23 de janeiro de 2026 - por Sidemar Castro
O carry trade explora o diferencial de taxas de juros entre dois países (pegando emprestado onde é baixo para investir onde é alto), enquanto a arbitragem explora ineficiências de preço (comprar mais barato em um mercado e vender mais caro em outro).
O carry trade é uma estratégia de maior risco e longo prazo, focada no diferencial de rendimento, enquanto a arbitragem é geralmente uma operação de curtíssimo prazo, com baixo risco e focada em discrepâncias de cotação. Entenda as diferenças neste artigo.
Leia mais: Comércio exterior: o que é e como internacionalizar seu negócio?
O que é carry trade?
Carry trade é uma estratégia usada principalmente por investidores profissionais no mercado financeiro para ganhar dinheiro com a diferença entre juros de países diferentes.
Acontece dessa forma: você toma empréstimo em um país onde a taxa de juros é baixa e aplica esse dinheiro em outro país onde os juros são mais altos.
O objetivo é lucrar com essa diferença de taxas, porque o rendimento maior supera o custo do empréstimo. Essa operação normalmente envolve conversão de moedas, então o investidor pode ganhar ou perder também com as variações do câmbio.
Saiba mais: Forex: o que é e como funciona esse mercado?
Como funciona o carry trade?
No mundo do Forex e dos grandes fluxos de capital, o carry trade é visto como uma busca por um diferencial de juros. Para entender, o investidor vende uma moeda com juros baixos (como o iene do Japão ou o franco da Suíça) e compra a moeda de um país que segura a inflação com juros altos (como é o caso do real do Brasil ou do peso do México).
A ideia é mais que só ganhar um dinheirinho. O investidor aposta que os juros vão compensar, mas isso só dá certo se o mercado estiver calmo. Se a economia mundial começa a dar medo, o pessoal sai correndo do carry trade, num processo que chamam de unwinding.
Aí, todo mundo se apressa pra comprar de volta a moeda barata pra pagar o que deve, e essa moeda sobe de repente, enquanto as moedas com juros altos despencam. Portanto, para essa jogada dar certo, os juros precisam ser altos o bastante pra valer a pena arriscar com a variação do câmbio durante o tempo que o dinheiro fica aplicado.
Entenda: Variação cambial: o que é, impactos e como funciona
Exemplo de carry trade
Pensa só: você vê que os juros são bem diferentes em dois países. No Japão, por exemplo, faz tempo que os juros estão lá embaixo, quase zerados. Já em lugares como o Brasil ou os EUA, os juros são bem mais altos.
Então, é aí que um investidor pode ter a seguinte ideia: pegar uma grana emprestada em ienes, onde o custo é baixo, e transformar essa grana em dólares ou reais pra investir em algo que renda juros maiores.
O lance todo é essa diferença entre o que você paga pra pegar o dinheiro emprestado e o que ganha de juros. Essa é a grana que você pode ganhar nessa jogada.
Só que tem um porém: as taxas de câmbio mudam, e isso afeta tudo na hora de converter de novo pra pagar o empréstimo. Se o câmbio não ajudar, você pode se dar mal.
Veja também: Fechamento de câmbio: o que é, como fazer e tipos
O que é arbitragem?
A arbitragem é um jeito de ganhar dinheiro aproveitando que o mesmo produto tem preços diferentes em lugares diferentes.
Pra ficar mais claro, imagine que você viu uma geladeira por R$ 1.200 numa loja, mas alguém está desesperado pra comprar uma e topa pagar R$ 2.000. Se você comprar a geladeira na loja e vender para essa pessoa, você ganha a diferença.
No mercado financeiro, é parecido: você compra uma coisa onde está barata e vende onde está mais cara. É tudo muito rápido pra aproveitar essas diferenças de preço. Dá pra fazer isso com ações em bolsas diferentes, com moedas ou até entre o preço à vista e o futuro. O lance é ganhar dinheiro em cima da diferença, sem arriscar muito.
Mas não é tão fácil assim, porque essas chances de ganhar dinheiro somem rápido e você tem que estar ligado ou ter um sistema automático pra pegar essas oportunidades.
