Encilhamento: o que foi, medidas, consequências

O encilhamento foi uma crise econômica brasileira do final do século XIX marcada por especulação financeira e inflação. Entenda as consequências.

29 de outubro de 2026 - por Sidemar Castro


O Encilhamento foi uma política econômica brasileira do início da República (1890-1891), liderada por Rui Barbosa, que visava industrializar o país através de emissão de moeda e crédito fácil. Resultou em enorme especulação, falência de empresas, inflação desenfreada e forte desvalorização da moeda, gerando uma das maiores crises financeiras da história.

Saiba mais sobre o encilhamento, o contexto histórico e a origem na matéria a seguir.

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O que foi o encilhamento?

O Brasil, no fim do século XIX, acabara de se tornar uma república. Havia um enorme desejo de modernizar o país, de deixar para trás o passado agrário e monarquista.

Nesse contexto, o encilhamento foi a grande aposta, uma política econômica que prometia preparar o terreno para um novo Brasil industrial. O nome, tirado do universo das corridas de cavalo, significava colocar a sela no animal, prontinho para a largada.

A ideia era justamente essa: o país estava se preparando para uma arrancada rumo ao progresso. Só que, como veremos, a corrida terminou em um grande tropeço.

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Contexto histórico e origem do encilhamento

Para entender o encilhamento, precisamos voltar um pouquinho no tempo.

O Brasil vivia uma ebulição. A escravidão tinha acabado de ser abolida, em 1888, e uma enxurrada de imigrantes europeus chegava para trabalhar nas fazendas de café. Isso era ótimo, mas criava um problema: de repente, havia uma multidão de pessoas que precisava receber salário, e o dinheiro em circulação no país era muito pouco.

A estrutura financeira era frágil, cheia de amarras do tempo do império, que dificultavam a criação de negócios e o acesso a crédito. Foi nesse clima de fim de uma era e início de outra que o novo governo republicano precisou agir, precisava colocar dinheiro na mão do povo e, de quebra, incentivar a indústria.

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Quais eram os objetivos da política do encilhamento?

O ministro da fazenda da época, Rui Barbosa, um dos nomes mais brilhantes do país, tinha um plano claro.

O primeiro passo era simples: fazer dinheiro circular. Com mais moeda, os salários poderiam ser pagos e o comércio respiraria. Mas o sonho maior era outro.

Com o dinheiro circulando e o crédito fácil, ele acreditava que muitos empreendedores se animariam a abrir fábricas e indústrias. A ideia era matar dois coelhos com uma cajadada só: resolver a falta de dinheiro e, ao mesmo tempo, plantar a semente de um Brasil moderno e industrializado, nos moldes dos países desenvolvidos que tanto admirava.

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Medidas implantadas no encilhamento

Para colocar o plano em prática, o governo agiu rápido e com mãos largas. As principais medidas foram:

  • Dinheiro novo na praça: O governo autorizou diversos bancos, espalhados pelo país, a imprimir dinheiro. Mas, atenção, a garantia desse dinheiro não era ouro no cofre, e sim títulos da dívida pública. Era como se o governo emitisse vales lastreados na própria promessa de pagamento.
  • Fim da burocracia: Antes, abrir uma empresa era um parto, cheio de exigências e autorizações do governo. Com o encilhamento, isso mudou da noite para o dia. Criar uma empresa ficou muito mais simples e rápido, bastava registrar uns papéis.
  • Festa na bolsa: Com tanto dinheiro disponível e tanta empresa nova surgindo, a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro virou um verdadeiro formigueiro. Todo mundo queria comprar ações das novas companhias, na esperança de ficar rico depressa.

Quais foram as consequências do encilhamento?

No começo, foi uma festa só. O número de empresas disparou, os jornais só falavam de novos negócios e a bolsa vivia em alta. Parecia que o plano estava dando certo, que o Brasil realmente tinha virado uma mina de ouro. Mas por trás da euforia, o castelo de areia começou a desmoronar.

Muitas daquelas empresas que surgiam eram “fantasmas”, criadas apenas para vender ações e embolsar o dinheiro dos investidores. Não tinham fábricas, nem produtos, nem qualquer atividade de verdade.

Com tanto dinheiro falso circulando, ele foi perdendo o valor. A moeda brasileira despencou, e os preços de tudo dispararam. A inflação corroía o salário de todo mundo.

Quando a primeira desconfiança apareceu, foi um deus-nos-acuda. O valor das ações desabou, ninguém mais queria comprar nada. Os investidores, inclusive muitos pequenos que tinham colocado todas as economias na bolsa, perderam tudo. A euforia deu lugar a falências, desemprego e uma crise econômica profunda que manchou o início da república.

Perguntas frequentes sobre encilhamento

Por que o encilhamento fracassou?

O fracasso aconteceu porque o governo liberou crédito e emissão de dinheiro sem controle, abrindo espaço para especulação e empresas fantasmas. A moeda perdeu valor, a inflação disparou e a bolha estourou, levando à falência milhares de investidores.

Quem criou o encilhamento?

Rui Barbosa, ministro da Fazenda do governo Deodoro da Fonseca, foi quem colocou a política em prática na República. Mas as primeiras medidas que afrouxaram as regras econômicas vieram do Visconde de Ouro Preto, ainda no final do Império.

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