28 de setembro de 2026 - por Sidemar Castro
A chamada Golden Share, ou Ação de Ouro, é um tipo especial de ação que dá ao seu dono um poder diferenciado: o de vetar decisões estratégicas e influenciar os rumos de uma empresa, mesmo sem ter a maioria das ações. Normalmente, quem detém esse poder é o Estado ou um sócio fundador.
Esse mecanismo surgiu durante os processos de privatização, como uma forma de garantir que os interesses públicos ou nacionais continuassem protegidos, mesmo quando o controle acionário passava para mãos privadas.
Importante: este artigo se trata de uma opinião e não de uma recomendação e indicação de investimento ou estratégia.
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O que é golden share?
Quando uma empresa pública vira privada, o governo muitas vezes quer ter certeza de que algumas decisões importantes não vão ser tomadas sem que ele concorde. Para isso, ele pode ter uma golden share, que é tipo uma carta na manga que dá o direito de vetar decisões importantes.
Mesmo que o governo não seja mais o dono da maior parte das ações, essa ação especial deixa-o barrar coisas que podem prejudicar o país, tipo vender coisas importantes da empresa ou mudar quem manda nela.
Essa ideia começou na Inglaterra lá nos anos 80, quando teve um monte de privatizações, e aí outros países copiaram. Aqui no Brasil, por exemplo, alguns setores que o governo acha importantes podem ter essa golden share para proteger o que interessa ao país.
Como funcionam as golden shares?
As golden shares são um tipo especial de ação que dá a quem as possui, quase sempre o governo, a chance de vetar decisões importantes de empresas que foram vendidas ou que são muito importantes para o país. Isso começou no Reino Unido nos anos 80 e ainda acontece em firmas brasileiras como a Vale, Embraer e IRB. Elas servem para o governo continuar tendo um certo controle, mesmo sem ser o maior dono da empresa.
Assim, ela concede ao dono um poder diferente: o de barrar certas escolhas-chave dentro de uma empresa. Essa ideia surgiu para que os governos pudessem continuar mandando em firmas importantes, mesmo depois de vendê-las. Quer dizer, mesmo que o governo não seja mais o principal acionista, ele ainda pode dar o seu pitaco em assuntos sérios.
Na prática, a golden share funciona como uma espécie de “freio de mão” que o governo pode puxar quando percebe que uma decisão empresarial pode afetar interesses nacionais. É uma forma de equilibrar a liberdade do mercado com a proteção de áreas estratégicas. Por outro lado, esse poder estatal pode afastar investidores, já que cria o risco de interferência política nas decisões corporativas.
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Vantagens e desvantagens das ações de ouro
Vantagens
As ações de ouro funcionam como uma espécie de salvaguarda para setores que afetam diretamente a vida dos cidadãos. A grande vantagem desse modelo é a proteção da soberania nacional.
Imagine uma empresa de energia ou de saneamento que passa pelo processo de privatização; a golden share garante que o governo possa impedir decisões que prejudiquem o abastecimento ou que coloquem recursos essenciais em mãos de grupos que não compartilham dos interesses do país.
Além disso, ela evita que a companhia seja alvo de aquisições hostis por concorrentes estrangeiros que poderiam simplesmente encerrar as operações locais para eliminar a competição.
Desvantagens
Por outro lado, essa intervenção constante pode ser vista como um entrave ao desenvolvimento. A principal desvantagem reside na insegurança jurídica que ela gera para os investidores privados.
Quem coloca dinheiro em uma empresa quer ter a liberdade de ditar os rumos do negócio visando a eficiência e o lucro.
Quando o Estado possui o poder de vetar decisões administrativas ou mudar o planejamento estratégico, o valor das ações comuns pode cair, pois o mercado entende que a gestão não é totalmente técnica, mas sim política. Isso acaba tornando a empresa menos atrativa para grandes fundos de investimento globais.
Origem das golden share
Nos anos 80, a Grã-Bretanha estava mudando muito na economia. A primeira-ministra Margaret Thatcher estava vendendo várias empresas estatais para diminuir o governo e economizar dinheiro.
Mas havia um dilema: como garantir que empresas estratégicas, ligadas à energia, telecomunicações ou defesa, não perdessem completamente o vínculo com o interesse nacional? Foi nesse contexto que nasceu a chamada golden share, ou ação de ouro.
É uma forma de equilibrar mercado e soberania, permitindo que a empresa seja privada, mas sem deixar de lado a proteção de áreas estratégicas.
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Quais países possuem o sistema de golden share?
A golden share veio ao mundo no Reino Unido, nos anos 1980, em meio às grandes privatizações do governo Thatcher. O governo britânico queria reduzir sua participação direta nas empresas, mas sem abrir mão de setores estratégicos. A solução foi criar uma ação especial, que dá ao Estado o poder de vetar decisões importantes.
