14 de julho de 2025 - por Sidemar Castro
Muita gente cai na armadilha de achar que ter a empresa faturando alto é sinônimo de muito lucro. Mas, na verdade, faturamento e lucro são coisas bem diferentes! Em outras palavras, você pode vender horrores, a grana entrar, e ainda assim o lucro ficar lá embaixo.
Para te ajudar a não cair nessa cilada, a gente preparou este artigo. Vamos descomplicar essa história de faturamento e lucro, e te mostrar por que entender a diferença é vital para o seu posto.
Leia também: Receita marginal: o que é, como calcular e exemplos
O que é faturamento?
Sabe aquela sensação de ver a grana entrando na empresa? Isso é o faturamento! Basicamente, é a soma de tudo que você vendeu, seja produto ou serviço, em um certo período. Pense nele como o valor bruto que o seu negócio gerou, sem tirar impostos ou descontos ainda.
Ou seja, faturamento é tudo que entra no caixa. Mas aqui vai um alerta importante para quem gerencia: muitos gestores ficam de olho só nesse número alto e acabam esquecendo de verificar o lucro real que está sendo gerado. E é aí que mora o perigo!
Leia mais: Faturamento: o que é, como se calcula e como aumentar?
Tipos de faturamento
1) Faturamento Bruto
O faturamento bruto é simplesmente a soma de todas as suas vendas em determinado período. Sabe, é como tirar uma foto grande de tudo que seu posto faturou naquele espaço de tempo.
Esse número é super importante! Ele ajuda você a planejar o futuro do negócio, ver como a empresa está crescendo (ou não) a longo prazo e, claro, é fundamental para saber em qual regime de impostos seu posto se encaixa. É a base para muitas decisões importantes.
2) Faturamento Líquido
O faturamento líquido é obtido após a dedução de impostos, descontos concedidos, devoluções de mercadorias e abatimentos sobre o valor bruto. Esse valor reflete o quanto a empresa realmente faturou com suas vendas, já descontando obrigações e ajustes.
3) Faturamento Mensal
O faturamento mensal é o total de todas as vendas que seu posto fez em um único mês. Pensa nele como um raio-x rápido e detalhado da saúde financeira do seu negócio a cada 30 dias.
É um número essencial para você acompanhar de perto o desempenho da empresa no curto prazo. Com ele, fica muito mais fácil planejar as próximas ações e manter tudo sob controle, ajustando o que for preciso mês a mês.
4) Faturamento Anual
O faturamento anual é a soma de todas as vendas realizadas durante o ano. Esse indicador é importante para análises de longo prazo, planejamento estratégico e também para o enquadramento tributário da empresa.
5) Faturamento por Produto ou Serviço
Esse tipo de faturamento mostra exatamente quanto você vendeu de cada produto ou serviço no seu posto. É como ter um relatório detalhado que te diz, por exemplo, qual combustível vende mais, ou se a lavagem de carro está dando mais retorno que a troca de óleo.
Com essa informação, fica muito mais fácil descobrir quais itens são os verdadeiros “campeões de venda” e que mais ajudam no bolso do seu negócio. É uma ferramenta e tanto para focar no que realmente vale a pena.
6) Faturamento por Cliente
O faturamento por cliente mostra quanto cada cliente gera de receita para a empresa em determinado período. Essa análise ajuda a identificar clientes estratégicos e a direcionar esforços de relacionamento e vendas.
7) Faturamento Recorrente
O faturamento recorrente está relacionado a receitas que se repetem periodicamente, como assinaturas, mensalidades ou contratos de prestação de serviços contínuos. Esse modelo é comum em empresas de tecnologia, academias e escolas.
É importante lembrar que cada tipo de faturamento que a gente conversou te dá uma perspectiva única sobre a saúde do seu negócio. Para ter uma gestão realmente eficiente e tomar as melhores decisões, o ideal é acompanhar todos eles. Afinal, quanto mais informações você tiver, melhor!
Entenda:Margem líquida: o que é, como funciona e como calcular
O que é lucro?
Lucro é o dinheiro que sobra no seu negócio depois que todas as despesas e custos foram pagos. É o que realmente mostra se sua empresa está dando certo e gerando valor.
A gente pode olhar o lucro de três formas principais: bruto, operacional e líquido. Cada uma dessas visões te ajuda a entender melhor a saúde financeira do seu posto.
Saiba mais:Lucro: entenda melhor esse importante conceito
Tipos de lucro (colocar como h3)
1) Lucro Bruto
O lucro bruto é o que sobra da sua venda depois que você tira só os custos diretos para ter aquele produto ou serviço. Pensa assim: se você vendeu um combustível, o lucro bruto é o valor que sobrou da venda depois de pagar o custo de aquisição daquele combustível, sem contar aluguel, salários e outras contas fixas do posto.
Ele serve para mostrar o quão eficiente seu posto é em comprar (ou, no caso de outros negócios, produzir) o que vende. É um bom termômetro para saber se o seu preço de venda está cobrindo bem o custo da mercadoria antes de pensar em todas as outras despesas.
2) Lucro Operacional
O lucro operacional é o que sobra depois que você tira do seu faturamento bruto todas as despesas que seu posto tem para funcionar no dia a dia. Pense em contas como salários da equipe, aluguel do espaço, luz, água e outras despesas diretas da operação do negócio.
