Inadimplência recorde – Brasil à beira do colapso?


O Brasil tem, atualmente, mais de 66 milhões de inadimplentes. O número recorde – e alarmante – acende um sinal de alerta e deixa uma pergunta incômoda no ar. Afinal, o país está à beira de um colapso?

Entre maio de 2021 e maio deste ano, houve um aumento de 4 milhões de pessoas com o nome sujo. Com isso, o total chegou aos 66 milhões, de acordo com dados divulgados, na segunda-feira (11/7), pelo Serasa Experian.

Os maiores responsáveis pelo endividamento são:

  • 28,2% – Bancos e cartões de crédito
  • 22,7% – Contas básicas (água, luz e gás)
  • 12,5% – Financeiras e varejo (lojas)

Logo, é preciso analisar alguns fatores que estão por trás desse aumento considerável da inadimplência da população.

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Juros altos = freio econômico

Um dos motivos que têm feito a economia brasileira caminhar com dificuldade é a elevação da taxa básica de juros (Selic). O remédio tem sido necessário para conter a inflação, que já soma 11,89% nos últimos 12 meses.

O efeito colateral, no entanto, é a redução do consumo e, consequentemente, de toda a cadeia produtiva.

É bom lembrar que a alta dos juros também favorece o chamado “rentismo”. Ou seja, sempre que os juros sobem, fica mais atrativo ganhar dinheiro na renda fixa do que investindo em um negócio da economia real.

Rentismo, inadimplência e colapso

Com a Selic em 13,25% ao ano, muitos empreendedores acabam trocando as empresas – com seus inúmeros riscos – por títulos públicos ou privados de risco praticamente zero.

Por que investir na construção civil, por exemplo, pra ganhar um aluguel de 0,5% ao mês, quando a renda fixa garante o dobro disto?

Como consequência do rentismo, o país sofre com menos negócios, emprego e renda.

A cada empresário que deixa de construir, abrir (ou manter) um comércio ou uma grande empresa, dezenas ou centenas de pessoas “perdem” seus postos de trabalho.

Sem emprego, a fonte de renda seca e, com isso, aumenta a inadimplência. A economia é um ciclo virtuoso, quando tudo está bem, e vicioso quando uma engrenagem empena.

O perigo dos auxílios

Uma das formas adotadas pelo governo para “socorrer” a população é a distribuição de auxílios – em pleno ano eleitoral. Coincidência, não?

Aparentemente, medidas como a PEC dos Auxílios são positivas e bem-vindas. O pacotão inclui, entre outras benesses, o aumento do Auxílio Brasil e do vale-gás, e uma mesada de R$ 1.000 para caminhoneiros.

Na prática, o que teremos é a geração artificial de resultados imediatos positivos, mas que têm um peso enorme no longo prazo.

Quando o governo distribuiu o Auxílio Emergencial, durante a crise do coronavirus, por exemplo, algumas empresas se deram muito bem. Foi o caso das gigantes de alimentos, bebidas e do varejo.

As ações de empresas como M. Dias Branco (MDIA3), Ambev (ABEV3), Pão de Açúcar (PCAR3), Magazine Luiza (MGLU3) e Via (VIIA3) tiveram um grande salto devido ao auxílio. Depois, contudo, veio a paulada!

Dinheiro artificial gera colapso?

O grande problema dos auxílios, fruto de dobradinha entre o governo e o Congresso Nacional, é que os incentivos econômicos são artificiais.

Ou seja, o país acaba promovendo subsídios ou deixa de arrecadar impostos, mas sem uma compensação financeira.

Uma das propostas, recém aprovada, foi a isenção total de impostos federais e estaduais (ICMS) sobre os combustíveis.

No caso do diesel, a medida impacta diretamente no preço de quase tudo. Isso porque grande parte da produção do país é escoada pelas rodovias.

Além disso, o diesel é insumo essencial para as máquinas que fazem o cultivo de toda a produção agrícola.

Então, zerar os impostos, de fato, ajuda a combater a inflação. E, embora eu seja um autêntico cidadão anti-impostos, é preciso entender que a conta chega.

Quando chegar, advinha quem vai pagar???

A festa vai acabar

Mais cedo ou mais tarde, a festa vai acabar. E como ficaremos? Esta é a pergunta que não podemos evitar.

Embora a inflação ainda não tenha desacelerado (deflação), o governo tem conseguido gerar o fenômeno conhecido como “desinflação”. Traduzindo, é quando o aumento de preços vem abaixo do projetado pelo mercado.

Apesar dos pequenos sinais de melhora na economia, não sabemos, ao certo, o impacto que os auxílios terão quando a poeira baixar.

O fato é que é impossível manter uma redução de receitas às custas de dinheiro artificial ou de um “pequeno” caixa esporádico, como o gerado pela venda da Eletrobras.

Não por acaso, o pacote de “bondades” da PEC do Auxílios só tem validade até o fim do ano.

E os meus investimentos?

Para o investidor, o cenário ainda é de muita incerteza.

O mais correto, contudo, é continuar fazendo o feijão com arroz. Ou seja, aportar todos os meses, investir apenas em boas empresas e, na crise, aproveitar as melhores oportunidades.

Lembre-se: inflação, crise e pânico passam; seus investimentos ficam.

Então, o mais importante, neste momento de instabilidade, é manter a cabeça no lugar. Seu patrimônio vai agradecer, e muito!

Gostou do conteúdo? Então, confira o vídeo abaixo (do canal Investidor Sardinha), em que detalho o atual momento – de inadimplência recorde – e comento se estamos à beira de um colapso.

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