Desenvolvimento econômico: o que é, importância, características

Saiba o que é desenvolvimento econômico, suas caracteríticas, importância entre outros detalhes sobre esse índice tão importante.

1 de setembro de 2025 - por Millena Santos


O termo desenvolvimento econômico aparece com frequência nas notícias e debates sobre economia, mas você sabe o que ele realmente quer dizer? De forma bem simples, é quando a economia de um país cresce de maneira que a população sente os benefícios na prática com mais oportunidades, acesso a serviços, geração de empregos e uma qualidade de vida melhor.

Neste texto, a gente te conta tudo sobre isso. Vamos lá?

O que é desenvolvimento econômico?

O desenvolvimento econômico está ligado à melhoria da qualidade de vida de uma população. Isso não significa apenas crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), embora esse seja um dos principais indicadores utilizados.

Ele envolve também avanços em áreas como saúde, educação, geração de empregos, distribuição de renda e acesso a serviços básicos.

Logo, quando um país ou região consegue aumentar sua produção de riquezas e, ao mesmo tempo, transformar esse crescimento em oportunidades reais para as pessoas, fala-se em desenvolvimento econômico.

Por isso, não basta a economia crescer “no papel”, é importante que esse progresso seja sentido no dia a dia, com melhores condições de trabalho, mais infraestrutura, mobilidade social e menos desigualdade.

Características desenvolvimento econômico

Quando se fala em desenvolvimento econômico, algumas características ajudam a entender como ele acontece na prática. Entre elas estão:

  • Melhora no padrão de vida da população: não se trata só de ter mais dinheiro circulando, mas de garantir acesso a saúde, educação, moradia e serviços que realmente impactam o dia a dia.
  • Distribuição de renda mais equilibrada: quanto menos concentrada a riqueza, maiores as chances de diferentes grupos sociais terem oportunidades semelhantes de crescer.
  • Criação de empregos e geração de renda: o desenvolvimento abre espaço para novos postos de trabalho, estimula o empreendedorismo e, por consequência, fortalece a economia local.
  • Aumento da produtividade: setores que conseguem produzir mais com eficiência acabam impulsionando todo o mercado.
  • Diversificação econômica: quando um país ou região não depende de um único setor, fica mais preparado para lidar com crises e com possíveis mudanças globais.
  • Qualidade de vida em alta: desenvolvimento só faz sentido se refletir em bem-estar, segurança e maior acesso a direitos básicos.
  • Sustentabilidade ambiental: hoje não dá para falar de progresso sem pensar em formas de crescimento que respeitem os limites do planeta.
  • Inovação e tecnologia: investimentos em pesquisa e novas soluções ajudam a criar vantagens competitivas e abrem caminhos para o futuro.

Indicadores de desenvolvimento econômico

1- Distribuição de renda

Um dos primeiros sinais de desenvolvimento econômico é quando a riqueza não fica concentrada apenas em uma pequena parte da população. Quanto mais equilibrada for a distribuição de renda, maiores as chances de diferentes grupos terem acesso à saúde, educação, moradia e oportunidades de trabalho.

2- Expectativa de vida

Esse indicador está diretamente ligado às condições de saúde, saneamento, alimentação e bem-estar de uma sociedade. Logo, se a expectativa de vida aumenta, significa que as pessoas estão vivendo mais e com melhor qualidade, reflexo de políticas públicas eficientes e acesso a serviços básicos que realmente funcionam na vida real.

3- Segurança e grau de liberdade econômica

Por fim, o desenvolvimento também passa por fatores sociais e institucionais. Um país que oferece segurança, estabilidade política e liberdade para empreender ou investir cria um ambiente mais favorável para o crescimento.

Isso, claro, incentiva novos negócios, atrai investimentos e fortalece a confiança da população no futuro.

Teorias do desenvolvimento econômico

1- Teoria Clássica

A teoria clássica, que ganhou força no século XVIII com pensadores como Adam Smith e David Ricardo, enxerga o desenvolvimento econômico como resultado da livre iniciativa e da competição entre os agentes do mercado.

Para os clássicos, quanto menos intervenção do Estado e mais liberdade para a produção e o comércio, maior seria o crescimento. O foco está na eficiência, na divisão do trabalho e no papel do mercado em regular a economia.

2- Teoria Keynesiana

Proposta por John Maynard Keynes no século XX, essa teoria vai na contramão da clássica ao destacar a importância do Estado na economia. Para os keynesianos, o desenvolvimento não acontece sozinho.

Em momentos de crise ou recessão, é fundamental que o governo atue, estimulando investimentos, consumo e geração de empregos.

A ideia central é que políticas públicas ativas conseguem impulsionar o crescimento e equilibrar a economia.

3- Teoria Neoliberal

O neoliberalismo surgiu com mais força a partir da década de 1970, retomando parte das ideias do liberalismo clássico, mas adaptado ao contexto moderno.

