New Deal: o que foi, características, resultados

O New Deal foi um plano econômico adotado nos EUA, para enfrentar os efeitos da Grande Depressão. Conheça suas características e resultados.

20 de junho de 2025 - por Sidemar Castro


Os Estados Unidos ainda respiravam sob o peso da Grande Depressão – a crise arrasadora que se seguiu ao colapso da Bolsa de Nova York em 1929. Cidades inteiras mergulhadas no desemprego, famílias perdendo tudo da noite para o dia, um país que parecia ter esquecido o que era prosperidade.

Foi nesse clima de desespero que, em 1933, o presidente Franklin D. Roosevelt apresentou o New Deal: não apenas um pacote de medidas econômicas, mas uma tentativa de reacender a chama da confiança no futuro.

O plano ia muito além de gráficos e estatísticas. Era sobre pessoas. Sobre mães que voltavam a colocar comida na mesa, operários encontrando trabalho em estradas e pontes, agricultores recebendo um novo fôlego. Roosevelt sabia que não bastava reerguer números – era preciso reconstruir sonhos. E assim, entre programas de infraestrutura, regulação dos bancos e apoio ao campo, o governo não só estimulou a economia, mas devolveu algo que parecia perdido: a esperança.

Mas será que funcionou? Os resultados foram além do esperado – e não só transformaram os EUA, como ecoaram pelo mundo. Quer entender como? Acompanhe a seguir.

Leia mais: Crise de 1929, a Grande Depressão econômica

O que foi o New Deal?

Os Estados Unidos estavam no fundo do poço por causa da Grande Depressão, que começou em 1929, em Wall Street. Milhões de pessoas estavam sem emprego, sem esperança, a economia em frangalhos. Foi aí que o presidente Franklin Delano Roosevelt (eleito em 1933) entrou em campo com um plano ambicioso.

Entre 1933 e 1937, o governo americano lançou esse pacotão de medidas que ficou conhecido como “Novo Acordo”, que é o que “New Deal” significa. A intenção era reerguer o país e dar um respiro para o povo sofrendo. O nome veio de uma política mais antiga, o “Square Deal”, do presidente Theodore Roosevelt, primo de Franklin.

Na época, o New Deal foi uma verdadeira quebra de paradigma, uma vez que essas ideias econômicas intervencionistas eram totalmente fora do que se esperava como política de governo.

Keynes

Quem explicou isso alguns anos mais tarde, foi o economista britânico John Maynard Keynes. Seu clássico livro “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda” lançou as bases teóricas para justificar e explicar por que esse tipo de intervenção na economia era tão importante. E serviu de modelo para novas abordagens da economia, durante anos, em várias partes do mundo.

Leia também: Keynesianismo: o que é e quais são suas características?

Contexto histórico do New Deal

A Grande Crise de 1929 foi o fator determinante que levou ao New Deal. Naquele ano, os Estados Unidos, então uma potência mundial, caíram num buraco econômico profundo quando da quebra da Bolsa de New York.

Acontecia uma mistura de fatores preocupantes: a produção estava muito alta (as fábricas produziam demais e não tinham quem comprasse tanta coisa) e havia, também, uma especulação financeira descontrolada, onde o dinheiro valia mais no papel do que na realidade.

Como os EUA eram um dos maiores compradores do mundo, quando eles “tossiram”, o mundo inteiro pegou uma “gripe econômica”. Outros países também sofreram um baque e viram suas economias estremecerem.

Essa crise gigante abalou a fé nas ideias que dominavam até então: o liberalismo econômico clássico e até mesmo o próprio capitalismo. As pessoas começaram a questionar se o mercado, deixado por conta própria, era realmente capaz de se regular.

A situação estava feia e durou até 1933. Milhões de americanos estavam na miséria, e o desemprego chegou a assustadores 30%. Foi nesse cenário de desespero que o New Deal surgiu como uma luz no fim do túnel.

Características do New Deal

A política de intervenção estatal do presidente Roosevelt começou a ser adotada nos Estados Unidos em 1033, com uma série de medidas:

  • Controle sobre bancos e instituições financeiras e econômicas;
  • Construção de obras de infraestrutura para a geração de empregos e aumento do mercado consumidor;
  • Concessão de subsídios e crédito agrícola a pequenos produtores familiares;
  • Criação de Previdência Social, que estipulou um salário mínimo, além de garantias a idosos, desempregados e inválidos;
  • Incentivo à criação de sindicatos para aumentar o poder de negociação dos trabalhadores e facilitar a defesa dos novos direitos instituídos.

Sendo assim, o New Deal pode ser dividido em quatro dimensões:

  • Reformas econômicas e regulação de setores da economia;
  • Medidas emergenciais;
  • Transformações culturais; e
  • Nova pactuação política entre o Estado e fatores sociais, o que formou a chamada coalizão do New Deal.

