Diferença entre uma recessão econômica e uma depressão econômica

A recessão é uma queda temporária da atividade econômica, enquanto a depressão é uma crise mais longa e profunda na economia. Entenda a diferença.

16 de outubro de 2025 - por Sidemar Castro


A principal diferença é que uma depressão é uma recessão mais severa e duradoura. Uma recessão é uma desaceleração econômica geral, geralmente durando de alguns meses a um ano, enquanto uma depressão é um declínio prolongado, que pode durar anos, com quedas mais profundas no PIB, desemprego massivo e colapso generalizado da economia.

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O que é recessão econômica?

A recessão econômica começa com uma economia funcionando bem, com empresas produzindo, pessoas gastando, empregos são mantidos. De repente, ela começa a falhar: as vendas caem, as empresas veem menos lucro, cortam custos e começam a despedir. As pessoas sentem no bolso, passando a gastar menos, e tudo vai se retardando. Isso é o que chamamos de recessão: um momento em que a economia “perde o fôlego” por um tempo.

Se essa crise se estender demais e se tornar muito profunda, é como se o motor da economia ficasse emperrado: ela entra numa depressão, um quadro em que os efeitos são mais devastadores, com desemprego generalizado, falências, queda drástica no nível de produção e uma recuperação muito lenta. A recessão é um tropeço, a depressão é um tombo que pode durar anos.

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Como funciona a recessão econômica?

Quando os custos sobem ou o crédito fica caro, empresas retracam seus investimentos, produzem menos ou até demitem funcionários. As pessoas, com menor renda ou medo de perder o emprego, cortam gastos. As vendas caem, o consumo enfraquece, e isso retroalimenta a crise. O indicador clássico usado por muitos economistas é um recuo do Produto Interno Bruto (PIB) por dois trimestres seguidos, um padrão simples, embora nem sempre suficiente para decretar uma recessão.

A recessão não surge do nada. Na maioria das vezes, há desequilíbrios acumulados: dívidas altas, bolhas de ativos prontos para estourar, consumo dependente de crédito, expectativas que mudam de repente.

Quando algum disparador aparece, o ciclo começa a inverter. A fase de expansão vira retração, como se a economia batesse no topo e começasse a descida. E essa descida pode durar meses, às vezes de seis a dezoito meses, ou mais, dependendo da gravidade.

Durante a recessão, os sinais ficam visíveis: desemprego sobe, produção industrial cai, vendas no varejo despencam, empresas lutam para manter caixa. O governo muitas vezes tenta agir: reduz juros, injeta estímulos fiscais, estimula investimentos, tudo para reverter o processo. Mas esse “remédio” demora a fazer efeito porque parte da dinâmica é psicológica: quando empresários e consumidores esperam uma piora, congelam decisões, e isso por si só já freia a retomada.

Exemplos de recessão econômica

Nem toda recessão é um evento global. Muitas vezes, um país enfrenta seus próprios momentos de aperto. Um exemplo forte para nós, no Brasil, foi a grave recessão que vivemos entre 2014 e 2016.

Durante esse período, a economia encolheu de forma significativa por vários trimestres, e o que se viu foi um mercado de trabalho muito difícil, com o desemprego subindo e a renda das famílias sendo corroída. Os investimentos pararam, e o clima de pessimismo tomou conta dos negócios. Foi uma crise prolongada e dolorosa, mostrando o quanto uma recessão doméstica pode afetar o dia a dia da população, mesmo que o resto do mundo não esteja passando por uma crise da mesma intensidade.

Outros países também têm seus exemplos clássicos. Nos Estados Unidos, o National Bureau of Economic Research (NBER), que é o órgão que “dita” quando as crises começam e terminam lá, já registrou diversos momentos de recessão ao longo do século passado.

Em geral, esses momentos são vistos como “correções de rota”, onde a economia superaquecida esfria de repente, fazendo a produção e o emprego caírem por alguns meses antes da engrenagem voltar a rodar.

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O que é depressão econômica?

Pense numa depressão econômica como uma tempestade poderosa que não passa rápido: ela derruba tudo ao redor e demora para ir embora. É diferente de uma recessão, que é como um tempo fechado que dura alguns meses. A depressão vem como um vendaval, derrubando empresas, deixando pessoas sem emprego por anos, interrompendo investimentos e paralisando sonhos.

