Ações emitidas: o que são, como calcular, importância

Entenda o que são ações emitidas, como elas funcionam e por que esse conceito é fundamental para analisar empresas e investimentos.

29 de outubro de 2026 - por Millena Santos


Já parou para pensar quantas ações de uma empresa realmente estão nas mãos dos investidores? Esse número é definido pelas chamadas ações emitidas, que são todos os papéis que a companhia colocou em circulação ao longo do tempo.

Neste texto, a gente te conta mais sobre isso. Bora lá?

Veja também: Ações de crescimento, o que são? Diferenças entre ações de valor

O que são ações emitidas?

As ações emitidas representam todas as ações que uma empresa já colocou em circulação no mercado, ou seja, aquelas que foram vendidas e hoje estão nas mãos dos investidores.

Esse total também inclui as ações que a própria companhia mantém em carteira, conhecidas como ações em tesouraria.

Antes mesmo de abrir capital, a empresa define quantas ações pode criar legalmente, chamadas de ações autorizadas. No entanto, isso não significa que todas elas serão colocadas à venda de uma só vez.

A companhia pode emitir parte dessas ações agora e guardar o restante para futuras captações, expansões ou outras estratégias financeiras.

Para facilitar, imagine uma empresa autorizada a emitir 1 milhão de ações. Se ela decide vender 600 mil ao mercado, esse passa a ser o número de ações emitidas. As outras 400 mil continuam apenas no papel, prontas para serem usadas quando surgir uma boa oportunidade.

Como funcionam as ações emitidas?

As ações emitidas são usadas quando a empresa precisa de recursos para crescer, investir ou colocar executar novos projetos. Em vez de recorrer a empréstimos e assumir juros elevados, ela pode vender pequenas partes do próprio negócio ao mercado.

Dessa forma, consegue captar dinheiro de maneira mais flexível e ainda atrai investidores que acreditam no seu potencial.

Diferentemente de um financiamento tradicional, não existe a obrigação automática de pagar juros. A distribuição de lucros depende dos resultados e das decisões da gestão, que pode optar por reinvestir o dinheiro na própria operação.

Esse processo costuma acontecer por meio de ofertas públicas, como o IPO, quando a empresa passa a ter ações negociadas na bolsa, ou o follow-on, quando realiza uma nova captação.

No mercado primário, os recursos vão direto para o caixa da companhia. Já no mercado secundário, as ações apenas circulam entre investidores, com preços variando conforme expectativas, notícias e desempenho do negócio.

Onde encontrar informações sobre as ações emitidas?

As informações sobre essas ações estão disponíveis em fontes oficiais e de fácil acesso.

No Brasil, o principal ponto de consulta é o site da B3, a bolsa de valores brasileira, onde é possível encontrar dados atualizados sobre as empresas listadas, além de relatórios, comunicados ao mercado e indicadores relevantes.

Outra fonte para considerar são as plataformas reguladas pela CVM, que reúnem documentos oficiais, demonstrações financeiras e fatos relevantes divulgados pelas companhias.

Como calcular as ações emitidas?

Para descobrir quantas ações uma empresa já emitiu, o caminho é simples: basta consultar o balanço patrimonial, na parte de Capital Social. Ali aparecem os dados sobre o total de ações existentes, tanto ordinárias quanto preferenciais.

Se quiser saber quantas estão realmente circulando no mercado, é só subtrair as ações em tesouraria, que são aquelas mantidas pela própria companhia.

O cálculo fica assim:

Ações Emitidas = Ações em Circulação + Ações em Tesouraria

Já para encontrar o valor de mercado da empresa, basta multiplicar o total de ações emitidas pelo preço atual da ação. Esse número ajuda a entender quanto o mercado, como um todo, avalia aquela companhia naquele momento.

Agora, se a ideia for descobrir o valor médio de compra, o raciocínio se inverte: divide-se o valor de mercado pelo total de ações emitidas.

Esse tipo de cálculo ajuda o investidor a analisar se o preço atual faz sentido, comparar empresas e tomar decisões, sem muita complicação.

Exemplos de ações emitidas

Imagine uma empresa fictícia chamada Alfa Tech, que decidiu abrir capital para financiar sua expansão.

No momento da abertura, ela autorizou a emissão de 1 milhão de ações, mas colocou no mercado apenas 700 mil. Dessas, 650 mil foram compradas por investidores e 50 mil ficaram em tesouraria, guardadas pela própria empresa para estratégias futuras.

