Desvio padrão nos investimentos: como funciona e como calcular?

Desvio-padrão nos investimentos é a medida da variação dos retornos em relação à média, mostrando o nível de risco ou volatilidade. Entenda mais como funciona, como calcular e sua importância!

19 de maio de 2026 - por Sidemar Castro


O desvio padrão nos investimentos é a principal medida estatística usada para medir a volatilidade e o risco de um ativo. Ele indica o quanto os retornos de um investimento oscilam em relação à sua média histórica.

Quanto maior o desvio padrão, mais instáveis são os retornos e, portanto, maior é o risco. Neste artigo, você vai entender como funciona e como calcular.

Veja também: Risco e retorno: o que é e como diminuir os riscos da carteira

Para que serve o desvio padrão nos investimentos?

O desvio padrão serve como um termômetro para a tranquilidade ou a ansiedade que um investimento pode causar. Em termos técnicos, ele mede a dispersão dos retornos de um ativo em torno da sua média, o que em finanças chamamos de volatilidade.

Na prática, um desvio padrão baixo indica que o investimento tem um comportamento mais previsível, com poucas surpresas.

Já um desvio padrão alto sinaliza que o preço daquela aplicação pode subir ou descer de forma intensa e rápida, gerando um risco maior para quem não gosta de sustos.

Como calcular o desvio padrão?

Calcular o desvio padrão é um processo de cinco etapas que revela o quanto os dados são “bagunçados” em relação à média.

Você começa achando a média dos retornos. Depois, analisa o quanto cada retorno individual se distancia dessa média.

Em seguida, eleva essas distâncias ao quadrado para eliminar os sinais negativos. Com esses quadrados em mãos, você tira a média deles, que é a variância.

Por fim, para voltar à unidade original, como percentual de retorno, você extrai a raiz quadrada da variância. Esse resultado final é o desvio padrão.

Exemplo prático

Vamos analisar um pequeno fundo que teve retornos mensais de 5%, 2% e 8% em três meses. A média desses três números é 5%.

As diferenças de cada retorno para a média são 0% (5-5), -3% (2-5) e +3% (8-5). Elevando ao quadrado, temos 0%, 9% e 9%.

Assim, a média desses quadrados (variância) é 6% (18% dividido por 3).

A raiz quadrada de 6% é aproximadamente 2,45%. Este é o desvio padrão, que nos diz que, em média, os retornos deste fundo oscilaram 2,45 pontos percentuais para mais ou para menos em torno dos 5% de média.

Saiba mais: Taxa de retorno: o que é, como calcula, importância

Como usar o desvio padrão para avaliar o risco?

Você usa o desvio padrão como uma régua de comparação entre investimentos. Se você está em dúvida entre duas ações, calcule o desvio padrão dos retornos de cada uma.

A que apresentar o maior desvio padrão é considerada a mais arriscada, pois seu preço terá sido mais instável no passado. Isso não quer dizer que ela dará prejuízo, mas sim que a chance de ela ter oscilações fortes, tanto positivas quanto negativas, é maior.

Portanto, isso é essencial para montar uma carteira que combine com seu nível de tolerância à volatilidade.

Vantagens, riscos e limitações do desvio padrão

A grande vantagem do desvio padrão é sua simplicidade e onipresença no mercado financeiro, sendo fácil de calcular e comparar.

Porém, ele traz riscos de interpretação. Sua principal limitação é tratar qualquer oscilação, para cima ou para baixo, como algo ruim, quando na verdade subidas bruscas são boas para o investidor.

Ele funciona melhor para investimentos com retornos que se comportam de forma previsível, o que não é a realidade de muitos ativos, que podem sofrer crises severas ou disparadas inesperadas.

Por isso, confiar apenas nele pode dar uma visão incompleta do risco real.

Confira também: Value at Risk (VaR): o que é e como calcular?

Diferença entre desvio padrão e variância

A diferença é matemática e prática. A variância é o resultado intermediário do cálculo, que é a média dos desvios quadrados.

O problema é que ela está em uma unidade quadrada, como “porcentagem ao quadrado”, o que não faz sentido intuitivo para falar de retorno de investimento.

O desvio padrão resolve isso sendo a raiz quadrada da variância, trazendo o número de volta para a unidade original, a porcentagem. Por isso, nos relatórios e análises, você sempre vê o desvio padrão, pois ele é diretamente interpretável como a oscilação média esperada do investimento.

Importância do desvio padrão para os investimentos

O desvio padrão é uma peça central na forma como profissionais e investidores pensam sobre risco. Ele permite quantificar algo que parece subjetivo, que é o medo da volatilidade.

Essa métrica é a base para a construção de carteiras diversificadas, pois ao combinar ativos com desvios padrão diferentes e que não se movem juntos, é possível reduzir o risco total da carteira sem necessariamente reduzir o retorno esperado.

Em suma, ele é uma ferramenta essencial para tomar decisões mais conscientes e alinhadas com seus objetivos financeiros.

Perguntas frequentes sobre desvio padrão:

Quanto maior o desvio padrão, maior o risco?

Sim, de forma geral, esta é a regra de ouro. Um desvio padrão maior significa que os retornos do investimento foram mais imprevisíveis no passado, variando muito em torno da média. Para o investidor, essa imprevisibilidade se traduz em maior risco.

O que é o desvio padrão de uma carteira de investimento?

É um número que representa a volatilidade total da sua carteira, considerando como todos os seus investimentos se comportam juntos. É mais complexo do que a média dos desvios padrão individuais, pois leva em conta a correlação entre os ativos.

Qual desvio padrão é aceitável?

Não há uma resposta única para esta pergunta. O que é aceitável depende inteiramente do seu perfil como investidor.

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