar oferecendo tag along integral e ter um conselho de administração com, no mínimo, três integrantes, algo que ajuda a fortalecer a governança e ampliar a tomada de decisão.
Quais empresas fazem parte da Bovespa Mais?
Entre as empresas do Bovespa Mais, vale a pena citar:
- BRQ Soluções em Informática (BRQB3);
- BBM Logística (BBML3);
- Bahema Educação (BAHI3);
- BRQ Soluções em Informática (BRQB3);
- BBM Logística (BBML3);
- BIOMM (BIOM3);
Como investir em empresas do Bovespa Mais?
Investir nas empresas que fazem parte do Bovespa Mais não tem mistério.
A negociação acontece do mesmo jeito que em qualquer outra ação da bolsa. Basta acessar o Home Broker da corretora, buscar o código de negociação da companhia desejada e enviar as ordens de compra ou venda.
Durante esse processo, entram também os custos tradicionais do mercado, como corretagem e possíveis taxas da própria corretora.
No fim das contas, o funcionamento é o mesmo do mercado acionário em geral. A diferença está apenas no segmento onde a empresa está listada, já que o Bovespa Mais é pensado para negócios que estão trilhando um caminho mais gradual dentro da bolsa.
Por que as empresas saem da Bovespa Mais?
A saída de uma empresa do Bovespa Mais pode acontecer por vários motivos. Na prática, é um conjunto de fatores que acaba pesando na decisão.
Entre os motivos mais comuns, estão:
- Custos altos para manter o capital aberto, já que auditorias, exigências de governança, divulgação de resultados e o cumprimento das regras da CVM acabam formando uma despesa contínua.
- Processos de fusão, aquisição ou reestruturação, que mudam totalmente a estratégia da empresa.
- Ambiente macroeconômico desfavorável, dificultando o acesso a capital ou reduzindo o apetite dos investidores.
- Cenário político instável, que pode afetar diretamente o planejamento das companhias.
- Planos de internacionalização, quando a companhia decide direcionar suas operações para mercados externos e ajusta sua estrutura societária.
Diferenças entre Bovespa Mais e Bovespa Mais Nível 2?
Embora esses dois segmentos da B3 sigam uma lógica parecida, há um detalhe que separa um do outro logo de início: o Bovespa Mais Nível 2 permite que a companhia emita ações ordinárias (ON) e ações preferenciais (PN).
No Bovespa Mais “puro”, a emissão fica restrita às ON.
A partir daí, os dois acabam caminhando juntos em várias regras que ajudam a manter um padrão mínimo de governança. Entre elas:
- Conselho de Administração estruturado: é exigido um conselho com pelo menos três integrantes, mandato de até dois anos e, no mínimo, 20% de membros independentes. Afinal, gente que não faz parte do dia a dia da empresa e ajuda a ampliar a transparência.
- Tag Along garantido: no Bovespa Mais: 100% de proteção para quem tem ações ON. No Bovespa Mais Nível 2: 100% tanto para ON quanto para PN.
- Participação mínima no mercado (Free Float): as empresas precisam atingir 25% de ações em circulação até o sétimo ano de listagem.
- Ferramentas opcionais de controle e fiscalização: comitê de auditoria, auditoria interna e práticas formais de compliance podem ser implementados, mas não são exigências obrigatórias.
- Regras para OPA (Oferta Pública de Aquisição): em uma situação de OPA, o pagamento deve considerar pelo menos o valor econômico da ação, exceto naqueles casos em que a companhia estiver migrando para o Novo Mercado.
- Câmara de Arbitragem do Mercado: as empresas dos dois segmentos precisam aderir ao uso da câmara para resolver conflitos societários de forma mais rápida e especializada.
Ao fazer essa análise, a diferença mais marcante fica mesmo na flexibilidade do tipo de ação que pode ser emitida no Nível 2, enquanto o restante das regras segue um padrão pensado para dar mais segurança e previsibilidade ao mercado.
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Fonte: B3, Melver, Nord Investimentos, Mais Retorno, Status Invest.