Com o tempo, outros países seguiram o mesmo caminho. Portugal usou a golden share na Portugal Telecom, a França aplicou em empresas de energia e transporte, a Espanha e a Itália também adotaram em companhias estratégicas, e até a Alemanha recorreu a esse modelo. No Brasil, o mecanismo chegou nos anos 1990, garantindo ao governo poder de veto em empresas como Vale e Embraer.
Esse sistema se tornou um tipo de salvaguarda que o governo tem pra usar quando sente que a soberania ou algo muito importante está em perigo. Muita gente que investe não gosta muito da ideia da golden share, porque acha que o governo pode se meter demais, mas vários países ainda usam isso pra dar um jeito de equilibrar o mercado e proteger o que é deles.
Golden share no Brasil
No Brasil, a prática começou nos anos 1990, com a Lei 8.031/1990, que instituiu o Programa Nacional de Desestatização. Desde então, companhias como Vale, Embraer, IRB e Celma passaram a ter golden shares em sua estrutura.
Na Vale, por exemplo, o governo pode impedir mudanças de sede ou até a liquidação da empresa. Na Embraer, o veto se aplica a questões ligadas a programas militares e transferência de tecnologia sensível. Já no IRB, o Estado pode barrar alterações no objeto social e na política de resseguros.
Esse modelo busca equilibrar a abertura ao mercado privado com a proteção de interesses estratégicos. Por um lado, garante que decisões cruciais não sejam tomadas sem supervisão estatal; por outro, pode gerar desconfiança entre investidores, que veem na golden share um risco de interferência política.
Empresas brasileiras possuem golden share
Essa ação dá ao seu titular o direito de veto sobre decisões consideradas estratégicas, como mudanças no estatuto social, vendas importantes de ativos, mudanças de controle ou até mudança de sede da companhia. Essa ferramenta foi criada para que o Estado possa proteger interesses públicos e de soberania, mesmo após a privatização de uma empresa.
Algumas empresas brasileiras que ainda têm esse tipo de ação especial são:
- Vale: apesar de ser uma empresa privada com ações negociadas em bolsa, o governo mantém golden shares que permitem vetar certas decisões estratégicas, como mudança de sede ou alterações no estatuto.
- Embraer: aqui a golden share garante à União o poder de veto em decisões que envolvem tecnologia militar ou questões relacionadas à segurança e controle acionário destas áreas.
- IRB Brasil Resseguros: a ação especial dá ao governo a capacidade de bloquear mudanças no objeto social da empresa ou em sua política de resseguros.
- Celma: empresa que também ficou com uma golden share após sua privatização, com poderes de veto sobre decisões estratégicas.
Esses exemplos mostram como o Estado usa a golden share como uma forma de manter influência em setores e companhias considerados estratégicos, mesmo quando elas estão sob controle majoritariamente privado.
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Diferenças entre ações ordinárias, ações preferenciais e golden share
As ações ordinárias (ON) são aquelas que dão o direito de voto nas reuniões da empresa. Assim, quem tem ON pode opinar sobre as decisões, como escolher os diretores ou até mesmo em casos de mudanças importantes na empresa. Quanto mais ações ON você possuir, mais forte será o seu voto.
Já as ações preferenciais (PN) geralmente não dão direito a voto. Em compensação, quem tem PN recebe os dividendos primeiro e, se a empresa falir, também recebe sua parte antes dos outros acionistas. Por isso, muita gente compra PN quando está mais interessada em receber dinheiro do que em participar das decisões da empresa.
A golden share é diferente. Ela não serve para dar lucro, mas sim para dar poder de decisão.
Normalmente, o governo fica com ela quando vende uma empresa. Com a golden share, o governo pode impedir algumas decisões importantes, como mudar quem manda na empresa, mudar a sede ou vender coisas importantes.
Essa possibilidade de vetar certas decisões não depende de ter muitas ações ON ou PN, por isso a golden share dá mais controle do que só votar ou receber dividendos.
Golden share ainda é utilizada?
Sim, a golden share ainda existe e é utilizada em algumas empresas estratégicas no Brasil e em outros países, mas seu uso vem diminuindo ao longo dos últimos 20 anos, principalmente porque investidores enxergam nela um risco de interferência estatal. No Brasil, companhias como Vale, Embraer, IRB e Celma continuam com esse mecanismo ativo.
Ela ainda é utilizada em algumas empresas brasileiras e estrangeiras. Esse tipo de ação dá ao governo o poder de vetar decisões estratégicas, mesmo sem ser acionista majoritário. É uma forma de manter influência em setores considerados vitais, como mineração, defesa e seguros.
Apesar de ainda existir, o uso da golden share tem diminuído. Em países da União Europeia, por exemplo, órgãos reguladores vêm combatendo esse mecanismo, alegando que ele afasta investidores e reduz a atratividade das empresas. Isso acontece porque a possibilidade de intervenção estatal gera insegurança no mercado, já que decisões políticas podem se sobrepor às necessidades corporativas.
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