A defesa é de um Estado menor, com privatizações, abertura comercial e menos regulações. Acredita-se que, ao reduzir o peso do governo na economia, o mercado consiga se autorregular e promover eficiência, inovação e desenvolvimento.

4- Teoria do Desenvolvimento Sustentável

Mais atual, essa teoria foca em um ponto essencial: crescer sem esgotar os recursos do planeta. O desenvolvimento sustentável busca equilibrar crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental.

Isso significa pensar em formas de produzir, consumir e investir que respeitem tanto as gerações atuais quanto as futuras, garantindo que o progresso venha acompanhado de responsabilidade.

Desenvolvimento econômico no Brasil

Em 2025, a economia brasileira caminha em ritmo moderado, com estimativas de expansão do Produto Interno Bruto variando entre 2,2% e 2,5%, segundo projeções de analistas.

A economia cresce dentro de uma faixa realista, não é impressionante, mas também não chega a ser alarmante. Porém, por trás desse avanço há desafios que, se ignorados, limitam o impacto desse crescimento na vida das pessoas.

Alguns dos principais desafios são:

  • Desigualdade
  • Educação
  • Infraestrutura
  • Corrupção
  • Burocracia e carga tributária
  • Desafios ambientais e de sustentabilidade.

Fatores que influenciam o desenvolvimento econômico de um país

1- Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)

O IDH é um dos indicadores mais usados pela ONU para medir o progresso de um país. Ele considera três pontos principais: longevidade, educação e renda. Diferente do PIB, que olha apenas para o crescimento econômico, o IDH mostra como esse crescimento se reflete na vida das pessoas.

Em 2025, o Brasil ocupa a 84ª posição entre 192 países, com índice de 0,786, classificado como “alto desenvolvimento humano”. Houve uma melhora em relação a 2023, quando o país estava em 89º lugar, com IDH de 0,778.

2- Índice de Gini

Se o IDH mostra avanços gerais, o Índice de Gini revela como a riqueza está distribuída. Na prática, ele mede a desigualdade em uma escala de 0 a 1: quanto mais próximo de 0, maior a igualdade; quanto mais perto de 1, maior a desigualdade.

O Brasil registra atualmente 0,591, segundo o IPEA. É um número que mostra que ainda existe muita concentração de renda, mesmo com avanços recentes.

3- Produto Interno Bruto (PIB)

O PIB talvez seja o indicador mais conhecido: é a soma de tudo o que o país produz em um período. Governos e economistas usam esse número como referência para planejar políticas e tomar decisões.

Ele pode ser calculado de três formas diferentes:

  • Produção: soma de tudo o que foi produzido;
  • Renda: soma de todos os rendimentos gerados;
  • Despesa: soma de todos os gastos feitos.

4- Taxa de alfabetização

A alfabetização é a base de qualquer sociedade desenvolvida. Esse indicador mostra o percentual de pessoas com 15 anos ou mais que sabem ler e escrever.

No Brasil, segundo o último Censo do IBGE, 93% da população nessa faixa etária é alfabetizada. Ainda que seja um número alto, ele não revela a qualidade do ensino, que é um desafio constante.

5- Taxa de desemprego

A taxa de desemprego mede quantas pessoas da população economicamente ativa estão sem trabalho. É calculada dividindo o número de desempregados pela força de trabalho total e multiplicando por 100.

Em 2025, o Brasil está com 7,6% de desemprego. Quando essa taxa sobe, aumentam os problemas sociais; quando cai, significa que a economia está criando oportunidades.

6- Inflação

A inflação mede a variação dos preços e, quando está alta, corrói o poder de compra da população. No Brasil, ela é acompanhada por índices como o IPC e o IPP.

Atualmente, a inflação está relativamente controlada, com expectativa de 4,12% em 2025. Mas não faz tanto tempo que o país sofreu com índices assustadores. No início dos anos 1990, a inflação chegava a 2.000% ao ano.

7- Esperança de vida ao nascer

Esse indicador mostra a média de anos que uma pessoa deve viver ao nascer, considerando as condições do país. Em lugares onde a expectativa é baixa, isso geralmente aponta para problemas graves de saúde, saneamento ou pobreza.

No Brasil, a expectativa de vida chega a 75 anos, bem acima de alguns países da África, onde não passa dos 50 anos.

8- Investimento Estrangeiro Direto (IED)

O IED mostra a confiança de investidores de fora do país. Ele mede o quanto empresas ou pessoas estrangeiras estão aplicando em negócios e ativos produtivos locais.

Em 2024, o Brasil recebeu US$ 64 bilhões em IED, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Esse é um dado importante para entender a atratividade do país no cenário global.

9- Taxa de mortalidade infantil

Esse índice mede quantas crianças morrem antes de completar um ano de vida, a cada mil nascidos vivos. É um reflexo direto da qualidade do sistema de saúde e das condições de vida da população.