Quando a depressão chega, o efeito da queda na economia é tão profundo que começa a corroer a confiança das pessoas: ninguém quer arriscar, gastar ou investir. O crédito torna-se escasso, os bancos se retraem, emprestam menos ou exigem garantias absurdas, e aquilo que antes parecia “arriscado” agora se torna difícil até para transações simples. As empresas enfrentam falta de clientes, acumulam dívidas e muitas fecham. Quem perde emprego dificilmente encontra outro por bastante tempo.

E mesmo quando as autoridades tentam agir, gastando mais, reduzindo juros ou estimulando setores específicos, o estrago já é grande demais. A recuperação demora porque parte da estrutura produtiva se perdeu: fábricas fechadas, capital comprometido, talentos que migraram, confiança quebrada. Conforme o tempo passa, a depressão se entranha como uma marca profunda.

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Como funciona a depressão econômica?

Vamos imaginar que a economia é como uma grande festa onde todos, consumidores, empresas, bancos, interagem: uns vendem, outros compram, alguém empresta dinheiro, alguém investe. Agora suponha que, de repente, o clima mude: surge uma nuvem escura, talvez uma crise no setor imobiliário, ou uma explosão de dívidas, que deixa os convidados com receio.

Com esse medo no ar, quem tinha planos de comprar agora adia, quem ia investir resolve esperar, e os bancos ficam mais cautelosos antes de emprestar. Aos poucos, menos gente circula na festa: menos compras, menos encomendas, menos produção.

As empresas percebem que não vão vender tanto e começam a segurar custos, cortando contratação, adiando projetos. À medida que menos pessoas têm emprego e renda, menos compram, e o ciclo de retração se aprofunda.

Quando o governo ou o Banco Central vê o clima ficando ainda pior, entra para “abrir janelas” de ventilação: baixa juros, investe em obras ou projetos públicos, concede incentivos para consumo ou crédito, tudo para trazer confiança de volta, estimular movimento e devolver a festa ao ritmo normal. Se der certo, as pessoas voltam a comprar, empresas voltam a produzir, empregos reaparecem. A recessão vai se esvaindo e dá lugar à recuperação.

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Exemplos de depressão econômica

O exemplo que logo surge é o da Grande Depressão dos anos 30. Imagine o pânico: depois que a bolsa de valores desmoronou, o medo se alastrou como fogo, levando bancos a fechar um após o outro.

A economia ficou presa em um círculo vicioso terrível: sem dinheiro para emprestar, ninguém comprava, e ninguém produzia. Foi uma luta que durou quase dez anos até o país se reerguer de verdade, tropeçando ainda em algumas crises menores pelo caminho.

Mas a tristeza econômica não é coisa só dos anos 30. Olhe para o século XIX: entre 1882 e 1885, nos Estados Unidos, o motor da construção de ferrovias engasgou, a demanda por aço caiu e o crédito secou. Foi quase um triênio de aperto no peito.

Outro momento que deixou marcas foi o Pânico de 1837. Aquela crise financeira deu início a uma depressão que roubou décadas de progresso e deixou comunidades inteiras na lona.

O que faz esses momentos serem tão dolorosos não é apenas a força do impacto, mas o tempo que levam para passar. Uma depressão é um estado de fragilidade que se instala e captura a vida econômica de todos. Nesses períodos, as soluções de sempre não dão conta, e a gente sente na pele o preço: pobreza, pessoas buscando emprego por anos a fio e a tristeza de ver o que se construiu ao longo da vida se esvair.

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Qual a diferença entre uma recessão econômica e uma depressão econômica?

Recessão e depressão são dois momentos ruins para a economia, mas a diferença principal está na dimensão da dor que eles trazem.

Pense na recessão como um solavanco, um período onde a atividade econômica se retrai de forma generalizada. Tecnicamente, ela pode ser marcada por dois trimestres seguidos de queda na produção total de um país.

Nesse período, o problema do desemprego é real, mas as estruturas econômicas continuam funcionando, e a expectativa é que a recuperação venha em breve.

A depressão, no entanto, é o pesadelo que se estende por anos. Ela acontece quando a queda da economia é tão acentuada, chegando a mais de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em alguns casos, e tão longa, que o sistema parece paralisado.

É quando o ciclo vicioso se instala: com tanta gente sem emprego por muito tempo, o consumo desaparece, e as empresas em massa quebram ou deixam de investir.

A depressão afeta o tecido social de maneira profunda e anormal, transformando um momento ruim em uma crise existencial, onde o futuro parece cada vez mais incerto.

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Fontes: Ig Trading Strategies, Acorns, FRBSF, More Than Digital, Invest News, Bow Stuff Works, Money, Investidor Sardinha.

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