Principais medidas do New Deal

Diante daquela crise avassaladora de 1929, ninguém tinha um manual de como sair dela. Foi aí que o presidente Roosevelt, o criador do New Deal, resolveu apostar em políticas econômicas que hoje a gente chama de intervencionistas. Ele acreditava que o governo precisava meter a mão na massa para reverter a situação.

Essas ações tinham um objetivo claro: reduzir o desemprego e fazer a economia voltar a girar. Elas foram muito inspiradas nas ideias do economista Keynes, que defendia uma participação maior do Estado.

Entre as principais medidas do New Deal, destacam-se:

  • Apoio aos bancos: O governo fez empréstimos gigantescos aos bancos para evitar que o sistema financeiro desmoronasse de vez. Era uma forma de dar um respiro e restaurar a confiança.
  • Obras públicas em massa: Com dinheiro do Estado, foram construídas rodovias, hidrelétricas e muitas outras obras. Isso não só melhorava a infraestrutura do país, mas, principalmente, gerava muitos empregos, colocando dinheiro no bolso das pessoas.
  • Desvalorização do dólar: O governo desvalorizou o dólar para tornar os produtos americanos mais baratos lá fora. A ideia era incentivar as exportações e dar um empurrãozinho na indústria nacional.
  • Seguridade social: Foi criado um sistema de seguridade social nos Estados Unidos, algo revolucionário para a época. Isso incluía benefícios para idosos, desempregados e pessoas com deficiência, criando uma rede de proteção para a população.
  • Estímulo à agricultura: Para ajudar os fazendeiros e a produção de alimentos, o governo ofereceu subsídios e incentivos para a atividade agrícola.

Saiba mais: Tipos de desemprego: quais são e como afetam a economia?

Resultados do New Deal

O que o New Deal conseguiu de fato? Ele realmente trouxe um fôlego novo para a economia americana naqueles tempos difíceis.

Conseguiu tirar o país do atoleiro da crise em poucos anos. Para ter uma ideia, estudos mostram que, após dez anos de New Deal, os Estados Unidos já estavam no mesmo nível econômico de antes de 1929, ou seja, recuperaram o terreno perdido.

Por causa desse sucesso, as ideias por trás do New Deal acabaram influenciando até mesmo políticas econômicas na Europa, como o famoso Estado de Bem-Estar Social (o Welfare State), que foi super importante no continente depois da Segunda Guerra Mundial.

Mas, como nem tudo é para sempre, nos anos 70, quando novas crises bateram à porta do mundo capitalista, as políticas intervencionistas do New Deal começaram a ser vistas com outros olhos e foram bastante questionadas. Isso abriu caminho para que as ideias neoliberais ganhassem força e se consolidassem.

Entenda: Qual a diferença entre liberalismo e neoliberalismo?

Críticas ao New Deal

Não foram apenas elogios que o New Deal recebeu. Economistas liberais criticaram o intervencionismo na economia por parte do Estado, enquanto outros achavam que foi insuficiente.

  • Não resolveu totalmente a Grande Depressão: Muitos economistas argumentam que o New Deal amenizou os efeitos da crise, mas não a superou de fato. A recuperação plena só veio com a Segunda Guerra Mundial, que estimulou a indústria e reduziu o desemprego.
  • Aumento do déficit público: Os programas do New Deal demandaram gastos maciços do governo, elevando a dívida pública. Críticos, especialmente conservadores, viram isso como um risco à estabilidade fiscal.
  • Intervenção estatal excessiva: Liberais clássicos e empresários criticaram a expansão do governo na economia, argumentando que isso sufocava a iniciativa privada e criava dependência estatal.
  • Incerteza jurídica e contradições: Algumas medidas, como a NRA (National Recovery Administration), foram consideradas inconstitucionais pela Suprema Corte, gerando instabilidade jurídica. Além disso, certas políticas eram vistas como inconsistentes, ora favorecendo trustes, ora combatendo monopólios.
  • Benefícios desiguais: Grupos marginalizados, como negros e trabalhadores rurais pobres, muitas vezes ficaram de fora dos programas sociais ou foram prejudicados por políticas agrícolas que privilegiavam grandes proprietários.
  • Críticas da esquerda: Socialistas e comunistas achavam o New Deal “meia-boca”, pois mantinha o sistema capitalista sem promover mudanças radicais na distribuição de riqueza.

Leia também: Formas de mercado: o que são e quais são suas características?

Fontes: Mundo Educação, Brasil Escola, Suno e Toda Matéria.

Renda Fixa 2026: IPCA+7% ainda compensa? Guia completo para investir enquanto as taxas estão altas

Diferença entre salário e remuneração

Diferença entre duration e prazo

Qual a diferença entre Bitcoin e Bitcoin Cash?