Ele mostra o quanto sua empresa gera de dinheiro com a atividade principal dela, ou seja, com a venda de combustível e produtos da loja de conveniência. É um indicador importante para ver se a “máquina” do seu posto está girando bem, sem contar empréstimos, investimentos ou impostos ainda.
3) Lucro Líquido
O lucro líquido é o valor final que sobra depois de descontar todos os custos, despesas operacionais, financeiras e impostos. Esse é o lucro efetivo da empresa, ou seja, o dinheiro que realmente fica disponível para os sócios ou para reinvestimento no negócio.
4) Lucro Antes dos Impostos
O lucro antes dos impostos, também conhecido como LAJIR, é o resultado obtido antes da dedução dos tributos. Ele serve para mostrar o desempenho da empresa sem o impacto da carga tributária, facilitando comparações entre diferentes negócios ou períodos.
5) Lucro Presumido e Lucro Real
- Lucro presumido: O governo “presume” seu lucro com base na sua receita bruta e um percentual fixo. É mais simples, bom para quem tem lucro alto, mas não permite deduzir despesas.
- Lucro real: O governo calcula o imposto sobre o seu lucro de verdade, considerando todas as receitas e despesas. É mais complexo, mas vantajoso para quem tem lucro baixo ou prejuízo, pois permite deduzir gastos e compensar perdas.
Qual a diferença entre faturamento e lucro?
Faturamento é como medir a água que entra num balde. Ele te mostra o volume total das suas vendas, todo dinheiro que os clientes te pagaram naquele período. Parece ótimo ver um número alto, certo? Mas isso não diz nada sobre os furos no balde…
Já o lucro revela o que sobra depois que a água vaza por todos esses furos: salários, impostos, aluguel, matérias-primas, contas de luz, manutenção… Se você só olha o faturamento, é como comemorar o balde cheio ignorando que ele está vazando pelo chão.
Mas e os dois juntos, por que importam tanto? Por que faturamento sem lucro é ilusão. Você pode vender R$100 mil por mês e ainda assim falir. Como? Se seus custos somarem R$110 mil. O lucro expõe se sua operação é viável de verdade.
Por outro lado, o lucro guia decisões fundametais. Se você está no vermelho, é um alerta para cortar gastos ou aumentar preços. Se estiver positivo? Permite investir, guardar reservas ou até abrir um novo negócio.
Em outras palavras, faturamento ajuda a planejar crescimento. Ele indica se suas vendas estão subindo ou caindo, e se você precisa atrair mais clientes, lançar novos produtos ou ajustar sua estratégia.
Conheça: Receita operacional bruta (ROB): o que é, como calcular e importância
Como calcular o faturamento e o lucro?
Vamos imaginar que você está abrindo uma barraquinha de limonada na sua rua. O cálculo do faturamento e do lucro funciona assim, na vida real:
Calcular o faturamento é o mais direto: É só somar todo dinheiro que entrou das suas vendas num período.
Quer um exemplo prático? Vamos lá:
- Segunda: Vendeu 20 limonadas a R$5: R$100
- Quarta: Vendeu 30 limonadas a R$5: R$150
- Sexta: Vendeu 25 limonadas a R$5: R$125
Portanto, seu faturamento da semana foi de R$375.
Fácil, né? É só o total arrecadado com vendas, sem descontar nada.
Agora o lucro… aqui vem o pulo do gato! Pegue esse faturamento e subtraia TUDO o que você gastou pra gerar essas vendas.
Ou seja, voltando à limonada:
- Limões, açúcar e copos: R$120
- Gás do carrinho: R$30
- Propagandinha no Instagram: R$50
Assim, o custo total: R$200
Sendo assim, eu lucro bruto seria: R$375 (faturamento) – R$200 (custos diretos) = R$175
Mas calma, ainda não é o lucro “líquido” (o real que importa):
- Você esqueceu o aluguel do espaço? R$80
- E aquele ajudante no sábado? R$40
Então, as despesas fixas somam R$120
E o lucro líquido REAL: R$175 (lucro bruto) – R$120 (despesas) = R$55
Ou seja, o faturamento foi de R$375. E o lucro líquido, R$55 (e esse é o valor que realmente “sobra” pra você).
Por que essa conta não é só matemática? Se seu lucro está baixo mesmo com faturamento alto (ex.: fatura R$10 mil, lucra R$200), é sinal de que custos estão engolindo seu ganho. Quer dizer que você precisa rever preços ou cortar gastos.
Desse modo, se o faturamento cai dois meses seguidos, mas o lucro se mantém, você descobre que sua eficiência melhorou (e isso é ótimo!).
Entenda melhor: Margem de lucro: o que é e como calcular?
O que é Ebitda?
Se você já folheou um relatório financeiro, provavelmente esbarrou numa sigla estranha: EBITDA. O nome é curioso porque, na verdade, ele resume em inglês o conceito de “Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização“.
Basicamente, o EBITDA mostra quanto dinheiro a empresa realmente gerou só com suas operações do dia a dia, sem contar empréstimos, impostos ou desgaste de equipamentos. É como ver o fôlego do negócio puramente pelas suas atividades principais.
Leia mais: 12 indicadores financeiros que todo empreendedor deve conhecer
Fontes: Senhor Contábil, Contabilizei, Pag Seguro, Sebrae Pr, Tecnoblog, Agilize e Adaptive.