Por exemplo, uma ação da Petrobras pode custar R$ 30 no Brasil e, ao mesmo tempo, um papel dela em Nova York pode valer o equivalente a R$ 31. Quem percebe isso pode comprar no Brasil e vender nos EUA, botando a diferença no bolso.
Tem vários tipos de arbitragem: com moedas de países diferentes, com ações na bolsa daqui e de fora, e com preços à vista e no futuro (que é usado em produtos como soja e café).
Muita gente acha que é fácil, mas tem que ser rápido, ter tecnologia e conhecer bem o mercado, porque os preços mudam muito rápido. Por isso, tem muito robô por aí que faz isso tudo automaticamente.
Leia tambem: Arbitragem financeira: o que é, como funciona e riscos
Como funciona a arbitragem?
A ideia é simples: se algo está barato num lugar e caro em outro, o investidor compra onde está barato e vende onde está caro, e fica com a diferença. Isso acontece com ações, moedas, produtos agrícolas e até contratos futuros.
Por exemplo, se uma ação custa menos numa bolsa e mais em outra, dá pra comprar onde tá barato e vender rapidinho onde tá caro, botando o lucro no bolso.
Essas chances de arbitragem somem rapidinho, porque quando muita gente vê a diferença e começa a comprar e vender, o mercado se ajeita sozinho. Por isso, tem que ser rápido e, às vezes, usar programas de computador para pegar essas oportunidades antes que elas sumam..
Exemplo de arbitragem
Um exemplo clássico de arbitragem é quando um mesmo ativo está sendo negociado a preços diferentes em dois mercados, e o investidor aproveita essa discrepância para lucrar.
Um exemplo bastante usado é a arbitragem entre o mercado à vista e o mercado futuro, conhecida como cash & carry. Suponha que o contrato futuro de uma commodity, como café, esteja sendo negociado a um preço maior do que o valor atual no mercado físico.
O investidor pode comprar o café hoje no mercado à vista e, ao mesmo tempo, vender contratos futuros dessa mesma commodity. Quando o contrato vencer, ele entrega o café comprado anteriormente e recebe o valor mais alto acordado no futuro, garantindo lucro com a diferença.
Outro exemplo é a arbitragem cambial, que se conecta ao conceito de carry trade. Nesse caso, o investidor toma empréstimo em uma moeda de país com juros baixos, como o iene japonês, e aplica em uma moeda de país com juros mais altos, como o dólar australiano.
A diferença entre as taxas de juros gera o ganho. Essa prática é comum em grandes operações internacionais e mostra como a arbitragem pode ir além das bolsas de valores, alcançando também o mercado de câmbio.
Saiba mais: Como investir no exterior? Vantagens e 6 alternativas de aplicações
Qual a diferença entre carry trade e arbitragem?
O carry trade e a arbitragem são jeitos diferentes de investir. O carry trade tenta ganhar dinheiro com a diferença nas taxas de juros entre países. Já a arbitragem busca falhas nos preços de um mesmo produto em lugares diferentes.
No carry trade, a pessoa pega dinheiro emprestado num país com juros baixos e aplica em outro, onde os juros são mais altos. A ideia é ganhar com essa diferença, só que tem o risco da moeda do país onde você investiu cair. Se isso acontecer, o lucro vira perda. Foi o que rolou em crises como a da Ásia em 97 ou a de 2008, quando muita gente teve que se livrar dessas aplicações rapidinho.
Já a arbitragem tenta achar preços errados no mercado. Ela existe quando o mesmo produto está custando diferente em lugares diferentes, ou de jeitos diferentes (tipo ações no Brasil e nos EUA).
Nesse caso, o investidor compra onde está barato e vende onde está caro, ficando com a diferença. Dizem que essa jogada tem pouco risco, porque não depende do que vai acontecer no futuro, e sim de preços diferentes que logo se ajeitam.
Leia também: Comércio bilateral: o que é, como funciona, exemplos
Fontes: CMCapital, Infomoney, Toro, Investopedia, XPI e Suno.