No Brasil, a taxa vem caindo ano após ano, alcançando em 2024 o menor nível em 23 anos.

10- Taxa de pobreza

Aqui, o foco está em medir quantas pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, ou seja, com renda insuficiente para garantir alimentação, moradia e necessidades básicas.

Segundo o IBGE, 31,6% da população brasileira ainda vive nessa situação. No mundo, a ONU calcula que 1,3 bilhão de pessoas enfrentam pobreza extrema.

11- Nível de educação

Mais do que saber ler e escrever, é a qualidade da educação que mostra se o país está preparado para crescer de forma sustentável. No Brasil, os resultados em avaliações nacionais como Enem e Enade revelam que ainda há muito a melhorar, especialmente na educação básica.

12- Balança comercial

A balança comercial mostra a diferença entre exportações e importações de um país. Quando o saldo é positivo, significa que o país vendeu mais do que comprou, fortalecendo sua economia.

Até julho de 2024, o Brasil registrava um saldo positivo de US$ 27,2 bilhões.

Importância do desenvolvimento econômico

Falar de desenvolvimento econômico é falar de qualidade de vida. Mais do que números e estatísticas, ele mostra como a economia de um país consegue gerar oportunidades, reduzir desigualdades e oferecer condições melhores para a população viver com dignidade.

Claro que o crescimento do PIB e do consumo faz parte desse processo, mas o desenvolvimento vai além, uma vez que envolve saúde, educação, emprego, acesso a serviços básicos e até mesmo o exercício da cidadania.

Afinal, quando a renda cresce de forma equilibrada e as pessoas têm seus direitos garantidos, a sociedade como um todo avança. Concorda?

É por isso que, muitas vezes, se associa o desenvolvimento econômico à ideia de um “país de primeiro mundo”. Não apenas pela ideia de riqueza em si, mas pela capacidade de transformar esse crescimento em bem-estar coletivo, que é um passo fundamental para que cada cidadão possa viver com mais segurança, oportunidades entre outros benefícios.

Qual é a diferença entre desenvolvimento econômico e crescimento econômico?

O crescimento econômico acontece quando há aumento na produção e no consumo de bens e serviços. Em outras palavras, é quando a economia gera mais riqueza em determinado período, algo que geralmente aparece no aumento do PIB. É um conceito mais restrito, que olha apenas para os números.

Se um país começa a produzir mais carros e eletrodomésticos e, com isso, o PIB sobe, houve crescimento econômico. Mas isso não significa, necessariamente, que a população esteja vivendo melhor.

o desenvolvimento econômico é um conceito mais amplo. Ele engloba o crescimento econômico, mas também leva em conta melhorias na saúde, educação, qualidade de vida, distribuição de renda e preservação ambiental. Ou seja, não basta a economia crescer, é preciso que esse avanço seja sentido pelas pessoas no dia a dia.

Imagine um país que além de aumentar sua produção de bens, consegue reduzir a desigualdade social, melhorar a qualidade das escolas e ampliar o acesso à saúde pública. Nesse caso, não há só crescimento, mas sim desenvolvimento econômico.

Portanto, fica claro que, na prática, é possível ter crescimento sem desenvolvimento (quando a riqueza não se transforma em bem-estar social). Mas não existe desenvolvimento sem crescimento, já que é preciso que a economia avance para que as melhorias aconteçam de forma sustentável.

Desenvolvimento econômico e desenvolvimento sustentável

A gente já viu, ao longo dessa matéria, que o desenvolvimento econômico está ligado ao aumento da produtividade e à melhoria da qualidade de vida da população de um país.

o desenvolvimento sustentável vai além. Ele busca conciliar o crescimento econômico com a preservação ambiental e a justiça social.

Ou seja, não se trata apenas de crescer financeiramente, mas de garantir que os recursos naturais sejam utilizados de forma responsável e que o progresso atenda também às gerações futuras.

Portanto, a ideia é a de que enquanto o desenvolvimento econômico foca no “agora”, o sustentável olha para o longo prazo, o que equilibra o avanço econômico, proteção do meio ambiente e redução das desigualdades sociais.

10 países com os maiores índices de desenvolvimento econômico

Os 10 países com os maiores índices de desenvolvimento econômico são:

  1. Estados Unidos (US$ 26,95 trilhões)
  2. China (US$ 17,7 trilhões)
  3. Alemanha (US$ 4,43 trilhões)
  4. Japão (US$ 4,23 trilhões)
  5. Índia (US$3,73 trilhões)
  6. Reino Unido (US$ 3,33 trilhões)
  7. França (US$ 3,05 trilhões)
  8. Itália (US$ 2,19 trilhões)
  9. Brasil (US$ 2,13 trilhões)
  10. Canadá (US$ 2,12 trilhões)

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Fonte: Suno, FIA, Gran Cursos, Agência Brasil.

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