Nesse caso, dizemos que a Alfa Tech possui 700 mil ações emitidas, sendo 650 mil em circulação e 50 mil em tesouraria.

As 300 mil ações restantes, embora autorizadas, ainda não foram emitidas.

Por que as empresas emitem ações?

Em algum momento, toda empresa precisa de novos recursos para crescer, inovar ou expandir suas operações.

Uma das formas mais inteligentes de fazer isso é por meio da emissão de ações, que permite captar dinheiro no mercado sem recorrer a empréstimos ou assumir dívidas elevadas.

Esse processo funciona como a venda de pequenas partes do negócio a investidores interessados em participar do seu crescimento.

Assim, a empresa ganha tranquilidade financeira, e também mais flexibilidade para planejar seus próximos passos e ainda fortalece sua presença no mercado.

Tipos de ações emitidas

1- Ações Ordinárias (ON)

As ações ordinárias são identificadas pelo sufixo “3” (como PETR3), dão direito a voto nas assembleias, permitindo participar das decisões mais importantes da empresa, como a escolha de administradores e mudanças.

Também contam com tag along, um mecanismo de proteção em caso de troca de controle, garantindo ao investidor a venda de seus papéis por, no mínimo, 80% do valor pago ao acionista majoritário.

2- Ações Preferenciais (PN)

Já essas são reconhecidas pelo sufixo “4” (como PETR4), priorizam o recebimento de dividendos, normalmente pelo menos 10% maior que o das ações ordinárias, e o reembolso do capital em caso de liquidação da empresa.

Em geral, não oferecem direito a voto, sendo mais atrativas para quem busca renda passiva e previsibilidade.

3- Units

Já essas são negociadas com o sufixo “11” (como ITSA11), funcionam como um pacote que reúne diferentes tipos de ações, geralmente uma ordinária e duas preferenciais.

Elas são interessantes pois facilitam o acesso a direitos mistos e costumam ter maior liquidez.

Vale ressaltar que, tecnicamente, não são ações puras, mas certificados que representam essa combinação.

4- Golden Shares

São ações especiais, normalmente mantidas pelo governo, que garantem poder de veto em decisões estratégicas, especialmente em empresas privatizadas. São raras e permitem interferir em pontos sensíveis, como mudança de nome, venda de ativos relevantes ou alteração do controle societário.

5- Outras Classes (Personalizadas)

Por fim, essas são criadas conforme o estatuto social de cada empresa, podem incluir direitos específicos, como múltiplos votos ou vantagens exclusivas para fundadores e controladores.

Essas informações ficam disponíveis no formulário de referência da B3 e costumam variar muito de uma companhia para outra.

Importância e impactos das ações permitidas para a empresa

Ao longo do crescimento de uma empresa, as ações emitidas têm um papel fundamental.

Como a gente já viu, elas representam partes do capital colocadas em circulação para captar recursos sem recorrer ao endividamento, abrindo espaço para investimentos em expansão, inovação, modernização ou até reorganização financeira.

É uma forma de ganhar uma certa estabilidade e acelerar planos que, de outra maneira, poderiam demorar muito mais para sair do papel.

No campo financeiro, essa decisão traz impactos importantes. Novas emissões podem diluir a participação dos acionistas atuais, mas, por outro lado, ajudam a atrair investidores institucionais, aumentam a liquidez das ações e fortalecem a presença da empresa no mercado.

Além disso, esses movimentos influenciam indicadores relevantes, como VPA, P/L e valor de mercado, que servem de referência para avaliar a saúde e o potencial do negócio.

Já do ponto de vista estratégico, a emissão de ações pode alterar o equilíbrio de poder dentro da companhia, reduzindo o controle de antigos sócios e tornando a governança mais distribuída.

Embora isso possa gerar certa volatilidade no curto prazo, também contribui para uma gestão mais profissional, transparente e alinhada às melhores práticas do mercado.

Importância das ações emitidas para o investidor

Já para o investidor, as ações emitidas são a porta de entrada para participar do crescimento das empresas.

Ao comprar uma ação, ele passa a ser sócio do negócio, ainda que em uma fração pequena, com a chance de ganhar tanto com a valorização do preço quanto com o recebimento de dividendos ao longo do tempo.

Além disso, dependendo da quantidade adquirida, também pode exercer alguma influência nas decisões corporativas.

Outro ponto positivo é a possibilidade de obter ganho de capital com a oscilação dos preços no mercado secundário, como a B3. Se a empresa evolui bem e conquista a confiança do mercado, suas ações tendem a se valorizar, abrindo espaço para bons retornos financeiros.

Toda essa dinâmica torna o investimento mais atrativo, especialmente para quem busca crescimento patrimonial no médio e longo prazo.

Como as ações são negociadas diariamente, o investidor tem liberdade para entrar e sair do mercado quando quiser, sem prazos engessados. Isso facilita ajustes rápidos na carteira e ajuda na construção de uma estratégia diversificada, que acaba reduzindo riscos.

Ainda assim, é essencial analisar bem cada empresa, já que a volatilidade faz parte do jogo e decisões conscientes fazem toda a diferença nos resultados.

Vantagens e desvantagens de emitir ações

Emitir ações pode trazer muitos benefícios para a empresa. O principal deles é conseguir recursos sem a obrigação de devolver o dinheiro ou pagar juros, como acontece nos empréstimos.

Além disso, estar listada na B3 aumenta a visibilidade e a credibilidade da companhia, facilita novas captações no futuro e ainda permite estratégias interessantes, como a recompra de ações para manter em tesouraria.

Mas, como sempre, nem tudo são flores. Ao abrir o capital, a empresa passa a seguir uma série de regras, divulgar informações com mais frequência e lidar com um nível maior de exposição.

Isso eleva custos administrativos, contábeis e regulatórios, além de colocar a empresa sob os holofotes constantes de investidores, analistas e do próprio mercado.

Outro ponto que merece atenção são as emissões com direito de subscrição. Quando mal comunicadas ou mal planejadas, elas podem gerar desconfiança, afetar a imagem da empresa e afastar investidores.

Por isso, cada decisão precisa ser bem pensada.

Diferenças entre ações emitidas e ações em circulação

Pode até parecer que ações emitidas e ações em circulação significam a mesma coisa, mas há uma diferença importante entre esses dois conceitos.

As ações emitidas correspondem a todo o volume de papéis que a empresa já colocou no mercado, incluindo aquelas que ficam guardadas em tesouraria. Já as ações em circulação são somente as que estão nas mãos dos investidores e disponíveis para negociação na bolsa.

Em termos práticos, isso significa que nem todas as ações emitidas estão, de fato, sendo negociadas. Algumas ficam retidas pela própria empresa, seja por estratégia financeira, seja para uso futuro.

Para ilustrar, imagine uma empresa que tenha emitido 1 milhão de ações. Se ela mantém 100 mil em tesouraria, então apenas 900 mil estão realmente em circulação, trocando de mãos entre os investidores no dia a dia da bolsa.

Diferenças entre ações emitidas e ações autorizadas

De forma bem simples e direta, as ações autorizadas mostram o limite máximo de ações que uma empresa pode criar, conforme definido em seu estatuto.

Já as ações emitidas são apenas aquelas que ela decidiu, de fato, colocar no mercado até agora.

Na prática, isso significa que a empresa pode ter autorização para emitir um volume maior de ações, mas escolhe liberar apenas uma parte, de acordo com suas necessidades de captação e estratégia de crescimento.

Assim, mantém uma margem de manobra para futuras expansões sem precisar mudar suas regras internas.

Como as ações emitidas são afetadas pela recompra de ações

Quando a empresa decide recomprar suas próprias ações, o principal impacto acontece sobre a quantidade de papéis disponíveis no mercado.

Ao retirar essas ações de circulação, diminui-se a oferta para negociação, o que pode influenciar o preço e melhorar alguns indicadores financeiros.

Apesar disso, o total histórico de ações emitidas continua existindo, o que muda é quantas estão realmente nas mãos dos investidores.

Se essas ações forem canceladas, o capital social da empresa é reduzido proporcionalmente, o que pode fortalecer o balanço e aumentar o valor relativo das ações que continuam em circulação.

De modo oposto, quando ficam em tesouraria, passam a funcionar como uma espécie de reserva e podem ser revendidas no futuro, usadas em planos de incentivo para executivos ou em operações societárias.

Esse movimento costuma ser interpretado como um sinal de confiança da empresa em seu próprio negócio, já que indica que ela acredita que suas ações estão baratas ou que faz sentido reduzir a quantidade disponível no mercado.

Ainda assim, como toda decisão financeira, precisa ser bem planejada para gerar efeitos positivos de longo prazo.

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